AREsp 2817782 - DECISAO
O Tribunal conheceu do agravo mas não conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria no acórdão recorrido, nos termos da Súmula 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem apesar da oposição de embargos de declaração.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MATALUBE COMUNICACAO INTEGRADA LTDA.; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Quebra De Sigilo Bancário, Ônus Da Prova, Cerceamento De Defesa, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 211/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MATALUBE COMUNICACAO INTEGRADA LTDA.
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 violação aos arts. 369, 370 e 373, I, do CPC (alegada pelos recorrentes)
- 2 legalidade da quebra de sigilo bancário e requisitos da LC 105/01
- 3 ônus da prova e incidente de desconsideração da personalidade jurídica
Ratio Decidendi
O Tribunal conheceu do agravo mas não conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria no acórdão recorrido, nos termos da Súmula 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem apesar da oposição de embargos de declaração.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MATALUBE COMUNICACAO INTEGRADA LTDA. e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica rejeitado. Cerceamento de defesa reconhecido. Decisão modificada. Recurso parcialmente provido. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação aos arts. 369, 370 e e 373, I, do CPC, no que concerne à ilegalidade na decisão que determinou o retorno dos autos à origem para quebra de sigilo bancário para fins de análise dos requisitos do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, tendo em vista que se trata de medida excepcional a qual não está acobertada à presente situação, trazendo a seguinte argumentação: Com o máximo respeito ao entendimento dos D. Desembargadores, mas se mostra cristalina a violação aos artigos 369, 370 e 373, inciso I do CPC. Inicia-se aduzindo acerca da violação ao artigo 369 do CPC, na medida em que restou bem demonstrado, na r. decisão que rejeitou o IDPJ, acerca da ilegalidade na quebra do sigilo bancário das Recorrentes, pois medida de exceção: Contudo, ao acolher a tese do Recorrido e determinar o retorno do feito à origem para quebrar o sigilo bancário das Recorrentes, o v. acórdão flagrantemente viola o artigo 369 do CPC, eis que se mostra prova completamente ilegítima e de exceção, não podendo ser utilizada no caso em apreço. Neste sentido: .. Adicionalmente, primordial reconhecer a violação ao artigo 370 do CPC, pois o D. Juízo é o destinatário da prova, sendo certo que o Recorrido não desincumbiu do seu ônus mínimo (artigo 134, §4º do CPC), ao passo que o IDPJ foi muito bem rejeitado. Repise-se: o cerceamento de defesa alegado pelo Banco Recorrido veio calçado em evidente tentativa de obtenção de prova ilegal, isto é, tentativa de quebrar o sigilo bancário das Recorrentes, o que se mostra abusivo. E isso faz com que seja necessário reconhecer a violação ao artigo 373, inciso I do CPC, pois o v. acórdão simplesmente ignorou que o Recorrido não fez a mínima prova do fato constitutivo do seu direito que justificasse a desconsideração da personalidade jurídica. O que a instituição pretende, repita-se, é a obtenção de prova ilegal, a qual não pode ser autorizada por qualquer Tribunal Pátrio. .. Nos termos do art. 1º, § 4º, da LC 105/01, a quebra de sigilo pode ser decretada quando for necessária para a apuração da ocorrência de ilícito. O rol exemplificativo existente nos incisos I a IX do mencionado artigo demonstra que a quebra do sigilo bancário é feita quando presente interesse público, e não meramente privado, como no caso vertente, em que se busca a satisfação de dívida entre contratantes. Assim, e à luz da alegação genérica de transferência de dinheiro para laranjas (desacompanhada de elementos de materialidade da conduta), é inviável a quebra do sigilo bancário das Recorrentes. .. Consequentemente, restou bem decidido na origem que o D. Juízo é o destinatário da prova, sendo certo que a prova requerida pelo Recorrido se mostra ilegal e completamente abusiva, de modo que não desincumbiu do seu ônus probatório, tanto que ensejou a rejeição do IDPJ (fls. 157/160). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19.10.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29.8.2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º.3.2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.8.2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA