REsp 2140437 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo analisou o acervo probatório e concluiu pela ausência dos requisitos legais para a desconsideração da personalidade jurídica; tal conclusão envolve reexame de fatos, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, e a decisão recorrida não padece de...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Incidente De Desconsideração Inversa, Honorários Advocatícios, Inépcia Da Petição Inicial, Compensação De Honorários, Execução De Título Extrajudicial, Reexame De Matéria Fática (súmula 7/stj)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 existência de omissão ou falta de fundamentação no acórdão recorrido
- 2 presença dos requisitos objetivos para desconsideração da personalidade jurídica (abuso de direito, desvio de finalidade, confusão patrimonial)
- 3 possibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo analisou o acervo probatório e concluiu pela ausência dos requisitos legais para a desconsideração da personalidade jurídica; tal conclusão envolve reexame de fatos, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, e a decisão recorrida não padece de omissão, devendo ser mantida, inclusive quanto à compensação de honorários na forma reconhecida pela jurisprudência.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Desconsideração da personalidade jurídica. Distrato social. Pedido de inclusão dos sócios no polo passivo do cumprimento de sentença. Decisão de indeferimento. Insurgência da exequente. Pedido de sucessão processual, nos termos do art. 110 do Código de Processo Civil. Mera inexistência de bens e encerramento das atividades da empresa que não bastam para que se autorize a desconsideração pretendida. Recurso desprovido. Alega-se violação dos artigos 489, § 1º, IV, VI, e 1.022, II, do Código de Processo Civil e 50, 1.103, III, e 1.110 do Código Civil sob os argumentos de que o acórdão local é omisso e que está presente o abuso de direito apto à desconsideração da personalidade jurídica. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Não é omissa nem carece de fundamentação a decisão judicial que, embora decida em sentido contrário aos interesses da parte, examina suficientemente as questões que lhe foram propostas adotando entendimento que ao órgão julgador parecia adequado à solução da controvérsia. Assim: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REGULAR PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INÉPCIA DA INICIAL. HONORÁRIOS. COMPENSAÇÃO. 1. Ausência de violação dos artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada. 2. Inviabilidade de acolher a alegação de inépcia da inicial, pois a convicção formada pela Corte local decorreu dos elementos existentes nos autos, os quais não são possíveis de ser reexaminados nesta via especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Fixada a compensação de honorários na vigência do CPC/1973, deve ser mantida já que acolhida até então pelo ordenamento jurídico, conforme elucidado no enunciado da Súmula n. 306/STJ, tendo em vista que a sucumbência é regida pela lei vigente à data da deliberação que a impõe ou modifica. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1131853/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 8/2/2018, DJe 16/2/2018) Concluiu o Tribunal local, quanto ao mais, que, "não havendo comprovação de abuso por parte da empresa quando do registro do seu distrato na Junta Comercial, ônus do qual a autora não se desincumbiu, nos termos do artigo 373, I, do Código de Processo Civil, de rigor a manutenção da decisão objurgada, que poderá prosseguir com a habilitação dos sócios, nos termos elencados pelo precedente ora referido, bem como consignado pelo juízo a quo, se assim entender devido" (e-STJ, fl. 98). Se a conclusão foi a de que não se desincumbiu a parte recorrente de provar o alegado abuso de direito, é inequívoco que o reexame da causa esbarra nas disposições do verbete n. 7 da Súmula desta Casa. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO AO ART. 50 DO CÓDIGO CIVIL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA MAIOR. REQUISITOS OBJETIVOS. TRIBUNAL A QUO CONCLUIU PELA NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O legislador pátrio, no art. 50 do CC de 2002, adotou a teoria maior da desconsideração, que exige a demonstração da ocorrência de elemento objetivo relativo a qualquer um dos requisitos previstos na norma, caracterizadores de abuso da personalidade jurídica, como excesso de mandato, demonstração do desvio de finalidade (ato intencional dos sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica) ou a demonstração de confusão patrimonial (caracterizada pela inexistência, no campo dos fatos, de separação patrimonial entre o patrimônio da pessoa jurídica e dos sócios ou, ainda, dos haveres de diversas pessoas jurídicas). 2. A Corte de origem, analisando o acervo fático-probatório dos autos, concluiu expressamente que "não se verificam nesses casos concretos os requisitos legais para desconsideração da personalidade jurídica para extensão da responsabilidade à agravada", sobretudo não ocorrendo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Rever a conclusão a que chegou o acórdão recorrido importaria, necessariamente, o reexame de provas, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.141.540/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 25/4/2023.) Em face do exposto, nego provimento ao recurso especial. Intimem-se. EMENTA