REsp 2185506 - DECISAO
Houve omissão no acórdão recorrido relativamente à alegação de que a União não comprovou o pagamento do soldo após a deserção; omissão relevante e não sanada pelos embargos de declaração, pelo que se deu provimento ao Recurso Especial para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo para suprir a omissão.
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- Parties
- Recorrente: VICTOR FARIAS DE OLIVEIRA SOARES; Recorrido: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Monocrático Provimento Para Retorno Ao Tribunal a Quo
- Outcome
- Provimento do Recurso Especial para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo, a fim de suprir omissão apontada.
- Legal Topics
- Deserção, Ressarcimento Ao Erário, Ônus Da Prova, Omissão Em Acórdão, Embargos De Declaração
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Parties
VICTOR FARIAS DE OLIVEIRA SOARES
Recorrente
UNIÃO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Monocrático Provimento Para Retorno Ao Tribunal a Quo
Legal Issues
- 1 omissão do acórdão quanto à prova do pagamento do soldo após a deserção
- 2 incumbência da União em comprovar o pagamento do soldo no período pós-deserção (art. 373, I, CPC)
- 3 cabimento e limites dos embargos de declaração e da fundamentação judicial (art. 1.022 e art. 489, §1º, CPC)
Ratio Decidendi
Houve omissão no acórdão recorrido relativamente à alegação de que a União não comprovou o pagamento do soldo após a deserção; omissão relevante e não sanada pelos embargos de declaração, pelo que se deu provimento ao Recurso Especial para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo para suprir a omissão.
Court Disposition
Provimento do Recurso Especial para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo, a fim de suprir omissão apontada.
Orders
- DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial e determino o retorno dos autos ao tribunal a quo para que seja suprida a omissão indicada.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por VICTOR FARIAS DE OLIVEIRA SOARES contra acórdão prolatado, por maioria, pela 8ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região no julgamento de Apelação, assim ementado (fl. 231e): ADMINISTRATIVO. MILITAR. DESERÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. SINDICÂNCIA. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. REGULARIDADE DOS VALORES APURADOS PELA UNIÃO. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Apelação interposta contra sentença que julgou improcedente o pedido no sentido de obter a condenação do apelado a ressarcir ao erário o valor de R$ 35.000,27 pelos pagamentos de soldos, quando já estava na condição de desertor da Marinha. 2. A Administração Militar instaurou sindicância (Portaria nº 12/BNRJ, de 22 de fevereiro de 2018) para apuração de indícios de irregularidade com origem nos pagamentos indevidos efetivados em favor do ex-militar Victor Farias de Oliveira Soares, visando o ressarcimento do prejuízo ao erário da quantia de R$ 35.000,27. 3. Restou-se comprovado que a deserção do autor ocorreu a partir de 1º/02/2017, por meio da Portaria n. 347/2017 da DPMM, e que, no período de março de 2017 a janeiro de 2018, foram efetuados o pagamento do soldo, quando o militar já estava na condição de desertor da Marinha do Brasil. 4. Não foram apresentados quaisquer fundamentos que infirmem a quantia específica apurada pela União relativa ao pagamento indevido, impondo-se a reforma da sentença proferida pelo juízo a quo, a fim de que o apelado promova o ressarcimento ao erário dos referidos valores. 5. Apelação provida. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 269/270e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, ponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: (i) Art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil - " .. no presente caso, o acórdão foi despido de fundamentação no tocante à constatação de que houve prova do pagamento do soldo em favor do recorrido. No entanto, não há qualquer menção à prova documental em que se lastreou para se chegar a tal conclusão" (fl. 292e); e (ii) Art. 373, I, do Código de Processo Civil - aduz que a União não se desincumbiu do ônus de provar o pagamento do soldo em favor do ora Recorrente, no período após a deserção. Com contrarrazões (fls. 303/304e), o recurso foi admitido (fl. 310e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil , combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O Recorrente sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração, quanto à alegação de que a União não se desincumbiu do ônus de provar o pagamento do soldo em favor do ora Recorrente, no período após a deserção. Ao prolatar o acórdão mediante o qual os embargos de declaração foram analisados, o tribunal de origem assim consignou (fl. 269e): Examinada a petição dos embargos de declaração, constato que nela não se contempla nenhuma das hipóteses de seu cabimento, insertas nos incisos do art. 1.022 do Código de Processo Civil. Com efeito, as questões ali suscitadas revelam que a parte embargante visa tão somente rediscutir a decisão desta egrégia Turma, expediente para o qual não se prestam os aclaratórios. Ademais, destaco que na decisão recorrida há menção aos preceitos constitucionais e legais necessários para resolução da presente lide, sendo que "o julgador não se encontra obrigado a responder todas as questões suscitadas pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão" (STJ, AgInt no AREsp 1634087 / SE, SEGUNDA TURMA, Ministro FRANCISCO FALCÃO, POR UNANIMIDADE, DJe 22/10/2020). Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA EM VIRTUDE DA INCIDÊNCIA À ESPÉCIE DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. SÚMULA N. 315/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). IV - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Mediante análise dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência, no ponto, da Súmula n. 7/STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." V - Nesse mesmo sentido trago à colação julgado desta Corte Especial: AgInt nos EREsp n. 1.960.526/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: E Dcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.991.078/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, julgado em 9/5/2023, DJe de 12/5/2023). No caso, assiste razão ao Recorrente, porquanto há omissão no julgado, não suprida no julgamento dos embargos de declaração, uma vez que o tribunal de origem deixou de manifestar-se quanto à alegação de que a União não se desincumbiu do ônus de provar o pagamento do soldo em favor do ora Recorrente, no período após a deserção. Observo tratar-se de questão relevante, oportunamente suscitada e que, se acolhida, poderia levar o julgamento a um resultado diverso do proclamado. Ademais, a não apreciação de tese, à luz dos dispositivos constitucional e infraconstitucional indicados a tempo e modo, impede o acesso à instância extraordinária. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, c, e 255, III, ambos do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo, a fim de que seja suprida a omissão indicada. Publique-se e intimem-se. EMENTA