AREsp 3189899 - DECISAO
Conhecer do agravo e, com fundamento na jurisprudência do STJ e nos dispositivos indicados, reconhecer que não houve violação do art. 1.022 do CPC, vedar o reexame de fatos e provas nos termos da Súmula 7/STJ, manter o entendimento do TJ/MG quanto ao reconhecimento da mora contratual e à redução equitativa da multa...
Source-derived case information.
- Parties
- Autor: GERSON DA CRUZ SANTOS; Ré / Agravante: MARIA DO CARMO FLORES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Desfazimento De Negócio Jurídico, Compra E Venda, Inadimplemento Contratual, Multa Contratual Moratória, Honorários Advocatícios De Sucumbência, Mensuração Do Proveito Econômico, Negativa De Prestação Jurisdicional, Reexame De Fatos E Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GERSON DA CRUZ SANTOS
Autor
MARIA DO CARMO FLORES
Ré / Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC
- 2 reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ)
- 3 aplicação e redução da multa contratual moratória
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo e, com fundamento na jurisprudência do STJ e nos dispositivos indicados, reconhecer que não houve violação do art. 1.022 do CPC, vedar o reexame de fatos e provas nos termos da Súmula 7/STJ, manter o entendimento do TJ/MG quanto ao reconhecimento da mora contratual e à redução equitativa da multa para 5% sobre o valor do contrato, e confirmar a fixação dos honorários sobre o proveito econômico em conformidade com o art. 85 do CPC e a jurisprudência (Súmula 568/STJ); assim, conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC e na Súmula 568/STJ, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Majoram-se os honorários anteriormente fixados em 10% para 12% sobre o proveito econômico, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por MARIA DO CARMO FLORES contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado, exclusivamente, na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 23/1/2026. Concluso ao gabinete em: 7/5/2026. Ação: de desfazimento de negócio jurídico c/c compensação por danos morais e lucros cessantes, ajuizada por GERSON DA CRUZ SANTOS, em face de MARIA DO CARMO FLORES, na qual requer o desfazimento do negócio e a restituição dos valores pagos. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos, para: i) condenar a requerida ao pagamento de multa contratual moratória de 5% sobre o valor do contrato, equivalente a R$ 21.500,00 (vinte e um mil e quinhentos reais); ii) extinguir a reconvenção sem resolução do mérito; iii) condenar a parte requerida ao pagamento de honorários advocatícios em 10% (dez por cento) da soma do valor atualizado da ação principal e da reconvenção, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC. Acórdão: deu parcial provimento ao recurso de apelação interposto pela agravante, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL - COMPRA E VENDA - INADIMPLEMENTO PARCIAL DA VENDEDORA - MULTA CONTRATUAL MORATÓRIA - REDUÇÃO EQUITATIVA - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - MENSURAÇÃO DO PROVEITO ECONÔMICO. Uma vez caracterizado o inadimplemento, cabível a aplicação da multa moratória. Apenas na impossibilidade de se mensurar o proveito econômico é que se estabelece os honorários sobre o valor atualizado da causa, a teor do que determina a norma legal. Embargos de Declaração: opostos por MARIA DO CARMO FLORES, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 402, 421, Parágrafo Único, e 422 do CC; e 85, §§ 1º e 2º e 1.022, II, do CPC. Sustenta que não há mora contratual por inexistir estipulação de prazo para regularização registral, impondo-se respeito à intervenção mínima nas relações privadas e à boa-fé objetiva. Aduz que a cláusula penal moratória é indevida diante do adimplemento substancial e da ausência de inadimplemento absoluto. Argumenta que os honorários devem observar a sucumbência, com fixação sobre o proveito econômico do requerido, afastando o princípio da causalidade. Aponta, ainda, negativa de prestação jurisdicional, aduzindo que o prequestionamento se aperfeiçoa ante a omissão reconhecível em embargos de declaração. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal local, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: REsp n. 2.095.460/SP, Terceira Turma, DJe de 15/2/2024 e AgInt no AREsp n. 2.325.175/SP, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca das questões suscitadas, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. É o que se extrai da seguinte passagem (e-STJ fls. 377-378): De acordo com o princípio da sucumbência, a parte que não obtém êxito na demanda é, via de regra, incumbida do pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios. Por sua vez, o princípio da causalidade orienta a imputação desses encargos à parte que, por sua conduta, deu ensejo ao ajuizamento da demanda, ainda que o desfecho do processo não lhe tenha sido totalmente desfavorável. O princípio da causalidade pode ser compreendido como um desdobramento do princípio da sucumbência, funcionando como critério auxiliar na distribuição dos encargos processuais. Em regra, a parte vencida é quem dá ensejo à propositura da ação, justificando a imposição das despesas processuais. Contudo, há hipóteses em que a causalidade pode se sobrepor à sucumbência, como no caso em apreço que a parte que deu causa à ação. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não se cogita de violação do art. 1.022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Do reexame de fatos e provas O TJ/MG ao analisar o recurso interposto pelo agravante, concluiu o seguinte (e-STJ fls. 324-325): Neste ponto, sustenta a apelante que merece reforma a sentença, uma vez que desde a data da celebração do negócio jurídico, não mede esforços para regularizar a matrícula do imóvel, tanto que ela ajuizou duas lides contra o Estado de Minas Gerais. Ocorre que tal argumentação se mostra frágil, não sendo suficiente a afastar a decisão. Vale ressaltar que o contrato foi celebrado em 22/11/2022, ocorrendo o pagamento integral de R$400.000,00 (quatrocentos mil Reais) no ato da assinatura e a presente ação distribuída em 04/05/2023, estando até o momento, pendente tal obrigação por parte da ré. Assim, muito embora não exista cláusula fixando uma data específica, tal lapso temporal ultrapassa o bom senso, não podendo o autor esperar ad aeternum, configurando, portanto, a mora contratual da ré. Em relação a cláusula penal moratória, há previsão de cobrança - Cláusula VI - Da Multa Rescisória, ID 9797106750, pág. 3, no importe de R$10.000,00 (dez mil Reais), além de incidência de multa de 10% sobre o valor do contrato pela parte que incorrer em mora, conforme Cláusula VII - Das Considerações Gerais (ID 9797106750, pág. 4). Contudo, diante do inadimplemento apenas da obrigação do registro formal da partilha na matrícula do imóvel pela recorrente, o juízo a quo reduziu a multa para 5% (cinco por cento) sobre o valor total do contrato (R$430.000,00, Cláusula II - Do Preço e Da Forma de Pagamento, ID 9797106750, pág. 1), ou seja, R$21.500,00 (vinte e um mil e quinhentos Reais), a ser atualizado monetariamente e acrescido de juros de mora. Analisando o importe arbitrado, ele não se mostra excessivo, considerando-se o valor do contrato e ainda ao lapso temporal de espera do autor. Portanto, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à comprovação do inadimplemento do contrato pela agravante, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. - Dos honorários sucumbenciais. Súmula 568/STJ De acordo com a jurisprudência desta Corte, a verificação da justiça na distribuição dos encargos processuais exige, segundo o princípio da causalidade, a necessidade de se questionar, não só quem é que deu causa à instauração do processo ou incidente, mas também a quem pode ser atribuído o motivo superveniente que dá azo à extinção do processo. Nesse sentido: REsp n. 1.836.703/TO, Terceira Turma, DJe de 15/10/2020 e AgInt no REsp n. 1.849.703/CE, Quarta Turma, DJe de 2/4/2020. Acrescenta-se que, conforme a jurisprudência sedimentada do STJ, a fixação dos honorários deve seguir a seguinte ordem de preferência: "(I) primeiro, quando houver condenação, devem ser fixados entre 10% e 20% sobre o montante desta (art. 85, § 2º); (II) segundo, não havendo condenação, serão também fixados entre 10% e 20%, das seguintes bases de cálculo: (II. a) sobre o proveito econômico obtido pelo vencedor (art. 85, § 2º); ou (II. b) não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 2º); por fim, (III) havendo ou não condenação, nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou em que o valor da causa for muito baixo, deverão, só então, ser fixados por apreciação equitativa (art. 85, § 8º)" (Segunda Seção, REsp 1.746.072/PR, DJe 29/3/2019). Na hipótese, o TJ/MG determinou a fixação dos honorários sobre o proveito econômico da demanda, sob o seguinte fundamento (e-STJ fl. 326): Tal entendimento restou positivado no §1º do art. 85 do CPC ao prever honorários de sucumbência também na reconvenção. Assim, devem ser arbitrados honorários de sucumbência para a reconvenção separadamente do pedido inicial. Com efeito, no caso em tela, estabelecido o proveito econômico da parte, consubstanciado no valor referente à multa contratual moratória, certo é que, a teor do art. 85 do CPC, os honorários na lide inicial devem ser fixados com tal base. Assim, somente na impossibilidade de se mensurar o proveito econômico é que se estabelece os honorários sobre o valor atualizado da causa, a teor do que determina a norma legal. Dessa forma, deve a sentença ser reformada parcialmente para: I - Quanto ao pedido inicial: condeno a apelante aos honorários advocatícios, os quais arbitro em 10% (dez por cento) sobre o proveito econômico, obtido pela parte embargante, tal como acima disposto. II - Quanto a reconvenção: condeno a ré/reconvinte nos honorários advocatícios, os quais arbitro em 10% (dez por cento) sobre o valor da reconvenção. De fato, observa-se que o TJ/MG ao fixar a verba honorária decidiu em harmonia com a jurisprudência do STJ. Incidência, no ponto, da Súmula 568/STJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 10% sobre o proveito econômico obtido pelo agravante (e-STJ fls.326) para 12%, observada eventual concessão da gratuidade de justiça . Previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESFAZIMENTO DE NEGÓCIO JURÍDICO. COMPRA E VENDA. INADIMPLEMENTO PARCIAL DA VENDEDORA. MULTA CONTRATUAL MORATÓRIA. CABIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MENSURAÇÃO DO PROVEITO ECONÔMICO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Ação de desfazimento de negócio jurídico. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. O acórdão que se encontra em harmonia com a jurisprudência do STJ não merece reforma. 5. Agravo conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido.