AREsp 2303312 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem determinou corretamente o prosseguimento da execução e do incidente de desconsideração na ausência de efeito suspensivo concedido aos embargos à execução; além disso, não houve prequestionamento da matéria relativa ao art. 50...
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- Parties
- Agravante: FRALLE SERVIÇOS CORPORATIVOS e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Incidente De Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Embargos À Execução, Efeito Suspensivo, Execução De Título Extrajudicial, Prejudicialidade Externa, Inadmissibilidade De Recurso Especial
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Parties
FRALLE SERVIÇOS CORPORATIVOS e OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica deve ser suspenso até o julgamento definitivo dos embargos à execução
- 2 Se houve comprovação de abuso da personalidade jurídica nos termos do art. 50 do Código Civil
- 3 Se o recurso especial é meio adequado para alegar ofensa a dispositivos da Constituição Federal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem determinou corretamente o prosseguimento da execução e do incidente de desconsideração na ausência de efeito suspensivo concedido aos embargos à execução; além disso, não houve prequestionamento da matéria relativa ao art. 50 do Código Civil e o recurso especial não é via adequada para alegar ofensa a dispositivos constitucionais.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FRALLE SERVIÇOS CORPORATIVOS e OUTROS em face de decisão de inadmissibilidade de recurso especial, fundado no art. 105, III, "a", da Constituição, interposto em face do v. acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. SOBRESTAMENTO DO FEITO. EMBARGOS DO DEVEDOR. PREJUDICIALIDADE EXTERNA NÃO VISLUMBRADA. DECISÃO REFORMADA. Na pendência do julgamento da apelação interposta em face da sentença proferida nos embargos à execução, em que foi acolhida a prejudicial de mérito, extinta a execução e declarada a perda do objeto do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, perfeitamente justificável o sobrestamento da execução e do incidente até a resolução definitiva nos embargos. Cassada a sentença, porque superada a prejudicial então acolhida, e determinado o retorno dos embargos à origem para seguimento, não mais se justifica referido sobrestamento, mesmo porque os feitos se desenvolveram autonomamente até o advento da sentença cassada, status quo que deve ser restabelecido. Ademais, não foram conferidos efeitos suspensivos ao embargos e nem mesmo ao juízo da execução foi ofertada garantia. Nesses termos, merece reforma a decisão que determinou o sobrestamento da execução e do incidente até o deslinde dos embargos do devedor. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PROVIDO." (fl. 97) Os recorrentes apontam ofensa aos arts. 313, inciso V, alínea "a", 133, §1º e 134, §4º, do CPC/15 e 50 do Código Civil. Sustentam, em síntese, (a) necessidade de suspensão do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, até o julgamento definitivo dos embargos à execução e (b) não houve comprovação de abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, como requerido pelo artigo 50 do Código Civil. Contrarrazões às fls. 225/233. É o relatório. De início, aponta-se que o recurso especial não é sede adequada para se alegar ofensa a dispositivos da Constituição Federal, matéria própria do recurso extraordinário, de competência do Supremo Tribunal Federal. O eg. TJGO determinou o prosseguimento da execução - inclusive do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) -, tendo em vista que a pendência de julgamento dos embargos à execução por si só não afeta o andamento do feito executivo. O acórdão deve ser mantido. Embora a apreciação da tese de prejudicialidade externa demande o reexame de questões de fato - pois seria preciso investigar se o objeto dos embargos à execução determina ou não o resultado do IDPJ -, é certo que, se não houve concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução, a execução deve prosseguir, inclusive com o respectivo IDPJ. Com efeito, até sob a vigência do CPC/73, prevalecia o seguinte entendimento: "A Lei 11.382/2006, ao revogar o § 1º do art. 739 do CPC/1973, eliminou a concessão automática de efeito suspensivo à Execução pela simples oposição dos Embargos à Execução, passando este a depender de provimento judicial específico, que pressupõe a demonstração de que o prosseguimento da execução possa acarretar ao executado dano de difícil ou incerta reparação." (REsp n. 1.734.526/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2018, DJe de 23/11/2018.) Como, então, a execução de título extrajudicial se dá sempre de modo definitivo, só podendo ser obstada pela concessão de efeito suspensivo nos embargos, o feito deve prosseguir. Por fim, registra-se que o objeto da controvérsia, na origem, consistiu apenas em definir se a execução (e seu incidente) deveria prosseguir ou não, sem qualquer discussão quanto à presença dos requisitos da desconsideração da personalidade jurídica (art. 50 do Código Civil). Ausente, portanto, o prequestionamento da matéria (Enunciado n. 282 da Jurisprudência do STF). Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA