REsp 2155031 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a revisão pretendida exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório e a interpretação de cláusulas contratuais, incidindo os óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ; ademais, a agravante não comprovou o cumprimento do ônus probatório e não se pode exigir prova negativa.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: OPEN EDUCAÇÃO LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (terceira Turma)
- Outcome
- Agravo interno não provido; negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Descumprimento Contratual, Ônus Da Prova, Reexame De Provas E Cláusulas, Súmulas 5 E 7/stj
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Parties
OPEN EDUCAÇÃO LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ
- 2 ônus da prova quanto ao descumprimento contratual
- 3 impossibilidade de exigir prova negativa
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a revisão pretendida exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório e a interpretação de cláusulas contratuais, incidindo os óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ; ademais, a agravante não comprovou o cumprimento do ônus probatório e não se pode exigir prova negativa.
Court Disposition
Agravo interno não provido; negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão recorrida por seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/02/2025 a 24/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. ÔNUS DA PROVA. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. A revisão da matéria referente à comprovação do descumprimento contratual demanda a análise da interpretação de cláusulas contratuais e do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência dos óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por OPEN EDUCAÇÃO LTDA. contra a decisão (e-STJ fls. 511/512 ), que não conheceu do recurso especial por incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. Em suas razões, a agravante defende a inaplicabilidade das Súmulas nºs 5 e 7/STJ e a ocorrência de violação dos arts. 476 do Código Civil e 373, I, do Código de Processo Civil. Argumenta que: "A teor do que dispõe a súmula 5 e 7 deste Col. STJ, não se trata o recurso especial interposto de simples reexame de provas ou de interpretação de cláusula contratual e sim descumprimento expresso de norma contida em lei federal, especificamente as disposições contidas nos art. 476 do Código Civil e art. 373, inciso I do Código de Processo Civil" (e-STJ fl. 520). Impugnação apresentada às e-STJ fls. 528/532. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. ÔNUS DA PROVA. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. A revisão da matéria referente à comprovação do descumprimento contratual demanda a análise da interpretação de cláusulas contratuais e do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência dos óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 2. Agravo interno não provido.
VOTO A insurgência não merece prosperar. Com efeito, no que diz respeito ao cumprimento do ônus da prova, as conclusões do tribunal de origem decorreram inquestionavelmente da análise da interpretação de cláusulas contratuais e do conjunto fático-probatório carreado aos autos, o que se pode aferir da leitura dos fundamentos do julgado atacado, ora colacionados na parte que interessa: "(..) uma vez defendida pela apelante a tese de descumprimento contratual da parte da apelada (aluna), era seu o ônus de comprovar que haviam sido prestados à ela todos os esclarecimentos no que toca às obrigações contratuais que lhe cabiam, do que não cuidou. Entretanto, não o fez deixando de se desincumbir do ônus processual que lhe competia (artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil), não bastando para tanto a citação literal de cláusulas contratuais. Por outro lado, não se pode exigir da apelada-autora a produção de prova negativa (a chamada "diabólica")" (e-STJ fl. 305). Nesse contexto, não há como afastar a incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ, visto que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis ante a natureza excepcional da via eleita. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE PROVA NEGATIVA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Em regra, compete à parte autora a prova do fato constitutivo do direito, ao passo que cabe à ré a prova do fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito, nos termos da inteligência do art. 373, I e II, do NCPC. 3. É inviável exigir da parte prova de fato negativo, tratando-se de prova diabólica. 4. O acórdão recorrido assentou que a causa de pedir reside na inexistência de prestação de serviços para justificar os pagamentos, não se podendo exigir prova de fato negativo da parte autora e não tendo sido comprovada a efetiva prestação do serviço pela ré. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória, em afronta a Súmula nº 7 do STJ. 5. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 6. Agravo interno não provido" (AgInt no AREsp 1.793.822/DF, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 8/6/2021, DJe de 11/6/2021) Assim, as razões do recurso não são suficientes para reformar a decisão atacada, que merece ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.