REsp 2197968 - DECISAO
O relator constatou omissão relevante no acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (ofensa ao art. 1022 do CPC), determinou o retorno dos autos à origem para que o acórdão seja integrado por novo decisum colegiado e, em razão desse procedimento, julgou prejudicado o recurso especial interposto...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); Fiscal Da Lei E Recorrente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgo Prejudicado O Recurso Especial; Retorno Dos Autos À Origem Para Nova Apreciação Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- recurso especial julgado prejudicado
- Legal Topics
- Desapropriação Por Interesse Social, Comunidades Quilombolas, Decreto Expropriatório, Decadência, Prazo Bienal, Honorários Recursais, Omissão (art. 1022 Do Cpc)
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Parties
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)
Recorrente
Ministério Público Federal
Fiscal Da Lei E Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgo Prejudicado O Recurso Especial; Retorno Dos Autos À Origem Para Nova Apreciação Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Aplicação do prazo decadencial bienal previsto no art. 3º da Lei 4.132/62 às desapropriações destinadas à regularização do território de comunidades quilombolas
- 2 Natureza jurídica do decreto expropriatório em terras quilombolas (se sujeita à decadência ou possui efeitos ex tunc em razão da proteção constitucional)
- 3 Existência de omissão no acórdão regional quanto às questões suscitadas nos embargos de declaração
Ratio Decidendi
O relator constatou omissão relevante no acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (ofensa ao art. 1022 do CPC), determinou o retorno dos autos à origem para que o acórdão seja integrado por novo decisum colegiado e, em razão desse procedimento, julgou prejudicado o recurso especial interposto pela parte recorrente (Incra).
Court Disposition
recurso especial julgado prejudicado
Orders
- Julgo prejudicado o recurso especial.
- Determino o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para nova apreciação dos embargos de declaração opostos pelo Ministério Público Federal e integração do acórdão por novo decisum colegiado.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 398): ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL. COMUNIDADES QUILOMBOLA. DECRETO EXPROPRIATÓRIO. DECADÊNCIA. PRAZO BIENAL. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. HONORÁRIOS RECURSAIS. 1. O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado (Lei 4.132/62 - art. 3º), preceito que (também) se aplica às desapropriações destinadas à regularização do território de comunidades quilombolas. 2. Honorários recursais arbitrados em 6% (seis por cento), por força dos § 11, do art. 85, do CPC. 3. Desprovimento da apelação. Opostos embargos declaratórios pelo Parquet Federal, foram rejeitados (fls. 433/442). A parte recorrente aponta, além de divergência jurisprudencial, violação ao art. 3º da Lei n. 4.132/62. Sustenta que "consoante dispositivo do Decreto n. 4.887/2003, evidencia-se que o ordenamento jurídico pátrio incorporou os caracteres da inalienabilidade, indisponibilidade e imprescritibilidade das terras remanescentes das comunidades de quilombos." (fl. 483). Argumenta que "o decreto quilombola opera primordialmente como ato-identificação de imóvel afetado pela própria Constituição, afetação esta que compartilha da mesma natureza originária que distingue a ordem jurídica constitucional (ex tunc)." (fl. 483), razão pela qual conclui que não há falar, na hipótese, de caducidade do decreto expropriatório. Por meio da Sub-Procuradoria Geral da República, o Parquet Federal, na qualidade de fiscal da lei, opinou pelo prov imento dos recursos, nos termos assim resumidos (fl. 617): Recurso especial com agravo. Regularização de território de comunidade quilombola. Inviabilidade da aplicação de prazo decadência previsto na norma geral quando a norma especial assim não prevê, em decorrência do caráter constitucionalmente impositivo da medida. O decreto expropriatório na desapropriação em terras de quilombos não tem a natureza própria dos decretos expropriatórios ordinários de afetar o bem eleito ao interesse público: o direito à propriedade das terras dos quilombos está previsto diretamente na Constituição e, diversamente do que ocorre nas demais desapropriações por interesse social, não há espaço para a discricionariedade da administração acerca da elegibilidade do bem. Parecer pelo provimento dos recursos especiais, com assinatura de prazo para que a administração dê impulso ao procedimento administrativo de desapropriação. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Na presente data, este relator deu provimento ao recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal por ofensa ao art. 1022 do CPC, vislumbrando-se a ocorrência de omissão relevante no acórdão proferido pela Corte Regional. Assim, diante da necessidade de retorno dos autos à origem para nova apreciação dos embargos de declaração opostos pelo Parquet Federal, o acórdão impugnado pela parte ora recorrente deverá ser integrado por meio de novo decisum colegiado, ficando prejudicado o apelo especial subjacente. ANTE O EXP OSTO, julgo prejudicado o recurso especial. Publique-se. EMENTA