AREsp 1931518 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido quanto às alegações relativas aos dispositivos do CDC por ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ). No mérito, o acórdão recorrido alinhou-se à jurisprudência do STJ no sentido de que são lícitos os descontos em conta-corrente quando há autorização expressa do correntista,...
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- Parties
- Recorrente: ROSA MARIA BOLDRIM; Agravado: BANCO DO BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
- Legal Topics
- Descontos Em Conta Corrente, Empréstimo Feneratício, Súmula 603/stj, Prequestionamento, Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Honorários Advocatícios
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Parties
ROSA MARIA BOLDRIM
Recorrente
BANCO DO BRASIL S.A.
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 cabimento do recurso especial diante de alegação de violação de dispositivo constitucional e de atos normativos não enquadráveis como lei federal
- 2 ausência de prequestionamento de dispositivos do CDC e consequência para o conhecimento do recurso especial
- 3 legalidade dos descontos em conta-corrente quando há autorização expressa do correntista
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido quanto às alegações relativas aos dispositivos do CDC por ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ). No mérito, o acórdão recorrido alinhou-se à jurisprudência do STJ no sentido de que são lícitos os descontos em conta-corrente quando há autorização expressa do correntista, os quais não se confundem com penhora de vencimentos nem com desconto consignado em folha; portanto, o acórdão não merece reforma. Assim, conheceu-se do agravo e conheceu-se parcialmente do recurso especial, ao final negou-se provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo e, na extensão, conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Majoro os honorários advocatícios anteriormente fixados de R$ 2.000,00 para R$ 2.400,00, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15, observada eventual concessão da gratuidade de justiça.
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DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por ROSA MARIA BOLDRIM, contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 22/09/2020. Concluso ao gabinete em: 13/09/2021. Ação: obrigação de fazer cumulada com indenização ajuizada pela recorrente em face do BANCO DO BRASIL S.A., a fim de ver declarada a nulidade da cláusula contratual que autoriza o desconto dos débitos de empréstimos em conta corrente. Sentença: julgou parcialmente procedente o pedido para determinar que o réu se limite a reter, para amortização do débito da autora, apenas 30% da verba salarial depositada na conta informada na inicial. Acórdão: deu provimento ao recurso interposto pelo agravado, para julgar improcedente a ação, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO - DESCONTOS EM FOLHA DE PAGAMENTO/CONTA CORRENTE - Pretensão de reforma da respeitável sentença, que determinou que os descontos fossem realizados no limite de 30% (trinta por cento) dos rendimentos líquidos do mutuário - Cabimento - Limitação que é aplicável apenas aos casos em que os descontos são realizados em folha de pagamento, não se aplicando quando os descontos recaem sobre a conta corrente do mutuário - Súmula 603 do STJ cancelada - RECURSO PROVIDO. (e-STJ, fl. 311) Embargos de declaração: opostos pela recorrente foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts.6º, X, da CF; 649, IV, e 833, IV, do CPC; e51, IV, e 53, § 1º, I, do CDC. Aduz ser inviável o desconto praticado pela instituição financeira junto a conta salário da recorrente, tendo em vista que superao limite de 30% do valor dos seus vencimentos e, assim, comprometea sua verba alimentar. Afirma, ademais, ser nula a cláusula contratual que autoriza o débito das parcelas do empréstimo em folha de pagamento. Requer, assim, seja afastado o desconto em folha das parcelas dos empréstimos firmados ou que aquele não ultrapasse o limite de 30% dos seus vencimentos líquidos. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. Julgamento: aplicação do CPC/15. - Da violação de dispositivo constitucional ou de súmula A interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de súmula, de dispositivo constitucional ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido não decidiu acerca dosarts. 51, IV, e 53, § 1º, I, do CDC, indicados como violados, apesar da oposição de embargos de declaração. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. - Da legalidade dos descontos em conta-corrente efetuados mediante autorização do correntista Por fim, verifica-se que o acórdão recorrido alinhou-se à jurisprudência desta Corte ao entender que são válidos os descontos efetuados na conta-corrente quando existente expressa autorização do correntista, situação que não se confunde com a penhora de vencimentos, tampouco com a operação bancária de empréstimo consignado em folha. A propósito: DESCONTO DE MÚTUO FENERATÍCIO EM CONTA-CORRENTE. AGRAVO INTERNO. JULGAMENTO AFETADO PARA PACIFICAÇÃO NO ÂMBITO DO STJ. DESCONTO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL EM FOLHA E DESCONTO EM CONTA-CORRENTE. HIPÓTESES DIVERSAS, QUE NÃO SE CONFUNDEM. APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DA LIMITAÇÃO LEGAL AO EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. IMPOSSIBILIDADE. CONTRATO DE CONTA-CORRENTE. CARACTERÍSTICA. INDIVISIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS. DÉBITO AUTORIZADO. REVOGAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO, COM TODOS. OS CONSECTÁRIOS DO INADIMPLEMENTO. FACULDADE DO CORRENTISTA, MEDIANTE SIMPLES REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. 1. Em se tratando de mero desconto em conta-corrente - e não compulsório, em folha, que possui lei própria -, descabe aplicação da analogia para aplicação de solução legal que versa acerca dos descontos consignados em folha de pagamento. 2. No contrato de conta-corrente, a instituição financeira se obriga a prestar serviços de crédito ao cliente, por prazo indeterminado ou a termo, seja recebendo quantias por ele depositadas ou por terceiros, efetuando cobranças em seu nome, seja promovendo pagamentos diversos de seu interesse, condicionados ao saldo existente na conta ou ao limite de crédito concedido. Cuida-se de operação passiva, mediante a qual a instituição financeira, na qualidade de responsável/administradora, tem o dever de promover lançamentos. 3. Por questão de praticidade, segurança e pelo desuso do pagamento de despesas em dinheiro, costumeiramente o cliente centraliza, na conta-corrente, todas suas rendas e despesas pessoais, como, v.g., salário, eventual trabalho como autônomo, rendas de aluguel, luz, água, telefone, tv a cabo, cartão de crédito, seguro, eventuais prestações de mútuo feneratício, tarifa de manutenção de conta, cheques, boletos variados e diversas despesas com a instituição financeira ou mesmo com terceiros, com débito automático em conta. 4. Como incumbe às instituições financeiras, por dever contratual, prestar serviço de caixa, realizando operações de ingresso e egressos próprias da conta-corrente que administram automaticamente, não cabe, sob pena de transmudação do contrato para modalidade diversa de depósito, buscar, aprioristicamente, saber a origem de lançamentos efetuados por terceiros para analisar a conveniência de efetuar operação a que estão obrigadas contratualmente, referente a lançamentos de débitos variados, autorizados e/ou determinados pelo correntista. 5. Consoante o art. 3º, § 2º, da Resolução do CMN n. 3.695/2009, com a redação conferida pela Resolução CMN n. 4.480/2016, é vedada às instituições financeiras a realização de débitos em contas de depósito e em contas de pagamento sem prévia autorização do cliente. O cancelamento da autorização referida no caput deve surtir efeito a partir da data definida pelo cliente ou, na sua falta, a partir da data do recebimento pela instituição financeira do pedido pertinente. 6. Com efeito, na linha da regulamentação conferida à matéria pelo CMN, caso não tenha havido revogação da autorização previamente concedida pelo correntista para o desconto das prestações do mútuo feneratício, deve ser observado o princípio da autonomia privada, com cada um dos contratantes avaliando, por si, suas possibilidades e necessidades, vedado ao Banco reter - sponte propria, sem a prévia ou atual anuência do cliente - os valores, substituindo-se ao próprio Judiciário. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.500.846/DF, Segunda Seção, DJe 01/03/2019). RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. MÚTUO FENERATÍCIO. DESCONTO DAS PARCELAS. CONTA-CORRENTE EM QUE DEPOSITADO O SALÁRIO. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. INTERPRETAÇÃO DA SÚMULA 603/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A discussão travada no presente é delimitada como sendo exclusiva do contrato de mútuo feneratício com cláusula revogável de autorização de desconto de prestações em conta-corrente, de sorte que abrange outras situações distintas, como as que autorizam, de forma irrevogável, o desconto em folha de pagamento das "prestações empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil" (art. 1º da Lei 10.820/2003). 2. Dispõe a Súmula 603/STJ que "é vedado ao banco mutuante reter, em qualquer extensão, os salários, vencimentos e/ou proventos de correntista para adimplir o mútuo (comum) contraído, ainda que haja cláusula contratual autorizativa, excluído o empréstimo garantido por margem salarial consignável, com desconto em folha de pagamento, que possui regramento legal específico e admite a retenção de percentual". 3. Na análise da licitude do desconto em conta-corrente de débitos advindos do mútuo feneratício, devem ser consideradas duas situações distintas: a primeira, objeto da Súmula, cuida de coibir ato ilícito, no qual a instituição financeira apropria-se, indevidamente, de quantias em conta-corrente para satisfazer crédito cujo montante fora por ela estabelecido unilateralmente e que, eventualmente, inclui tarifas bancárias, multas e outros encargos moratórios, não previstos no contrato; a segunda hipótese, vedada pela Súmula 603/STJ, trata de descontos realizados com a finalidade de amortização de dívida de mútuo, comum, constituída bilateralmente, como expressão da livre manifestação da vontade das partes. 4. É lícito o desconto em conta-corrente bancária comum, ainda que usada para recebimento de salário, das prestações de contrato de empréstimo bancário livremente pactuado, sem que o correntista, posteriormente, tenha revogado a ordem. Precedentes. 5. Não ocorrência, na hipótese, de ato ilícito passível de reparação. 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.555.722/SP, Segunda Seção, DJe 25/09/2018) Assim, não merece reforma o acórdão recorrido. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC/2015, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em R$ 2.000,00 (e-STJ fls. 316) para R$ 2.400,00, observada eventual concessão da gratuidade de justiça. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO.PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ.DESCONTOS EM CONTA-CORRENTE. LEGALIDADE. AUTORIZAÇÃO DO CORRENTISTA. 1. Ação de obrigação de fazer. 2.A interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de dispositivo constitucional ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 3. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 4. São válidos os descontos efetuados em conta-corrente quando existente expressa autorização do correntista, situação que não se confunde com a penhora de vencimentos, tampouco com a operação bancária de empréstimo consignado em folha. Precedente da Segunda Seção. 5. Agravo conhecido. Recurso especial conhecido e não provido.