REsp 2161837 - DECISAO
Foi dado provimento ao recurso especial para corrigir o erro material na data de constituição da NATELI LTDA. (20/8/2001) e para reconhecer o cabimento de honorários advocatícios em favor da parte vencedora no incidente de desconsideração da personalidade jurídica, fixando-os em 10% do proveito econômico obtido, por...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: NATÁLIA AMADEU LANDSBERGER GLIK; Recorrente: NATELI LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decidido (provimento Concedido)
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Honorários Advocatícios De Sucumbência, Erro Material, Incidente De Desconsideração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NATÁLIA AMADEU LANDSBERGER GLIK
Recorrente
NATELI LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decidido (provimento Concedido)
Legal Issues
- 1 correção de erro material na data de constituição da empresa NATELI LTDA.
- 2 cabimento de honorários advocatícios em incidente de desconsideração da personalidade jurídica
- 3 fixação do percentual mínimo de honorários (10%) nos termos do Tema 1.076 e do art.85 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Foi dado provimento ao recurso especial para corrigir o erro material na data de constituição da NATELI LTDA. (20/8/2001) e para reconhecer o cabimento de honorários advocatícios em favor da parte vencedora no incidente de desconsideração da personalidade jurídica, fixando-os em 10% do proveito econômico obtido, por se tratar de demanda incidental com conteúdo econômico não inestimável e em observância à jurisprudência do STJ (Tema 1.076 e REsp 2.072.206/SP).
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Corrigir erro material: data de constituição da NATELI LTDA. é 20/8/2001.
- Fixar honorários advocatícios em 10% do proveito econômico obtido.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por NATÁLIA AMADEU LANDSBERGER GLIK e NATELI LTDA. contra acórdão da Décima Sétima Câmara de Direito Privado do TJSP, assim ementado (fl. 299): AGRAVO DE INSTRUMENTO - Incidente de desconsideração da personalidade jurídica - Abuso da personalidade jurídica - Não caracterizado - Inexistência de confusão patrimonial ou desvio de finalidade - Requisitos estampados no art. 50, CC/02 - Transações imobiliárias impugnadas que ocorreram em datas anteriores á constituição da dívida - Blindagem patrimonial ilícita - Não verificada - Decisão que deferiu a desconsideração reformada - Recurso provido. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 440-444). Nas razões do recurso especial (fls. 447-463), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação dos seguintes dispositivos de lei: (a) art. 1.022 do CPC/2015, porque, apesar da oposição de embargos de declaração, o Tribunal de origem não teria sanado o erro material acerca da data de constituição da segunda recorrente, nem a omissão acerca da tese de necessidade de arbitramento de honorários de sucumbência, e (b) arts. 85, caput e §§ 8º e 8º-A, e 322, § 1º, do CPC/2015, porquanto tendo obtido sucesso no afastamento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica, seria de rigor o arbitramento de honorários. Sustenta que, segundo entendimento do STJ, "os honorários devem ser arbitrados em no mínimo 10% (dez por cento) do valor da causa ou do proveito econômico, sendo permitida a fixação fora deste parâmetro quando o proveito econômico for irrisório ou o valor da causa for muito baixo (Tema 1.076)". Alega que, "tendo o E. TJSP revertido o entendimento do magistrado singular, através de recurso interposto pelas Recorrentes, resta inconteste que a fixação de honorários de sucumbência se trata de pedido implícito, não impedindo a fixação pelo Poder Judiciário" (fl. 457). Indicou julgado do STJ, a fim de demonstrar a divergência de entendimentos. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 504-515). Admitido o recurso na origem, foi determinada a subida dos autos a esta Corte para apreciação do especial (fls. 516-518). É o relatório. Decido. De início, verifico que, realmente, o Tribunal de origem rejeitou os embargos de declaração sem se pronunciar sobre os vícios apontados no recurso integrativo. Entretanto, tendo a parte recorrente, nas razões do especial, alegado violação do art. 1.022 do CPC/2015, reconheço o prequestionamento ficto da matéria, nos termos do que dispõe o art. 1.025 do CPC/2015. No que diz respeito ao suposto erro material em relação à data de constituição da empresa NATELI LTDA., com razão as recorrentes. Nos termos da jurisprudência desta Corte, erro material é "o reconhecido primu ictu oculi, consistente em equívocos materiais sem conteúdo decisório propriamente dito, como a troca de uma legislação por outra, a consideração de data inexistente no processo ou uma inexatidão numérica" (REsp 1.021.841/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 7/10/2008, DJe 4/11/2008). No caso, o TJSP assim se pronunciou (fl. 301): A desconsiderada Nateli Ltda foi constituída em 20.08.2021, conforme documentos de fls. 176 e seguintes e 218/220. Ocorre que a data constante nos documentos de fls. 176 e 218/220 - citados no acórdão - é 20/8/2001, como alegado pela parte, e não "2021" como constou. Assim, a referida inexatidão material merece ser corrigida. Em relação aos honorários de sucumbência, a Corte Especial do STJ firmou entendimento de que é devida a condenação da parte vencida no pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais em sede de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, que tem natureza de demanda incidental: RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. NATUREZA JURÍDICA DE DEMANDA INCIDENTAL. LITIGIOSIDADE. EXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. FIXAÇÃO. CABIMENTO. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. SUPERAÇÃO. 1. A controvérsia dos autos está em verificar se é possível a fixação de honorários advocatícios na hipótese de rejeição do pedido formulado em incidente de desconsideração da personalidade jurídica. 2. Apesar da denominação utilizada pelo legislador, o procedimento de desconsideração da personalidade jurídica tem natureza jurídica de demanda incidental, com partes, causa de pedir e pedido. 3. O indeferimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica, tendo como resultado a não inclusão do sócio (ou da empresa) no polo passivo da lide, dá ensejo à fixação de verba honorária em favor do advogado de quem foi indevidamente chamado a litigar em juízo. 4. Recurso especial não provido. (REsp n. 2.072.206/SP, relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, CORTE ESPECIAL, julgado em 13/2/2025, DJEN de 12/3/2025.) É de ver, portanto, que o acórdão recorrido está em desacordo com a jurisprudência desta Corte, devendo ser reformado. Para o arbitramento da verba, o mesmo Órgão Colegiado, em sede de recurso especial repetitivo, firmou as seguintes teses no âmbito do Tema n. 1.076: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. O objeto da execução em que tirado este incidente não é inestimável para se lhe aplicar o disposto no art. 85, § 8º. A causa tem indubitável conteúdo econômico, qual seja o valor reivindicado pela credora-agravada, e a parte ora agravante poderia ter bens expropriados em montante equivalente, se acaso incluído no polo passivo do feito executivo. Nesses termos, é caso de incidência da norma prevista no § 2º do antes referido dispositivo: § 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. Sendo assim, a verba sucumbencial deferida aos patronos da parte agravante deve ser fixada dentro dos limites percentuais indicados no referido dispositivo, incidentes sobre o valor da execução, que retrata o proveito econômico da demanda incidental. Em razão do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para (a) corrigir o erro material constante no acórdão recorrido, consignando que a data de constituição da empresa NATELI LTDA. é 20/8/2001, e (b) fixar o valor dos honorários advocatícios no equivalente a 10% (dez por cento) do proveito econômico obtido, nos termos da fundamentação. Publique-se e intimem-se. EMENTA