AREsp 2620291 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque não houve omissão ou obscuridade a justificar acolhimento dos embargos (art. 1.022 CPC) e porque a pretensão de afastar o reconhecimento da confusão patrimonial e da desconsideração da personalidade jurídica exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, providência...
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- Parties
- Agravante: CELESTE AIDA TOURINHO FERREIRA E OUTROS; Exequente: FINEP; Executada: IDEIA DIGITAL SISTEMAS CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA; Sucedente: TERIVA SOLUCOES EM TECNOLOGIA LTDA; Incluída No Polo Passivo: IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (quarta Turma)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Grupo Econômico, Súmula 7/stj, Art. 1.022 Do CPC, Art. 50 Do CC, Execução De Título Extrajudicial, Incidente De Desconsideração
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Parties
CELESTE AIDA TOURINHO FERREIRA E OUTROS
Agravante
FINEP
Exequente
IDEIA DIGITAL SISTEMAS CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA
Executada
TERIVA SOLUCOES EM TECNOLOGIA LTDA
Sucedente
IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA
Incluída No Polo Passivo
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (quarta Turma)
Legal Issues
- 1 violação ao art. 1.022 do CPC (alegada omissão)
- 2 incidência da Súmula 7/STJ quanto à vedação do reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial
- 3 aplicação do art. 50 do CC (desconsideração da personalidade jurídica)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque não houve omissão ou obscuridade a justificar acolhimento dos embargos (art. 1.022 CPC) e porque a pretensão de afastar o reconhecimento da confusão patrimonial e da desconsideração da personalidade jurídica exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; adicionalmente, a alegação de inexatidão dos cálculos estava preclusa por não indicar o dispositivo legal federal violado.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 19/11/2024 a 25/11/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DOS AGRAVANTES. 1. Violação ao artigo 1.022 do CPC não configurada. Acórdão estadual que enfrentou todo s os aspectos essenciais à resolução da controvérsia de forma ampla e fundamentada, sem omissão ou obscuridade. Precedentes. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem no sentido de que ficou configurada a confusão patrimonial, determinando-se a desconsideração da personalidade jurídica, exige a incursão na seara probatória dos autos, o que não é permitido nesta instância especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por CELESTE AIDA TOURINHO FERREIRA E OUTROS, contra decisão monocrática da lavra deste signatário que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial da ora insurgente. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado (fls. 144-145, e-STJ): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ALEGAÇÕES DEEXCESSO DE EXECUÇÃO E DE NECESSIDADE DE ENVIO DOS AUTOS AO CONTADOR JÁDECIDIDAS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. PRECLUSÃO. INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DEDESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. SOCIEDADEPERTENCENTE AO MESMO GRUPO ECONÔMICO DA EXECUTADA. RECURSO DESPROVIDO1. Trata-se de Agravo de Instrumento, interposto por CELESTE AIDA TOURINHO FERREIRA e outros, contra decisão (Evento 188 do feito Nº 0074089-97.2015.4.02.5101/RJ) que, execução de título extrajudicial: i) entendeu ser descabida a pretensão dos Agravantes de remessa dos autos à contadoria do juízo; ii) admitiu o incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Teriva Soluções em Tecnologia Ltda. em relação aos sócios Mario e Paulo, ora Agravantes, bem como da Ideia das Coisas Soluções em Tecnologia Ltda.; iii) homologou os cálculos da FINEP no valor atualizado de R$2.982.144,24 (dois milhões novecentos e oitenta e dois mil cento e quarenta e quatro reais e vinte e quatro centavos).2. Cuida-se, na origem, de execução de título extrajudicial ajuizada pela FINEP em razão de inadimplemento de contrato de financiamento pactuado com IDEIA DIGITAL SISTEMASCONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 41.991.225/0001-34), sucedida por TERIVA SOLUCOESEM TECNOLOGIA LTDA, em que constam como cofiadores os Agravantes MARIO WILSON DO LAGOJUNIOR, ROBERTA TOURINHO ANTUNES FERREIRA DO LAGO, PAULO DE TARSO ARAUJOSOUZA, CELESTE AIDA TOURINHO FERREIRA e FABIANO ANTUNES FERREIRA (Evento 1, Docs.4/6 dos originários).3. Esta Egrégia Corte tem deliberado reiteradamente que, em sede de agravo de instrumento, as decisões monocráticas proferidas pelos juízes singulares somente devem ser reformadas quando houver manifesto abuso de poder, eivadas de ilegalidade ou se revestirem de cunho teratológico, sendo certo que a decisão recorrida não se enquadra nessas exceções.4. Não há que se falar em excesso de execução e nem em necessidade de envio dos autos ao contador, tendo em vista que estas questões já foram decididas na Apelação interposta pelos Agravantes nos Embargos à Execução. 5. O ordenamento jurídico faculta ao juiz, em caso de confusão patrimonial, decidir que os efeitos decertas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica, o que também se aplica em caso de abuso perpetrado por diversas empresas, a exemplo do disposto no art. 50 do Código Civil.6. Embora, em regra, o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseje a responsabilidade solidária, tal responsabilização pode ocorrer quando há abuso da personalidade jurídica. A responsabilização das pessoas físicas e jurídicas do grupo econômico não decorre do exercício de atividade mercantil, mas sim da simulação de tal atividade com o fito de ocultar o patrimônio das sociedades originalmente executadas.7. Os elementos constantes do caderno processual de origem apoiam a tese de formação de grupoeconômico, já que há fortes vínculos entre as empresas TERIVA SOLUCOES EM TECNOLOGIA LTDA(CNPJ 41.991.225/0001-34) e IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA. (CNPJ08.693.122/0001-12), inclusive com unidade de direção, figurando os Agravantes Paulo de Tarso Araujo Souza e Mario Wilson do Lago Junior como sócios de ambas as sociedades. Assim, a existência de intersecção nos quadros sociais das empresas em questão denota a efetiva formação do grupo econômico de fato. Além disso, do cotejo das atividades exercidas pelas sociedades empresariais, constata-se que atuam em ramo empresarial similar, o que corrobora a conclusão pela existência de um mesmo grupo econômico.8. Considerando-se que as evidências de administração sob unicidade gerencial e laboral apontam para a existência de confusão patrimonial a indicar que as empresas constituem grupo econômico de fato, bem como tendo em vista que a desconsideração da personalidade jurídica, quando preenchidos os seus requisitos, pode ser requerida a qualquer tempo, resta justificada a inclusão da empresa IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA. (CNPJ 08.693.122/0001-12) no polo passivo, de modo a responder pelos débitos. 9. Nesse contexto, não se vislumbram razões a recomendar a modificação do entendimento externado pelo douto juízo de primeiro grau.10. Agravo de Instrumento desprovido. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 181-185, e-STJ). Em suas razões de recurso especial, os recorrentes apontam ofensa aos artigos 1.022 do CPC e 50 do CC. Sustentam, em síntese: a) a nulidade do acórdão em razão de omissão acerca da alegação de supressão de instância no julgamento sobre o reconhecimento do grupo econômico; b) a inexatidão dos cálculos apresentados; c) o afastamento da desconsideração da personalidade jurídica e da configuração do grupo econômico, em razão da ausência de indícios de fraude, desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao agravo de fls. 294-314, e-STJ. Contraminuta às fls. 321-330, e-STJ. Em decisão singular (fls. 344-350, e-STJ), conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, ante: a) a ausência de negativa de prestação jurisdicional; b) a incidência da Súmula 7/STJ, pois a pretensão recursal no sentido de afastar o reconhecimento da confusão patrimonial e a desconsideração da personalidade jurídica exigiria o reexame de matéria fático-probatória. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 374-376, e-STJ). Daí o presente agravo interno (fls. 380-401, e-STJ), no qual a parte agravante repisa suas razões de recurso especial, sustentando a não incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Impugnação às fls. 405-414, e-STJ. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DOS AGRAVANTES. 1. Violação ao artigo 1.022 do CPC não configurada. Acórdão estadual que enfrentou todo s os aspectos essenciais à resolução da controvérsia de forma ampla e fundamentada, sem omissão ou obscuridade. Precedentes. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem no sentido de que ficou configurada a confusão patrimonial, determinando-se a desconsideração da personalidade jurídica, exige a incursão na seara probatória dos autos, o que não é permitido nesta instância especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pela agravante são incapazes de infirmar a decisão objurgada, motivo pelo qual merece ser mantida na íntegra por seus próprios fundamentos. 1. De início, verifica-se que a irresignação do recorrente se limita à questão da negativa de prestação jurisdicional e da incidência da Súmula 7/STJ, inexistindo insurgência quanto ao reconhecimento da incidência da Súmula 284/STF no ponto em que se alega inexatidão dos cálculos, por ausência de indicação do dispositivo federal supostamente violado, razão pela qual está preclusa a matéria. 2. Os agravantes repisam suas razões no sentido da violação ao art. 1.022 do CPC, ao argumento de deficiência na fundamentação em razão de omissão e obscuridade no acórdão recorrido, não sanadas quando do julgamento dos embargos de declaração. Sustenta que o acórdão fora omisso sobre a alegação de supressão de instância no julgamento acerca do reconhecimento do grupo econômico. Razão não lhe assiste, no ponto. Não se vislumbram os alegados vícios, pois o órgão julgador dirimiu a controvérsia de forma fundamentada, conforme se infere à fl. 182, e-STJ: Não merece prosperar também a alegação de existência de supressão de instância, uma vez que, para a se admitir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, é necessário que se faça o exame, ainda que preliminarmente, da existência de elementos que constituam indícios de haver grupo econômico de fato. Foi feita expressa menção à inocorrência de supressão de instância, pois, para se analisar a matéria recursal, era necessário o exame, ainda que preliminar, da existência de elementos que constituam indícios de haver grupo econômico de fato. Ademais, a orientação desta Corte é no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, nem a indicar todos os dispositivos legais suscitados, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio, como ocorrera na hipótese. Nesse sentido, confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. 1. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. .. 1. Não há ofensa ao art. 535 do CPC, pois o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. 2. O Tribunal de origem por ocasião do julgamento do recurso examinou as questões, embora de forma contrária à pretensão do recorrente, não existindo omissão a ser sanada. .. 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 627.146/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/10/2015, DJe 29/10/2015) grifou-se PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 535, 826 E 927 DO CPC. OMISSÃO. INEXISTENTE. JULGADO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. CONCLUSÃO FIRMADA COM BASE NA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚM. 7/STJ. DISSÍDIO INTERPRETATIVO. NÃO OBEDIÊNCIA AOS TERMOS REGIMENTAIS. REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não se configurou a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos aos autos pelas partes. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. .. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 498.536/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 16/09/2015) grifou-se Como se vê, não se vislumbra omissão ou obscuridade, porquanto o acórdão restou devida e suficientemente fundamentado sobre as questões necessárias ao deslinde da controvérsia, não havendo falar em ofensa aos referidos dispositivos. Na mesma linha, precedentes: AgRg no REsp 1291104/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 02/06/2016; AgRg no Ag 1252154/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 23/06/2015, DJe 30/06/2015; REsp 1395221/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2013, DJe 17/09/2013. Inexiste, portanto, violação ao artigo 1.022 do CPC, visto que a matéria fora apreciada pelo Tribunal de origem, cuja fundamentação foi clara e suficiente para o deslinde da controvérsia. 3. Também não merece prosperar a pretensão das agravantes de afastamento do óbice da Súmula 7/STJ no ponto em que alegam violação ao art. 50 do CC, sustentando o afastamento da desconsideração da personalidade jurídica e da configuração do grupo econômico, em razão da ausência de indícios de fraude, desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Nesse ponto, o aresto recorrido (fls. 140-142, e-STJ): Quando há confusão patrimonial entre as sociedades que compõem o grupo econômico e seus objetivos sociais são similares, essas empresas não constituem, a rigor, entidades com personalidade jurídica autônoma. Em casos assim, há uma ruptura da autonomia patrimonial e organizacional de cada pessoa jurídica, dando lugar a um conjunto de ativos e passivos que são transferidos livremente, segundo os interesses do grupo. Em tais circunstâncias, quem de fato atua como uma super-entidade, embora não formalmente constituída, é o próprio grupo econômico, e, por imposição da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, instituto previsto em vários dispositivos legais e de larga aplicação nos tribunais, todas as sociedades que compõem o agrupamento empresarial deverão responder pelas obrigações contraídas por cada uma delas, indistintamente. Ressalte-se que a responsabilização das pessoas físicas e jurídicas do grupo econômico não decorre do exercício de atividade mercantil, mas sim da simulação de tal atividade com o fito de ocultar o patrimônio das sociedades originalmente executadas. Os elementos constantes do caderno processual de origem apoiam a tese de formação de grupo econômico, já que há fortes vínculos entre as empresas TERIVA SOLUCOES EM TECNOLOGIA LTDA (CNPJ41.991.225/0001-34) e IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA. (CNPJ 08.693.122/0001-12),inclusive com unidade de direção, figurando os Agravantes Paulo de Tarso Araujo Souza e Mario Wilson do Lago Junior como sócios de ambas as sociedades. Assim, a existência de intersecção nos quadros sociais das empresas em questão denota a efetiva formação do grupo econômico de fato. Além disso, verifica-se das informações constantes no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ)que as empresas desempenham as seguintes atividades (Evento 183, anexos 9 e 10): .. . Do cotejo das atividades exercidas pelas sociedades empresariais, constata-se que atuam em ramo empresarial similar, o que corrobora a conclusão pela existência de um mesmo grupo econômico. Considerando-se que as evidências de administração sob unicidade gerencial e laboral apontam para a existência de confusão patrimonial a indicar que as empresas constituem grupo econômico de fato, bem como tendo em vista que a desconsideração da personalidade jurídica, quando preenchidos os seus requisitos, pode ser requerida a qualquer tempo, resta justificada a inclusão da empresa IDEIAS DAS COISAS SOLUÇÕES EMTECNOLOGIA LTDA. (CNPJ 08.693.122/0001-12) no polo passivo, de modo a responder pelos débitos. O Tribunal local, diante das peculiaridades do caso concreto e a partir da análise do conteúdo fático-probatório dos autos, concluiu que ficou configurada a confusão patrimonial, tendo em vista a intersecção nos quadros sociais, a atuação no mesmo ramo empresarial e a unidade de direção. Derruir as conclusões contidas no decisum e acolher a pretensão recursal ensejaria o necessário revolvimento das provas constantes dos autos, providência vedada em sede de recurso especial, ante o óbice estabelecido pela Súmula 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. DIREITO CIVIL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PRAZO PRESCRICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO POTESTATIVO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ANALÓGICA DO PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL. PRECEDENTES DESTA CORTE. PRESSUPOSTOS DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ART. 50 DO CC. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. As razões do agravo interno não enfrentam adequadamente o fundamento da decisão agravada. 2. O STJ já pacificou que a desconsideração da personalidade jurídica pode ser postulada a qualquer tempo, não se sujeitando a prazo prescricional. 3. De acordo com a jurisprudência desta Corte, para a aplicação da teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica (art. 50, CC), exige-se a demonstração do abuso da personalidade jurídica, caraterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. 4. O Tribunal de origem concluiu que houve confusão patrimonial, caracterizada por inúmeras alterações sociais com repasses de cotas, com o propósito de fraude a credores. 5. Rever os fundamentos do acórdão recorrido demandaria necessariamente o reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7 do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.810.456/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 30/6/2023.) grifou-se PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA TUTELA PROVISÓRIA. CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INCLUSÃO EM AÇÃO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL CONVOLADA EM FALÊNCIA. FUMUS BONI IURIS NÃO VERIFICADO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A concessão de tutela antecipada se condiciona à existência dos requisitos do periculum in mora e do fumus boni iuris. 2. Alterar a conclusão do acórdão recorrido quanto confusão patrimonial entre as empresas e abuso da personalidade jurídica, exigiria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial ante o óbice da Súmula n.º 7 do STJ, razão pela qual não se antevê a presença do fumus boni iuris, necessário para a concessão do efeito suspensivo. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no TP n. 4.213/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/6/2023, DJe de 7/6/2023.) grifou-se Inafastável, no ponto, o óbice da Súmula 7/STJ. 4. Do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.