REsp 2200039 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não havia obscuridade na decisão embargada: o Tribunal de origem corretamente concluiu pela ausência de elementos que caracterizem abuso, desvio de finalidade ou confusão patrimonial, reconhecendo apenas indícios de encerramento irregular e insuficiência de bens,...
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- Parties
- Embargante: General Shopping Brasil Administração e Serviços Ltda.; Empresa Executada: André Games
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Rejeitados os embargos de declaração.
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Agravo De Instrumento, Art. 50 Do Código Civil
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Parties
General Shopping Brasil Administração e Serviços Ltda.
Embargante
André Games
Empresa Executada
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 7 do STJ
- 2 requisitos para desconsideração da personalidade jurídica
- 3 insuficiência de bens penhoráveis ou encerramento irregular como fundamento para desconsideração
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não havia obscuridade na decisão embargada: o Tribunal de origem corretamente concluiu pela ausência de elementos que caracterizem abuso, desvio de finalidade ou confusão patrimonial, reconhecendo apenas indícios de encerramento irregular e insuficiência de bens, circunstâncias insuficientes para desconsideração da personalidade jurídica; rever tais conclusões demandaria reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7 do STJ, e a decisão está em conformidade com a jurisprudência consolidada (Súmula 83).
Court Disposition
Rejeitados os embargos de declaração.
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos em face da decisão de fls. 110/113, por meio da qual não conheci do recurso especial interposto por General Shopping Brasil Administração e Serviços Ltda., com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, em agravo de instrumento, negou provimento ao seu pedido de desconsideração da personalidade jurídica, mantendo a decisão que indeferiu o redirecionamento da execução aos sócios da empresa devedora, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO - Desconsideração da personalidade jurídica - Rejeição liminar - Fatos narrados que não constituem abuso de direito, desvio de finalidade ou confusão patrimonial - Inexistência de bens penhoráveis e indício de encerramento irregular que não é suficiente para a desconsideração - Decisão mantida. Agravo de instrumento não provido. Em seus embargos, a parte alega obscuridade em relação à incidência da Súmula 7 do STJ, sustentando que a sua pretensão "esta" pautada exclusivamente em argumentos juri"dicos, a qual demonstra expressamente a violaça o ao artigo 50 do Co"digo Civil". Alega que "restringir a execuça o ao patrimo nio da pessoa juri"dica, que na o possui bens aptos a" satisfaça o do cre"dito exequendo, significa, na pra"tica, negar o direito constitui"do pelo ti"tulo judicial". Impugnação aos embargos de declaração não apresentada (cf. certidão de fl. 127). Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existente no julgado, o que não se verifica na hipótese. Com efeito, não se sustenta a alegação de que a decisão embargada teria sido obscura com relação à incidência da Súmula 7 ao caso. Na hipótese dos autos, como demonstrado na decisão embargada, o Tribunal de origem destacou que não existem indícios comprovados de ocultação de patrimônio ou mesmo que tenha havido abuso de personalidade jurídica da empresa executada. De acordo com o acórdão recorrido, há apenas indícios de encerramento irregular, o que não autorizaria, isoladamente, a desconsideração da personalidade jurídica. A propósito: Embora existam indícios de encerramento irregular de André Games, o exequente não narrou fatos que permitam concluir que as pessoas físicas sócias tenham se utilizado da empresa como meio para o abuso de direito, o desvio de finalidade ou eventual fraude. Não há qualquer elemento que sugira ocultação do patrimônio da executada. A simples alegação de insuficiência de bens ou encerramento das atividades não autoriza a aplicação de instituto excepcional como a desconsideração da personalidade jurídica. A respeito do tema, a jurisprudência desta Corte Superior tem entendimento de que o mero encerramento irregular da empresa ou mesmo a ausência de bens penhoráveis não são suficientes para autorizar a desconsideração da personalidade jurídica, sendo necessários outros elementos para caracterizar o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDE JURIDICA. REQUISITOS. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A mera inexistência de bens penhoráveis ou eventual encerramento irregular das atividades da empresa não enseja a desconsideração da personalidade jurídica (AgInt no AREsp n. 2.617.684/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 2/10/2024). 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.130.634/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDE JURIDICA. REQUISITOS. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A mera inexistência de bens penhoráveis ou eventual encerramento irregular das atividades da empresa não enseja a desconsideração da personalidade jurídica (AgInt no AREsp n. 2.617.684/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 2/10/2024). 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.585.549/SE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PERSONALIDADE JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO. VIOLAÇÃO DA LEI. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DISPOSITIVO LEGAL. INDICAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 284/STF. ENCERRAMENTO IRREGULAR. AUSÊNCIA DE BENS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS N. 7 E 83/STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. "Nos recursos de fundamentação vinculada, como é o caso de recurso especial, a simples demonstração de insatisfação não possibilita o reexame da questão" (REsp 159204/ES, Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, unânime, DJ 13/12/1999 p. 151). 2. "A teoria da desconsideração da personalidade jurídica, medida excepcional prevista no art. 50 do Código Civil, pressupõe a ocorrência de abusos da sociedade, advindos do desvio de finalidade ou da demonstração de confusão patrimonial. A mera inexistência de bens penhoráveis ou eventual encerramento irregular das atividades da empresa não enseja a desconsideração da personalidade jurídica" (AgInt no AREsp n. 924.641/SP, Quarta Turma). 3. Incidência, na hipótese, dos verbetes n. 7 e 83 da Súmula desta Casa. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.331.292/MS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 1/7/2024, DJe de 3/7/2024.) Além disso, vale destacar que a mera existência de grupo econômico, como alega o embargante, não é suficiente para autorizar a desconsideração, sendo necessária a comprovação dos requisitos legais para o deferimento do incidente. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EMPRESA FILIAL NO BRASIL. ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES. AUSÊNCIA DE PATRIMÔNIO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA ATRAIR AO POLO PASSIVO AS EMPRESAS SÓCIAS PERTENCENTES A GRUPO EMPRESARIAL TRANSNACIONAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÕES. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL ESTADUAL PARA ESCLARECER A CONFUSÃO PATRIMONIAL E DESVIO DE FINALIDADE COM INTUITO DE FRAUDAR CREDORES. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput do artigo 50 do CC/2002 não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. 2. Até por estar o interesse individual de uma empresa subordinado ao interesse geral de todo o complexo de empresas agrupadas, inevitável a transferência de ativos de uma sociedade a outra, ou uma distribuição proporcional de custos e prejuízos entre todas, devendo ser chamada a responder a controlada por atos da controladora, ou vice-versa, quando verificada a prática de confusão propositada de patrimônios. 3. A minudência na análise dos atos dolosos dos sócios e ensejadores da má utilização do véu corporativo com escopo de lesar credores tem sido reputada relevante nos processos de desconsideração da personalidade jurídica, especialmente pela adoção da teoria maior da desconsideração pelo legislador pátrio, no art. 50 do CC/2002, com alterações da Lei nº 13.874, de 2019. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.347.929/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) Assim, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu em conformidade com a orientação adotada por esta Corte Superior, motivo pelo qual incide, no caso, a Súmula 83 do STJ, como indicado na decisão embargada. Além disso, rever as conclusões do acórdão recorrido, no que se refere à ausência de demonstração da confusão patrimonial e do desvio de finalidade, demandaria, necessariamente, o reexame de fato e provas, providência vedada pela Súmula 7 deste STJ. No ponto, registre-se que a decisão embargada foi clara quanto à incidência da Súmula 7 do STJ ao caso, tendo em vista a necessidade de reexaminar fatos e provas dos autos para aferir o cumprimento dos requisitos de desconsideração da personalidade jurídica. Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração. Intimem-se. EMENTA