AREsp 2870544 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque as instâncias ordinárias consignaram que estavam presentes os requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica em relação de consumo (a personalidade jurídica representava obstáculo ao ressarcimento e havia confusão patrimonial), e o reexame desses fatos e provas é...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial (negado)
- Outcome
- Agravo em recurso especial negado provimento
- Legal Topics
- Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Teoria Menor Da Desconsideração, Ressarcimento Ao Consumidor, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Impenhorabilidade Lei 8.009/90
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial (negado)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em relações de consumo
- 2 Alegação de cerceamento de defesa e sua apreciação pelas instâncias ordinárias
- 3 Aplicabilidade dos arts. 1.024 e 1.052 do Código Civil quando há desconsideração da personalidade
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque as instâncias ordinárias consignaram que estavam presentes os requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica em relação de consumo (a personalidade jurídica representava obstáculo ao ressarcimento e havia confusão patrimonial), e o reexame desses fatos e provas é vedado pela Súmula 7 do STJ. Ademais, a alegação de cerceamento de defesa não foi objeto de apreciação pelo Tribunal local, sujeitando-se às Súmulas 282 do STF e 211 do STJ, e os arts. 1.024 e 1.052 do Código Civil não se aplicam quando a personalidade foi desconsiderada, pois o patrimônio do sócio e da sociedade é considerado um só.
Court Disposition
Agravo em recurso especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: Promessa de compra e venda. Ação de rescisão contratual c. c. restituição de valores pagos. Tratando-se de relação submetida ao regramento consumerista, é possível a desconsideração da personalidade jurídica sempre que, de alguma forma, representar obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores, ou seja, quando for insuficiente o patrimônio da pessoa jurídica, independentemente de prova do abuso da personalidade, má gestão, desvio de função ou confusão patrimonial. Exegese do art. 28, § 5º, CDC. Precedentes do C. Superior Tribunal de Justiça e deste E. Tribunal de Justiça. Recurso improvido. Alegou-se, no especial, violação dos artigos 369 do Código de Processo Civil, 49-A, 50, 1.024 e 1.052 do Código Civil e 28 do Código de Defesa do Consumidor, associada a dissídio jurisprudencial, sob os argumentos de que houve cerceamento de defesa, que não há causa para a desconsideração da personalidade jurídica e, que, além de os sócios não responderem pelas obrigações sociais, suas responsabilidades, quando for o caso, se limitam ao valor de suas quotas. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. O alegado cerceamento de defesa, a despeito da oposição de embargos de declaração, não foi objeto de apreciação pelo Tribunal local, o que atrai as disposições dos enunciados n. 282 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e 211 desta Casa. Os artigos 1.024 e 1.052 do Código Civil, outrossim, não se aplicam à hipótese dos autos, porquanto se houve a desconsideração da personalidade jurídica, todo o patrimônio do sócio atingido e da sociedade devedora é considerado um só. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL. PENHORA DE IMÓVEL UTILIZADO PARA INTEGRALIZAR O CAPITAL SOCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA. ALEGAÇÃO DE RESIDÊNCIA POR UM DOS SÓCIOS, SENDO SÓCIA MAJORITÁRIA EMPRESA HOLDING COM SEDE NAS ILHAS VIRGENS BRITÂNICAS. PRINCÍPIOS DA AUTONOMIA PATRIMONIAL E DA INTEGRIDADE DO CAPITAL SOCIAL. ART. 789 DO CPC. ARTS. 49-A, 1.024, 1055 E 1059 DO CÓDIGO CIVIL. CONFUSÃO PATRIMONIAL. DESCONSIDERAÇÃO POSITIVA DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA PROTEÇÃO DE BEM DE FAMÍLIA. LEI N. 8.009/90. INAPLICABILIDADE NO CASO DOS AUTOS. 1. A autonomia patrimonial da sociedade, princípio basilar do direito societário, configura via de mão dupla, de modo a proteger, nos termos da legislação de regência, o patrimônio dos sócios e da própria pessoa jurídica (e seus eventuais credores). 2. "A impenhorabilidade da Lei nº 8.009/90, ainda que tenha como destinatários as pessoas físicas, merece ser aplicada a certas pessoas jurídicas, às firmas individuais, às pequenas empresas com conotação familiar, por exemplo, por haver identidade de patrimônios." (FACHIN, Luiz Edson. "Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo", Rio de Janeiro, Renovar, 2001, p. 154). 3. A desconsideração parcial da personalidade da empresa proprietária para a subtração do imóvel de moradia do sócio do patrimônio social apto a responder pelas obrigações sociais apenas deve ocorrer em situações particulares, quando evidenciada confusão entre o patrimônio da empresa familiar e o patrimônio pessoal dos sócios. 4. Impõe-se também a demonstração da boa-fé do sócio morador, que se infere de circunstâncias a serem aferidas caso a caso, como ser o imóvel de residência habitual da família, desde antes do vencimento da dívida. 5. Hipótese em que inaplicável a proteção da Lei 8.009/90 ao imóvel registrado em nome de pessoa jurídica, cujo capital social ultrapassa os três milhões de reais e pertence 99% a empresa constituída nas Ilhas Virgens, sendo a sócia moradora titular de apenas uma quota social. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.868.007/SP, relator Ministro Raul Araújo, relatora para acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 30/3/2023.) Em se tratando de relações de consumo, como na hipótese em apreço, a simples utilização da sociedade empresária como obstáculo ao recebimento do crédito pelo consumidor enseja a desconsideração da personalidade jurídica. A Corte local, na hipótese dos autos, concluiu "que a consumidora, na execução que já se arrasta por anos, encontrará dificuldades em satisfazer o crédito perseguido se não for rompida a barreira da distinção entre a personalidade jurídica da devedora e suas sócias, o que fundamenta suficientemente a inclusão delas no polo passivo da demanda, conforme requerido, para dar alguma chance à agravada de concretizar um direito já reconhecido judicialmente" (e-STJ, fl. 36). É inequívoco, pois, que o reexame da questão encontra as disposições do verbete n. 7 da Súmula desta Casa. Para exame: CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO (ART. 28, CAPUT, DO CDC). PEENCHIMENTO DOS REQUISITOS. SÚMULA 83/STJ. ALTERAÇÃO DAS PREMISSAS ADOTADAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ orienta no sentido de que, para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica (art. 28, § 5º, do CDC), basta que o consumidor demonstre o estado de insolvência do fornecedor ou o fato de a personalidade jurídica representar um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados. Precedentes. 2. No caso, as instâncias ordinárias consignaram que foram comprovados os requisitos necessários à desconsideração da personalidade jurídica, em razão do reconhecimento de obstáculos ao ressarcimento dos prejuízos causados à consumidora por parte dos devedores diretos, bem como a demonstração da confusão patrimonial entre as devedoras e a recorrente. Incidência da Súmula 83 do STJ. 3. A alteração das premissas adotadas no acórdão recorrido, no sentido de se concluir que as questões não demandam dilação probatória, tal como propugnada, encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.689.488/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 14/4/2025, DJEN de 25/4/2025.) Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Intimem-se. EMENTA