AREsp 2516202 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, para que proceda à nova análise do Agravo de Instrumento à luz da jurisprudência do STJ que admite a aplicação da teoria menor do art. 28, § 5º do CDC — bastando a demonstração da insolvência do...
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- Parties
- Agravante: JULIANO MORCELLI DE GUSMAO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecido E Provido
- Outcome
- agravo conhecido e provido
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Teoria Menor Da Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Art. 28, § 5º Do CDC, Insolvência Do Fornecedor, Cumprimento De Sentença
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Parties
JULIANO MORCELLI DE GUSMAO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecido E Provido
Legal Issues
- 1 Aplicação da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 28, § 5º do CDC
- 2 Necessidade de comprovação dos requisitos do art. 50 do Código Civil versus prescindibilidade de prova em face da teoria menor
- 3 Reexame do acervo fático probatório e limitação do recurso especial pela Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, para que proceda à nova análise do Agravo de Instrumento à luz da jurisprudência do STJ que admite a aplicação da teoria menor do art. 28, § 5º do CDC — bastando a demonstração da insolvência do fornecedor ou de que a personalidade jurídica constitui obstáculo ao ressarcimento.
Court Disposition
agravo conhecido e provido
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para nova análise do Agravo de Instrumento à luz da jurisprudência do STJ
- Publicar-se
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo, interposto por JULIANO MORCELLI DE GUSMAO, em face de decisão que inadmitiu o recurso especial. O apelo extremo, por sua vez, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DAPERSONALIDADE JURÍDICA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. REQUISITOS DO ART. 50 DOCÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DECISÃO REFORMADA.1. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine), ainda que de forma inversa,constitui um mecanismo de aplicação excepcional, para remover o véu protetivo que separa a sociedadeempresária de seus sócios.2. Conforme dispõe o artigo 50 do Código Civil, é necessária a comprovação de abuso da personalidadejurídica, com desvio de finalidade ou confusão patrimonial, para ensejar a desconsideração de personalidadejurídica do devedor. 3. Recurso provido. Opostos embargos de declaração, restaram rejeitados. Nas razões do recurso especial, a parte insurgente apontou violação ao artigo 28, §5º, do Código de Defesa do Consumidor; alegando que "contrariamente ao entendimento adotado pelo Tribunal a quo, o qual sustentou que a desconsideração da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os bens de seus sócios não se justifica na ausência dos requisitos legais necessários - especificamente nos termos do art. 49-A do Código Civil -, esta Corte Superior já firmou que, no que concerne à aplicação da Teoria Menor consagrada pela Lei 8.078/90, basta a mera constatação da insolvência da pessoa jurídica para que se configure a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica". O apelo extremo foi inadmitido, dando ensejo ao presente agravo por meio do qual a parte agravante pretende a reforma da decisão impugnada e o processamento do apelo. É o relatório. Decido. O inconformismo merece prosperar. 1. Com efeito, a jurisprudência do STJ é "no sentido de que o art. 28, § 5º, do CDC permite a aplicação da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica, que consiste na prescindibilidade de fazer prova de fraude ou abuso de direito ou ainda a existência de confusão patrimonial, bastando que o consumidor demonstre (I) o estado de insolvência do fornecedor ou (II) o fato de que a personalidade jurídica represente um obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.978.715/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023.). No mesmo sentido, veja-se os recentes precedentes desta Corte: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REEXAME DOS REQUISITOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando a corte de origem examina e decide, de modo fundamentado e objetivo, as questões que delimitam a controvérsia, não ocorrendo nenhum vício que possa nulificar o acórdão recorrido. 2. "Nos termos do art. 28, § 5º, do CDC, a aplicação da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica da empresa é justificada pelo mero fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores (Súmula 568/STJ)" (AgInt no AREsp n. 2.002.504/DF, Terceira Turma). 3. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ na hipótese em que o acolhimento da tese defendida no recurso especial reclama a análise dos elementos probatórios produzidos ao longo da demanda. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.307.751/DF, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023.) RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO. INCIDENTE. RELAÇÃO DE CONSUMO. ART. 28, § 5º, DO CDC. TEORIA MENOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. ACIONISTA CONTROLADOR. POSSIBILIDADE. EXECUTADA ORIGINÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÕES. SUSPENSÃO. ART. 6º, II, DA LREF. INAPLICABILIDADE. PATRIMÔNIO PRESERVADO. 1. A controvérsia dos autos resume-se em saber se, pela aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica, é possível responsabilizar acionistas de sociedade anônima e se o deferimento do processamento de recuperação judicial da empresa que teve a sua personalidade jurídica desconsiderada implica a suspensão de execução (cumprimento de sentença) redirecionada contra os sócios. 2. Para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica (art. 28, § 5º, do CDC), basta que o consumidor demonstre o estado de insolvência do fornecedor e o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados, independentemente do tipo societário adotado. 3. Em se tratando de sociedades anônimas, é admitida a desconsideração da personalidade jurídica efetuada com fundamento na Teoria Menor, em que não se exige a prova de fraude, abuso de direito ou confusão patrimonial, mas os seus efeitos estão restritos às pessoas (sócios/acionistas) que detêm efetivo poder de controle sobre a gestão da companhia. 4. O veto ao § 1º do art. 28 do Código de Defesa do Consumidor não teve o condão de impossibilitar a responsabilização pessoal do acionista controlador e das demais figuras nele elencadas (sócio majoritário, sócios-gerentes, administradores societários e sociedades integrantes de grupo societário), mas apenas eliminar possível redundância no texto legal. 5. A inovação de que trata o art. 6º-C da LREF, introduzida pela Lei nº 14.112/2020, não afasta a aplicação da norma contida no art. 28, § 5º, do CDC, ao menos para efeito de aplicação da Teoria Menor pelo juízo em que se processam as ações e execuções contra a recuperanda, ficando a vedação legal de atribuir responsabilidade a terceiros em decorrência do mero inadimplemento de obrigações do devedor em recuperação judicial restrita ao âmbito do próprio juízo da recuperação. 6. O processamento de pedido de recuperação judicial da empresa que tem a sua personalidade jurídica desconsiderada não impede o prosseguimento da execução redirecionada contra os sócios, visto que eventual constrição dos bens destes não afetará o patrimônio da empresa recuperanda, tampouco a sua capacidade de soerguimento. 7. Recurso espe cial não provido. (REsp n. 2.034.442/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 15/9/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA MENOR. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE CONTRARIEDADE A DISPOSITIVOS LEGAIS. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REEXAME DOS REQUISITOS. SÚMULA 7/STJ. PENHORA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. CERCEAMENTO DE DEFESA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015 não foi demonstrada com clareza, mediante a indicação dos pontos considerados omissos que pudessem levar a um diferente resultado do julgamento, atraindo a incidência da Súmula n. 284/STF, aplicada por analogia. 2. O prequestionamento é exigência inafastável contida na própria previsão constitucional, impondo-se como um dos principais pressupostos ao conhecimento do recurso especial. Dessa forma, há a necessidade de a causa ser decidida à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos respectivos dispositivos legais, interpretando-se sua aplicação ou não ao caso concreto. 3. Para fins de aplicação da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica (art. 28, § 5º, do CDC), basta que o consumidor demonstre o estado de insolvência do fornecedor ou o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. 4. Na presente hipótese, forçoso reconhecer que a alteração das conclusões adotadas pela Corte a quo - quanto à existência dos requisitos para desconsideração da personalidade jurídica à luz do art. 28, § 5º, do CDC (teoria menor) - não prescindiria do revolvimento do acervo fático-probatório, o que é inviável no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Para reverter a conclusão do Tribunal local a fim de acolher a pretensão recursal, sobretudo no que concerne à existência de acervo probatório suficiente a afastar a penhora do automóvel, far-se-ia necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado em face da natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 6. Na linha da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a subsistência de fundamento não atacado, apto a manter a conclusão do aresto impugnado, impõe o não conhecimento da pretensão recursal, conforme o entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 7. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.266.849/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023.) O acórdão recorrido, portanto, destoa da jurisprudência desta Corte, merecendo reforma a fim de que se analise, no caso concreto, se foi demonstrado (I) o estado de insolvência do fornecedor ou (II) que a personalidade jurídica representa um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados, o que é suficiente para a aplicação do art. 28, § 5º, do CDC. 2. Do exposto, com fulcro no art. 932 do NCPC c/c Súmula 568 do STJ, conheço do agravo para, de plano, dar provimento ao recurso especial a fim de determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que proceda com nova análise do Agravo de Instrumento à luz da jurisprudência desta Corte, consoante fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se. EMENTA