AREsp 2950246 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque não houve comprovação de justa causa relativa à doença do advogado (ausência de impossibilidade total de atuação ou de substabelecimento), a citação por WhatsApp foi considerada válida por ter alcançado sua finalidade (mensagem visualizada), e a desconsideração da personalidade...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- negou provimento ao agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Justa Causa Por Doença Do Advogado, Validade Da Citação Por Aplicativo De Mensagens (whats App), Intempestividade De Recurso, Cerceamento De Defesa, Honorários No Incidente De Desconsideração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Se a doença do advogado constitui justa causa para prorrogação de prazo processual
- 2 Se a citação realizada por aplicativo de mensagens (WhatsApp) é válida
- 3 Se estão presentes os requisitos do art. 50 do Código Civil para desconsideração da personalidade jurídica (desvio de finalidade ou confusão patrimonial)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque não houve comprovação de justa causa relativa à doença do advogado (ausência de impossibilidade total de atuação ou de substabelecimento), a citação por WhatsApp foi considerada válida por ter alcançado sua finalidade (mensagem visualizada), e a desconsideração da personalidade jurídica foi mantida por fundamentação concreta de confusão patrimonial nos termos do art. 50 do Código Civil; ainda, o reexame de provas fáticas é vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
negou provimento ao agravo em recurso especial
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. A ALEGAÇÃO DE QUE O PROCURADOR DO AGRAVANTE TERIA SIDO ACOMETIDO DE MOLÉSTIA QUE O IMPEDIU DE OPOR A CONTESTAÇÃO DENTRO DO PRAZO LEGAL NÃO CONSTITUI JUSTA CAUSA PARA SUA REABERTURA, POIS O ATESTADO MÉDICO ACOSTADO REFERE-SE À IMPOSSIBILIDADE DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES LABORATIVAS QUANDO JÁ INICIADA A FLUÊNCIA DO PRAZO. NOS TERMOS DO ART. 50, DO CÓDIGO CIVIL, A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, COM O DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO PARA OS SÓCIOS, É MEDIDA EXCEPCIONAL QUE SOMENTE PODE SER DETERMINADA QUANDO CARACTERIZADO O DESVIO DE FINALIDADE OU A CONFUSÃO PATRIMONIAL. SENDO ESSE O CASO DOS AUTOS, MERECE SER MANTIDA A DECISÃO RECORRIDA. REVENDO ANTERIOR POSICIONAMENTO, NÃO SE MOSTRA POSSÍVEL A FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, POR AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL, CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Alegou-se, no especial, violação dos artigos 223, 280, 370, 371, 141 e 492 do Código de Processo Civil sob os argumentos deu que a doença do advogado constitui justa causa para a prorrogação de prazo processual, que a citação no caso dos autos é inválida e que houve cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova produzida e julgamento extra petita. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. A alegação de julgamento ultra/extra petita não foi examinada pelo Tribunal local, a despeito da oposição de embargos de declaração, os quais, de qualquer modo, não levantaram a questão. Invencível, pois, a atração dos enunciados n. 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e 211 desta Corte. No que toca à alegação de justa causa para a prorrogação de prazo processual, esta Corte tem entendimento de que a doença do advogado só constitui motivo suficiente de se impossibilitar a atuação ou substabelecimento. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. ATESTADO MÉDICO. JUSTA CAUSA. NÃO COMPROVAÇÃO. 1. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que "a doença que acomete o advogado somente se caracteriza como justa causa, a ensejar a devolução do prazo, quando o impossibilita totalmente de exercer a profissão ou de substabelecer o mandato" (EDcl no AREsp n. 225.773/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, DJe de 28/3/2014). 2. No caso, apesar de apresentado atestado médico, não há comprovação de que o advogado estava totalmente impossibilitado de exercer suas funções ou, principalmente, de substabelecer os poderes durante o prazo recursal. 3. Incidência das Súmulas 7 e 83/STJ. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido. (AREsp n. 2.743.359/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025, DJEN de 5/5/2025.) O Tribunal local concluiu que "não há nos autos, prova alguma, de que o subscritor da peça tenha demonstrado a sua impossibilidade de substabelecer ou comunicar de que estava impossibilitado para trabalhar na sua defesa" (e-STJ, fl. 92), de modo que o julgamento da causa atrai os verbetes n. 7 e 83 da Súmula desta Corte. A respeito da alegada nulidade de citação, a Corte de origem registrou que as diligências foram realizadas no endereço da parte e que houve visualização da mensagem enviada ao telefone celular do recorrente por aplicativo de mensagem. Leia-se: "(..) não há falar em nulidade da citação, pois as diligências foram efetuadas nos endereços pertencentes ao agravante. Acrescento ainda, que o duplo sinal azul na mensagem enviada pelo Whatsapp evidencia que esta foi visualizada" (e-STJ, fl. 92). Se, portanto, o ato atingiu sua finalidade, se não há falar em nulidade. Veja-se: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VALIDADE DA CITAÇÃO POR APLICATIVOS DE MENSAGENS. DESCONSTITUIÇÃO DAS CONCLUSÕES ALCANÇADAS PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto contra decisão que validou a citação realizada por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp, após tentativa frustrada de citação pessoal, com base na Portaria TJDFT GC n. 34/2021. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se a citação realizada por meio do aplicativo WhatsApp, após tentativa frustrada de citação pessoal, é válida, considerando a ciência inequívoca do ato processual pela parte citada. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A citação por WhatsApp é considerada válida nas circunstâncias do caso concreto, pois cumpre sua finalidade de dar ciência inequívoca à parte requerida, conforme já decidiu o STJ. 4. A certidão do oficial de justiça, que atestou a ciência da parte citada, possui fé pública, não havendo prova em contrário que desconstitua sua veracidade. 5. A modificação das premissas fáticas do acórdão recorrido demandaria reexame de provas, o que é vedado em recurso especial, conforme Súmula 7/STJ. IV. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (AgInt no AREsp n. 2.713.420/DF, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, julgado em 17/2/2025, DJEN de 20/2/2025.) Mais uma vez, portanto, incidem os verbetes n. 7 e 83 da Súmula desta Casa. Em relação, por fim, à alegação de cerceamento de defesa, é sabido que o reexame da questão esbarra nas disposições do enunciado n. 7 da Súmula desta Casa. O recorrente, ademais, vai contra o entendimento da Corte local no sentido de que "a situação descrita nos autos revela a ocorrência de confusão patrimonial e desvio de finalidade, uma vez que o grupo econômico tem se utilizado da criação de novas sociedades empresariais com o objetivo de evitar os credores. Isso justifica a desconsideração da personalidade jurídica, conforme o artigo 50 do Código Civil" (e-STJ, fl. 94). Se, portanto, se concluiu pela ocorrência de confusão patrimonial, a desconsideração da personalidade jurídica é admissível pelo direito. A saber: PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. SUCESSÃO IRREGULR DE EMPRESAS E CONFUSÃO PATRIMONIAL. DEMONSTRAÇÃO DO ART. 50 DO CÓDIGO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos do art. 50 do Código Civil é cabível a desconsideração da personalidade jurídica, estendendo aos sócios ou administradores a responsabilidade pelo adimplemento de suas obrigações, se demonstrado que a personalidade jurídica fora utilizada para fins escusos ou diversos daqueles para os quais outrora constituída, ou quando se verificar a confusão entre o patrimônio da pessoa jurídica e dos sócios. 2. No caso dos autos, o Tribunal estadual, mediante fundamentação concreta, concluiu que ficou constatada a confusão patrimonial e sucessão irregular entre a devedora originária e outra empresa e, portanto, concluiu pela desconsideração da empresa originária, com a inclusão de seus sócios e da sucessora. 3. Alterar tal entendimento demandaria reexame fático-probatório, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ. 4. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial. (AREsp n. 2.796.630/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 17/3/2025, DJEN de 20/3/2025.) Também neste pont o incidem, portanto, os enunciados sumulares acima. Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Intimem-se. EMENTA