AREsp 2839544 - ACORDAO
Havendo indicação errônea do processo originário na guia de recolhimento das custas e não ocorrendo a regularização após a intimação concedida nos termos do art. 1.007, § 7º, do CPC/2015, configura-se a deserção do recurso, motivo pelo qual o agravo interno deve ser desprovido e mantida a decisão que não conheceu do...
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- Parties
- Agravante: Assuã Incorporadora Ltda. - Em Recuperação Judicial; Agravante: Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda. - Em Recuperação Judicial
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Quarta Turma (sessão Virtual De 12/08/2025 a 18/08/2025) Agravo Interno Não Provido
- Outcome
- Agravo interno não provido; mantida decisão que reputou deserto o recurso.
- Legal Topics
- Deserção, Preparo, Guia De Recolhimento (gru), Intimação Para Regularização, Súmula 187/stj
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Parties
Assuã Incorporadora Ltda. - Em Recuperação Judicial
Agravante
Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda. - Em Recuperação Judicial
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Quarta Turma (sessão Virtual De 12/08/2025 a 18/08/2025) Agravo Interno Não Provido
Legal Issues
- 1 indicação errônea do número do processo na guia de recolhimento das custas
- 2 não atendimento da intimação para saneamento do vício nos termos do art. 1.007, § 7º do CPC/2015
- 3 incidência da deserção do recurso
Ratio Decidendi
Havendo indicação errônea do processo originário na guia de recolhimento das custas e não ocorrendo a regularização após a intimação concedida nos termos do art. 1.007, § 7º, do CPC/2015, configura-se a deserção do recurso, motivo pelo qual o agravo interno deve ser desprovido e mantida a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, com observância da Súmula 187/STJ e precedentes desta Corte.
Court Disposition
Agravo interno não provido; mantida decisão que reputou deserto o recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão da Presidência que não conheceu do agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/08/2025 a 18/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÚMERO DE REFERÊNCIA DO PROCESSO INDICADO NA GRU NÃO CORRESPONDENTE AO PROCESSO DE ORIGEM. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. DESERÇÃO CONFIGURADA. SÚMULA 187/STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Havendo indicação errônea do processo originário na guia de recolhimento das custas devidas ao STJ e não atendida a intimação regularmente efetuada para sanear o vício, na forma do § 7º do art. 1.007 do Código de Processo Civil, é deserto o recurso interposto. 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto por Assuã Incorporadora Ltda. - Em Recuperação Judicial e Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda. - Em Recuperação Judicial contra decisão de fls. 547/548 que não conheceu do agravo em recurso especial. Na referida decisão destacou-se que o recolhimento das custas judiciais foi realizado em desacordo com a resolução do STJ vigente à época da interposição do recurso, especificamente na indicação incorreta do "Processo na Origem" ou "Número do Processo que consta no Acórdão Recorrido" na guia de recolhimento das custas judiciais. Nas razões do agravo interno, as partes recorrentes alegam, em síntese, que o equívoco na indicação do número do processo no preenchimento da guia de custas não se trata de "erro crasso", mas de simples equívoco, e que a rejeição do recurso contraria os princípios da instrumentalidade das formas, da ampla defesa e do devido processo legal. Argumentam, também, que há conflito de competência, pois o crédito dos recorridos é de natureza concursal, conforme decisão do Juízo Universal da Recuperação Judicial, e que qualquer decisão sobre atos de constrição em empresas em recuperação judicial é de competência exclusiva do Juízo Universal. A parte agravada apresentou impugnação, argumentando que o recurso é desprovido de razões, tem caráter protelatório e deve ser rejeitado, inclusive com aplicação de multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC. Além disso, destacou a ausência de enfrentamento a todos os fundamentos do acórdão agravado, ponderando pela aplicação das Súmulas 283/STF e 568/STJ. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÚMERO DE REFERÊNCIA DO PROCESSO INDICADO NA GRU NÃO CORRESPONDENTE AO PROCESSO DE ORIGEM. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. DESERÇÃO CONFIGURADA. SÚMULA 187/STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Havendo indicação errônea do processo originário na guia de recolhimento das custas devidas ao STJ e não atendida a intimação regularmente efetuada para sanear o vício, na forma do § 7º do art. 1.007 do Código de Processo Civil, é deserto o recurso interposto. 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): Deve ser mantida a decisão da Presidência desta Corte, que reputou deserto o recurso. Com efeito, conforme certificado pela Secretaria Judiciária do STJ: "O recolhimento das custas judiciais foi realizado em desacordo com o disposto na Resolução do STJ vigente à época da interposição do recurso, a qual dispõe que, no momento do preenchimento da GRU Cobrança, deverão ser indicadas obrigatoriamente as informações exigidas no formulário eletrônico disponível no site do Tribunal (http://www.stj.jus.br), de acordo com o tipo de ação ou recurso escolhido. A parte indicou erroneamente o "Processo na Origem" ou "Número do Processo que consta no Acórdão Recorrido" na guia de recolhimento das custas judiciais juntada aos autos, uma vez que o número utilizado não corresponde aos existentes na origem" (e-STJ, fl. 531). A parte, por sua vez, deixou de se manifestar nos autos, no prazo concedido, tendo afirmado, nas razões do presente agravo interno, que "deixou transcorrer o prazo para manifestação por julgar que o equívoco seria corrigido ex ofício", o que não se admite. Nos termos do art. 77, IV, do CPC/2015, além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo, cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação, o que não se verificou no caso. Analisando atentamente os autos, verifico o acerto da decisão agravada, na medida em que a agravante não se desincumbiu do ônus de comprovar oportunamente o efetivo preparo, notadamente porque o entendimento consolidado desta Corte é no sentido de que indicação errônea do número do processo de origem na guia de recolhimento das custas devidas ao STJ implica pena de deserção, ante a irregularidade no pagamento, nos termos da Súmula 187/STJ. Nesse sentido, confiram-se: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DA DEMANDADA. 1. A jurisprudência do STJ possui entendimento segundo o qual deve ser reconhecida a deserção do recurso especial se, após a intimação, nos termos do art. 1.007, § 4º, do CPC/2015, a parte não comprovar o pagamento ou não o efetuar em dobro. 2. No presente caso, mesmo após a intimação da parte recorrente para que sanasse o vício apontado no prazo de 5 (cinco) dias, não houve a comprovação da regularidade no recolhimento do preparo no prazo fixado, o que impõe a incidência da Súmula 187 do STJ. Deserção do recurso especial reconhecida. Precedentes. 2.1. Este Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no sentido de que a irregularidade no preenchimento das guias do preparo - consistente na indicação errônea do processo na origem - caracteriza a sua deserção. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.273.187/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023.) PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. INDICAÇÃO ERRÔNEA DOS DADOS NA GUIA DE RECOLHIMENTO. NÚMERO DE PROCESSO DIVERSO DAQUELE REGISTRADO NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE PREPARO. PRECEDENTES. DOCUMENTO PRODUZIDO COM UTILIZAÇÃO DE PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO DISPONIBILIZADO PELA ICP-BRASIL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE APENAS COM RELAÇÃO AOS SIGNATÁRIOS E NÃO EM FACE DO STJ. DECISÃO PROFERIDA PELO MINISTRO PRESIDENTE DO STJ MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. É dever da recorrente apontar o correto preenchimento das guias de recolhimento que compõem as custas do preparo, sob pena de deserção do recurso. A exigência do correto preenchimento da guia, longe de ser mero formalismo, presta-se a evitar fraudes contra o Judiciário, impedindo que se use a mesma guia para interposição de diversos recursos (AgRg no AREsp 736.400/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, DJe 6/4/2016). 3. No caso, SIMEON e ROSEMARI fizeram a indicação errônea do processo na guia de recolhimento das custas judiciais juntada aos autos, uma vez que o número utilizado não corresponde ao processo ao qual se referiu. 4. O fato de o documento ter sido produzido com utilização de processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil não acarreta presunção de veracidade em face do STJ, mas apenas em relação aos signatários, consoante estabelece o artigo 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200/2001. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.879.808/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/9/2022, DJe de 8/9/2022.) Assim, não tendo havido comprovação do preparo no ato da interposição do recurso e não tendo sido realizado o recolhimento, em dobro, no prazo concedido, não prospera a pretensão, devendo ser prestigiada e mantida a decisão da Presidência desta Corte Superior. Por fim, inviável a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, pois a mera interposição de recurso legalmente previsto não caracteriza, por si só, intuito manifestamente protelatório. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.