EREsp 1889340 - DECISAO
O Tribunal concluiu que, por confrontar entendimento jurisprudencial pacificado de que o redirecionamento fora das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN e quando o nome não consta na CDA depende da comprovação de abuso da personalidade, tornou-se necessária a instauração do incidente de desconsideração da...
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- Parties
- Recorrente: Alluciny Comércio de Cosméticos - Eireli; Recorrido: Tribunal Regional Federal da 4ª Região
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 February 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Provimento
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Incidente De Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Grupo Econômico, Execução Fiscal, Responsabilidade Tributária
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Parties
Alluciny Comércio de Cosméticos - Eireli
Recorrente
Tribunal Regional Federal da 4ª Região
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Provimento
Legal Issues
- 1 Necessidade de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) para redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica integrante do mesmo grupo econômico
- 2 Compatibilidade do IDPJ com a execução fiscal
- 3 Prova do abuso de personalidade (desvio de finalidade ou confusão patrimonial) como requisito para desconsideração fora das hipóteses do CTN
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que, por confrontar entendimento jurisprudencial pacificado de que o redirecionamento fora das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN e quando o nome não consta na CDA depende da comprovação de abuso da personalidade, tornou-se necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica antes de decidir sobre o redirecionamento; assim o recurso especial foi provido para determinar o retorno dos autos e a instauração do incidente.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que ordene a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica antes de decidir sobre o redirecionamento da execução fiscal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado por Alluciny Comércio de Cosméticos - Eireli com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 67): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DESNECESSIDADE. 1. Para o reconhecimento de grupo econômico em execução fiscal de dívida tributária é desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica e, por consequência, a distribuição do incidente previsto nos artigos 133 a 137 do Código de Processo Civil. 2. Conquanto a fundamentação da decisão agravada contenha remissão ao artigo 50 do Código Civil, ela tem como fundamento o artigo 124, I do CTN. Mostra-se cabível, portanto, a aplicação do referido entendimento. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 100/107). Nas razões do recurso especial, a recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 50 do CC; 133 a 137 do CPC/2015. Sustenta, em síntese, que "para que ocorra o redirecionamento de uma execução fiscal em razão da existência de indícios que configurariam grupo econômico, deve ser instaurado incidente de desconsideração da personalidade jurídica, forte nos arts. 133 a 137 do Código de Processo Civil, o que não ocorreu no presente caso" (fl. 144). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação prospera. A controvérsia reside na necessidade ou não de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica para redirecionar execução fiscal a pessoa jurídica integrante do mesmo grupo econômico da sociedade empresária originalmente devedora. Sobre o tema, a Primeira Turma desta Corte Superior firmou o entendimento no sentido de que o redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que integra o mesmo grupo econômico da sociedade empresária originalmente executada, mas que não foi identificada no ato de lançamento (nome na CDA) ou que não se enquadra nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN, depende da comprovação do abuso de personalidade, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial, tal como consta do art. 50 do Código Civil, daí porque, nesse caso, é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica devedora. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO A PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO "DE FATO". INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CASO CONCRETO. NECESSIDADE. 1. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica (art. 133 do CPC/2015) não se instaura no processo executivo fiscal nos casos em que a Fazenda exequente pretende alcançar pessoa jurídica distinta daquela contra a qual, originalmente, foi ajuizada a execução, mas cujo nome consta na Certidão de Dívida Ativa, após regular procedimento administrativo, ou, mesmo o nome não estando no título executivo, o fisco demonstre a responsabilidade, na qualidade de terceiro, em consonância com os artigos 134 e 135 do CTN. 2. Às exceções da prévia previsão em lei sobre a responsabilidade de terceiros e do abuso de personalidade jurídica, o só fato de integrar grupo econômico não torna uma pessoa jurídica responsável pelos tributos inadimplidos pelas outras. 3. O redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que integra o mesmo grupo econômico da sociedade empresária originalmente executada, mas que não foi identificada no ato de lançamento (nome na CDA) ou que não se enquadra nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN, depende da comprovação do abuso de personalidade, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial, tal como consta do art. 50 do Código Civil, daí porque, nesse caso, é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica devedora. 4. Hipótese em que o TRF4, na vigência do CPC/2015, preocupou-se em aferir os elementos que entendeu necessários à caracterização, de fato, do grupo econômico e, entendendo presentes, concluiu pela solidariedade das pessoas jurídicas, fazendo menção à legislação trabalhista e à Lei n. 8.212/1991, dispensando a instauração do incidente, por compreendê-lo incabível nas execuções fiscais, decisão que merece ser cassada. 5. Recurso especial da sociedade empresária provido. (REsp 1.775.269/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 1/3/2019). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - IDPJ. ARTS. 133 A 137 DO CPC/2015. EXECUÇÃO FISCAL. CABIMENTO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAS NORMAS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo Civil de 2015. II - A instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica - IDPJ, em sede de execução fiscal, para a cobrança de crédito tributário, revela-se excepcionalmente cabível diante da: (i) relação de complementariedade entre a LEF e o CPC/2015, e não de especialidade excludente; e (ii) previsão expressa do art. 134 do CPC quanto ao cabimento do incidente nas execuções fundadas em títulos executivos extrajudiciais. III - O IDPJ mostra-se viável quando uma das partes na ação executiva pretende que o crédito seja cobrado de quem não figure na CDA e não exista demonstração efetiva da responsabilidade tributária em sentido estrito, assim entendida aquela fundada nos arts. 134 e 135 do CTN. Precedentes. IV - Equivocado o entendimento fixado no acórdão recorrido, que reconheceu a incompatibilidade total do IDPJ com a execução fiscal. V - Recurso Especial conhecido e parcialmente provido para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo para o reexame do agravo de instrumento com base na fundamentação ora adotada. (REsp 1.804.913/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 2/10/2020). Na espécie, o acórdão regional compreendeu pela desnecessidade de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica fora das hipóteses acima elencadas (responsabilidade tributária prevista nos arts. 134 e 135 do CTN, e quando o nome do devedor não consta na CDA). Por estar em desconformidade com o entendimento jurisprudencial acima demonstrado, merece reparos o acórdão recorrido. ANTE O EXPOSTO, dou provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que ordene a instauração do incidente de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica antes de decidir a pretensão atinente ao redirecionamento. Publique-se.