AREsp 2849428 - DECISAO
O agravo foi rejeitado porque o Tribunal de origem motivadamente enfrentou as questões apontadas nos embargos de declaração, não havendo omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, e porque o entendimento repetitivo do STJ (Tema 1.085) permite descontos em conta-corrente autorizados pelo correntista,...
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- Parties
- Autora: Autora; Apelada: Apelada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão (nego Provimento Ao Agravo)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Descontos Em Conta Corrente, Empréstimo Pessoal Não Consignado, Embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc/2015), Recurso Especial, Tema Repetitivo 1.085/stj, Dano Moral
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Parties
Autora
Autora
Apelada
Apelada
Procedural Posture
Agravo / Decisão (nego Provimento Ao Agravo)
Legal Issues
- 1 negativa de seguimento do recurso especial com fundamento no art. 1.030, I, b, do CPC/2015
- 2 admissibilidade de agravo interno contra decisão que nega seguimento a recurso especial
- 3 aplicabilidade do limite de 30% da Lei 10.820/2003 a descontos em conta-corrente autorizados pelo correntista
Ratio Decidendi
O agravo foi rejeitado porque o Tribunal de origem motivadamente enfrentou as questões apontadas nos embargos de declaração, não havendo omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, e porque o entendimento repetitivo do STJ (Tema 1.085) permite descontos em conta-corrente autorizados pelo correntista, inexistindo ato ilícito ou prova de comprometimento do sustento que justificasse a restituição ou indenização.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Nos termos do artigo 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da representação processual da agravada, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, ficando sob condição suspensiva a exigibilidade dessa obrigação em caso de beneficiário da...
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto pela autora contra a decisão que: A) negou seguimento ao seu recurso especial, com fundamento no artigo 1.030, inciso I, alínea "b", da Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil - CPC/2015), quanto à questão dos descontos (débitos) realizados na conta corrente, decorrentes de mútuo: empréstimo celebrado por pessoa física (Tema 1.085 do Superior Tribunal de Justiça - STJ); B) não admitiu o recurso especial, quanto às demais questões. O recurso especial foi apresentado em face de acórdão assim ementado (fl. 227): RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO BANCÁRIO - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS POR DESCONTO INDEVIDO NA CONTA-SALÁRIO - DIREITO BANCÁRIO - EMPRÉSTIMO PESSOAL NÃO CONSIGNADO - DESCONTOS AUTORIZADOS EM CONTA-CORRENTE - LIMITE DE 30% PREVISTO NA LEI 10.820/2003 - INAPLICABILIDADE - TEMA REPETITIVO Nº 1.085 - REPETIÇÃO DO INDÉBITO E DANOS MORAIS - INEXISTÊNCIA DE ATO ILÍCITO - INDEVIDOS - RECURSO DESPROVIDO 1. Em se tratando de desconto de parcela de empréstimo não consignado, efetuado na conta bancária com base em autorização expressa do autor/correntista, ainda que nela ele receba seu benefício previdenciário, não há que se impor a limitação de percentual legal prevista para os empréstimos consignados em folha de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que "são lícitos os descontos de parcelas de empréstimos bancários comuns em conta-corrente, ainda que utilizada para recebimento de salários, desde que previamente autorizado pelo mutuário e enquanto estaautorização perdurar, não sendo aplicável, por analogia, a limitação prevista no § 1º do art. 1º da Lei n. 10.820/2003, que disciplina os empréstimos consignados em folha de pagamento." (Resp1863973/SP, Tema 1085). 2. Inexistindo ato ilícito imputável à instituição financeira, não se cogita de condenação, sob o viés da responsabilidade civil, seja por restituição do indébito, ou por danos morais. Os embargos de declaração opostos a esse acórdão foram rejeitados. No recurso especial, a autora alega que o acórdão recorrido contrariou o artigo 1.022 do CPC/2015 porque se negou a sanar os vícios apontados nos embargos de declaração. Afirma também que o acórdão recorrido diverge de julgados de outros tribunais, que, em casos de empréstimos celebrados com autorização de pagamento mediante desconto de parcelas mensais em conta corrente, deram ênfase à dignidade e subsistência do mutuário. Iniciando, anoto que o agravo interno é o recurso adequado (correto) para impugnar decisão que, com fundamento no artigo 1.030, inciso I, alínea "b", do CPC/2015, nega seguimento a recurso especial. Nessa linha de entendimento: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 1.030, I, B, DO CPC DE 2015. CABIMENTO DE AGRAVO INTERNO NOS TERMOS DO ARTIGO 1.030, § 2º, CPC DE 2015. INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO PREVISTO NO ARTIGO 1.042 DO CPC DE 2015. ERRO GROSSEIRO. INAPLICÁVEL O PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A decisão agravada foi publicada já na vigência do atual Código de Processo Civil, o qual prevê no art. 1.030, I, "b", § 2º, do CPC de 2015, que cabe agravo interno contra a decisão que nega seguimento a recurso especial interposto contra acórdão em conformidade com entendimento do STJ em recurso repetitivo. 2. A parte agravante interpôs agravo em recurso especial previsto no art. 1.042, caput, do CPC de 2015 e não o agravo interno perante o Tribunal local, não sendo admitida, consoante a lei e jurisprudência do STJ, a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.083.826/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 18/08/2017) Conforme assinalado na decisão ora agravada, o acórdão recorrido, ao se posicionar sobre a questão dos descontos em conta corrente, seguiu orientação firmada no julgamento de recurso especial repetitivo. Assim, o presente agravo é inadmissível no que tange a esse ponto porque caracterizada hipótese de cabimento de agravo interno perante o Tribunal de origem. Seguindo, registro que os embargos de declaração, ainda que opostos para prequestionamento de normas jurídicas, são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição, obscuridade ou erro material em relação a ponto relevante, necessário, útil e influente para o julgamento da causa. É legítimo o manejo de embargos para suprir omissão quanto a assunto sobre o qual devia se pronunciar o julgador, o qual não está obrigado, entretanto, a enfrentar todos os argumentos das partes, mas deve, ao emitir juízo (com base em seu livre convencimento) acerca das questões que considerar suficientes e relevantes para fundamentar sua decisão, enfrentar as matérias (de ordem pública ou não) suscitadas em tempo oportuno e que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. DANO MORAL. VALOR DA INDENIZAÇÃO. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando a Corte local pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. .. . 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1226329/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 21/6/2018, DJe 29/6/2018) No caso, o acórdão recorrido não se ressente de falta de clareza, nem padece de obscuridade, tampouco apresenta erro material, lacuna ou contradição. Nos embargos opostos ao julgamento da apelação, a autora arguiu a necessidade de suprimento de omissões quanto à autorização concedida à ré para desconto na conta corrente das parcelas do empréstimo e à análise das provas (especialmente as relac ionadas à demonstração de que o desconto indevido comprometeu o sustento digno da mutuária). Sobre esses pontos, o acórdão recorrido assinalou (fls. 216-218): 1. Desconto acima do pactuado: impossibilidade de arcar com despesas básicas - ofensa à dignidade humana A apelante sustenta que realizou operações de empréstimo e negociação de cartão com o banco apelado e que, por dificuldades financeiras, atrasou as negociações que tinha à época, oportunidade em que a parte apelada contatou a recorrente ofertando nova renegociação. Aduz ainda, que em 10/03/2022 realizou o pagamento da quantia de R$ 1.000,00,como entrada da referida negociação, contudo, em 29/06/2022, a apelada teria descontado, indevidamente,o valor de R$ 2.919,96 da sua conta corrente, de forma a prejudicá-la no pagamento de suas contas ordinárias. Assim, entende que a apelada não poderia ter promovido descontos acima de 30% (trinta por cento) de seus proventos, o que resultaria no seu direito em condenar a recorrida à restituição em dobro do valor descontado, assim como, em indenização por danos morais no montante de R$ 10.000,00. Pois bem. Ressai dos autos que ocontrato CDC entabulado é de crédito pessoal (Id. 108499475, p. 01-03, autos de origem). Desse modo, não se aplicam asregras previstas para os empréstimos consignados, em especial a limitação de 30% (trinta por cento) do salário, em virtude de se tratar de modalidades distintas. Assevera-se que, os mútuos bancários, com débito em conta corrente, constituem mera faculdade do consumidor, cabendo a este à análise da sua capacidade financeira para honrar com os compromissos assumidos. Neste sentido dispõe a tese firmada no Tema Repetitivo 1.085 do Superior Tribunal de Justiça: .. Com o mesmo entendimento, cito julgado deste Egrégio Tribunal de Justiça: .. Ademais, diante dos fatos e prova dos autos, não restaram demonstrados os requisitos da verossimilhança das alegações da parte Autora, também não restou demonstrado a prejudicialidade e inviabilidade do seu sustento e sua sobrevivência. Desse modo, inexistente o ato ilícito, afastam-se, por consequência, os pedidos de restituição do indébito e de danos morais. Neste sentido: .. Nesse panorama, não encontro motivo (sério, relevante) para prover o recurso especial quanto à suposta contrariedade ao artigo 1.022 do CPC/2015, pois os pontos questionados nos embargos foram motivadamente respondidos pelo Tribunal de origem, conforme acima demonstrado. Não me parece ter ocorrido, delineado esse quadro, ilegalidade na rejeição dos embargos. O Tribunal de origem manifestou-se de forma clara sobre as questões e os pontos a respeito dos quais devia emitir pronunciamento. Nenhum aspecto relevante para a solução da controvérsia deixou de ser examinado. A rejeição dos embargos de declaração, vale repetir, não representou, por si só, recusa de prestação da tutela jurisdicional adequada ao caso concreto, na medida em que a matéria ventilada em tais embargos foi devidamente enfrentada. Estão bem delimitadas, no acórdão recorrido, as premissas fáticas sobre as quais apoiada a convicção jurídica formada e foram feitos os esclarecimentos que, segundo os julgadores, pareceram necessários, tudo isso de modo fundamentado. Não há falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, senão em discordância da autora com o teor do julgamento, que lhe foi desfavorável. O acórdão recorrido apresenta fundamentos coerentes e ideias concatenadas. Não contém afirmações que se rechaçam ou proposições inconciliáveis. Existe, em suma, harmonia entre a motivação e a conclusão. Não constituem motivos para o reconhecimento de deficiência da prestação jurisdicional: (i) a recusa do julgador a enfrentar novamente matéria já decidida; (ii) a circunstância de o entendimento adotado no provimento judicial recorrido não ser o esperado pela parte; (iii) a ausência de menção expressa às normas jurídicas suscitadas pela parte; (iv) a falta de manifestação sobre aspectos que a parte considera importantes (em geral, benéficos às suas teses), se, no provimento judicial recorrido, houverem sido enfrentadas, ainda que mediante fundamentação concisa, as questões cuja resolução efetivamente influencia a solução da causa; (v) haver o julgador se negado a sanar contradição que não seja interna; e (vi) o fato de a decisão, ao acolher determinado argumento, não se reportar a todos os que lhe são contrários, os quais, em decorrência da lógica, são rejeitados. A finalidade dos embargos não é obter a revisão da decisão judicial ou a rediscussão da matéria nela abordada, mas aperfeiçoar a prestação jurisdicional, a fim de que seja clara e completa. A finalidade da jurisdição, de sua vez, é alcançar a composição da lide (conflito de interesses), não discutir teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes, como se fosse peça acadêmica ou trabalho (texto) doutrinário. Importante ressaltar que, se a fundamentação adotada pelo provimento judicial recorrido não se mostra suficiente ou correta na opinião da parte recorrente, isso não significa que ela não exista. Ausência de motivação não se confunde com fundamentação contrária ao interesse da parte. Confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REIVINDICATÓRIA DE POSSE. DECISÃO MONOCRÁTICA DA LAVRA DESTE RELATOR QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DO ORA AGRAVANTE. SUPOSTA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 489 DO CPC DE 2015. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. . 2. "Se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, como ocorreu na espécie. Violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 não configurada" (AgInt no REsp 1.584.831/CE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 21/6/2016). .. . 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.119.229/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 1/9/2022.) Vale acrescentar " .. que o provimento do recurso especial, por contrariedade aos arts. 489, 1.022, II, e 1.025, do CPC/2015, pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, os seguintes motivos: (a) que a questão supostamente omitida tenha sido invocada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuide de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) a oposição de embargos aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão em relação ao ponto; (c) que a tese omitida seja fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderá conduzir à sua anulação ou reforma; (d) a inexistência de outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. A propósito: AgInt no AREsp 1.920.020/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julg. 14/2/2022, Dje 17/2/2022. Tais requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. .. " (AgInt no REsp 2.119.761/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julg. 10/6/2024, DJe 12/6/2024). Assim, não vejo razão para anular o julgado recorrido. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Nos termos do artigo 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da representação processual da agravada, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, ficando sob condição suspensiva a exigibilidade dessa obrigação em caso de beneficiário da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA