AREsp 2660277 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a inexistência de prova do abuso da personalidade jurídica, e a revisão dessa conclusão implicaria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula nº 7/STJ; assim,...
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- Parties
- Agravante: BANCO SAFRA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento Pela Terceira Turma
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Teoria Inversa, Negação De Prestação Jurisdicional, Reexame De Provas, Súmula 7/stj, Honorários Sucumbenciais
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Parties
BANCO SAFRA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento Pela Terceira Turma
Legal Issues
- 1 Houve negativa de prestação jurisdicional?
- 2 Estão presentes os requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica (teoria inversa)?
- 3 É possível o reexame do conjunto fático-probatório no recurso especial?
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a inexistência de prova do abuso da personalidade jurídica, e a revisão dessa conclusão implicaria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula nº 7/STJ; assim, não se configurou negativa de prestação jurisdicional e restou prejudicada a análise pela alínea c devido aos mesmos óbices de admissibilidade.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
- Não cabe majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, por origem em decisão interlocutória.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/10/2025 a 27/10/2025, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA INVERSA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ABUSO. PERSONALIDADE JURÍDICA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REEXAME. PROVAS. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS Nº 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, mesmo que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese. 2. O recurso especial é inviável quando a modificação do acórdão recorrido demanda o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. 3. No caso, o acórdão recorrido concluiu pela ausência de prova do abuso da personalidade jurídica executada. Logo, rever a conclusão do tribunal local demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, consoante disposto na Súmula nº 7/STJ. 4. É firme o entendimento do STJ no sentido de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso interposto pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea "c", ficando prejudicado o exame do dissídio. 5. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por BANCO SAFRA S.A. contra a decisão que inadmitiu o recurso especial. O apelo nobre, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional desafia acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "EMENTA: EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL - Desconsideração da personalidade jurídica - Incidente rejeitado - Ausência de demonstração suficiente de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial - Negado provimento ao agravo" (e-STJ fl. 22). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 50/53). Em suas razões recursais (e-STJ fls. 56/70), o recorrente aponta violação dos arts. 1.022 do Código de Processo Civil e 50 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que: i) o Tribunal de origem negou a completa prestação jurisdicional; e ii) estão presentes os requisitos para o deferimento da desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresarial recorrida na hipótese considerada. Após a juntada das contrarrazões (e-STJ fls. 147/159), o recurso especial não foi admitido na origem (e-STJ fls. 118/121), ensejando a interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA INVERSA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ABUSO. PERSONALIDADE JURÍDICA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REEXAME. PROVAS. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS Nº 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, mesmo que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese. 2. O recurso especial é inviável quando a modificação do acórdão recorrido demanda o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. 3. No caso, o acórdão recorrido concluiu pela ausência de prova do abuso da personalidade jurídica executada. Logo, rever a conclusão do tribunal local demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, consoante disposto na Súmula nº 7/STJ. 4. É firme o entendimento do STJ no sentido de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso interposto pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea "c", ficando prejudicado o exame do dissídio. 5. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. Inicialmente, registra-se que, ao contrário do alegado, o Tribunal de origem se pronunciou, de forma completa e motivada, acerca da ausência dos requisitos necessários para a desconsideração da personalidade jurídica na hipótese, conforme se extrai do seguinte excerto do acórdão recorrido: "(..) Os elementos trazidos aos autos não têm o condão de firmar entendimento pela presença dos requisitos necessários à excepcional providência postulada pelo exeqüente, que ampara seu pleito no comprometimento do patrimônio da parte executada frente à solvência do crédito buscado na execução, argumento este que não lhe favorece. Há que se provar, no caso, o uso abusivo da personalidade jurídica, ônus do qual o exequente não se desincumbiu. Todavia, o que se vê são alegações genéricas e sem maiores aprofundamentos de abuso da personalidade jurídica da executada, inexistindo por ora, quaisquer dos requisitos autorizadores da aplicação da teoria amparada pelo art. 50 do Código Civil. Inafastável, assim, era o indeferimento do pleito de desconsideração da personalidade jurídica, porquanto a medida em questão se reveste de caráter excepcional e, como tal, só deve decretada mediante demonstração robusta dos requisitos ensejadores, o que inocorreu" (e-STJ fls. 30/31 - grifou-se). Como se sabe, cabe ao julgador apreciar os fatos e as provas da demanda segundo seu livre convencimento, declarando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos que o levaram a solucionar a lide. Desse modo, o não acolhimento das teses ventiladas pelo recorrente não significa omissão ou deficiência de fundamentação da decisão, ainda mais quando o aresto aborda todos os pontos relevantes da controvérsia, como na espécie. Nesse sentindo: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE PROCESSUAL. DECISÃO QUE DEFERIU O PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA EXECUTADA. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. TEORIA MENOR. OBSTÁCULO AO RESSARCIMENTO DOS DANOS CAUSADOS AOS CONSUMIDORES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS CONSTATADOS. REVISÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. PENHORA SOBRE SALDO DE PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. POSSIBILIDADE. NÃO UTILIZAÇÃO PARA FINS ALIMENTARES. REVISÃO. NECESSIDADE DE INCURSÃO NO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. ANÁLISE CASUÍSTICA. NÃO OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ocorre negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, todas as questões que lhe foram submetidas, ainda que tenha decidido contrariamente à pretensão da parte. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que não há se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. 2.(..)" (AgInt no AREsp 2.205.438/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023). Do mesmo modo, tendo o acórdão recorrido apontado a ausência de prova do abuso da personalidade jurídica executada, rever a conclusão do tribunal local demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, consoante disposto na Súmula nº 7/STJ. Cumpre ainda observar que, consoante iterativa jurisprudência desta Corte, "os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica" (AgInt no AREsp 1.787.839/SC, Relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023). Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. É o voto.