AREsp 2458697 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão estadual enfrentou e fundamentou as questões suscitadas, aplicando entendimento consolidado do STJ de que provedores de buscas não podem ser obrigados a desindexar resultados referentes a informações públicas verdadeiras; estando o acórdão em consonância com a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LUIZ EDUARDO AURICCHIO BOTTURA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (quarta Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (nega-se provimento ao agravo interno).
- Legal Topics
- Desindexação De Conteúdos, Direito Ao Esquecimento, Obrigação De Provedor De Buscas, Súmula 83/stj, Arts. 489 E 1.022 Do Cpc/2015
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUIZ EDUARDO AURICCHIO BOTTURA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (quarta Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 existência de omissão, obscuridade ou contradição nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 2 possibilidade de obrigar provedores de pesquisa a desindexarem resultados referentes a notícias públicas
- 3 incidência da Súmula 83/STJ quando acórdão estadual está em consonância com a jurisprudência do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão estadual enfrentou e fundamentou as questões suscitadas, aplicando entendimento consolidado do STJ de que provedores de buscas não podem ser obrigados a desindexar resultados referentes a informações públicas verdadeiras; estando o acórdão em consonância com a jurisprudência do STJ, o recurso especial encontra óbice na Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (nega-se provimento ao agravo interno).
Orders
- Negado provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PROVEDOR DE INTERNET. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO ESTADUAL EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte Estadual dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas. 2. A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que, se as informações são públicas, não se pode obrigar os provedores de pesquisas a eliminarem de seu sistema os resultados derivados da busca de determinado termo ou expressão. Precedentes 3. Estando o acórdão estadual em consonância com a jurisprudência do eg. STJ, o apelo nobre encontra óbice na Súmula 83/STJ, aplicável tanto pela alínea "a" como pela alínea "c" do permissivo constitucional. 4. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por LUIZ EDUARDO AURICCHIO BOTTURA contra decisão monocrática desta Relatoria que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. Nas razões recursais, o agravante alega, em síntese, que a desindexação de notícias dos resultados de busca não se confunde com a remoção total dessas notícias e não é incompatível com a tese fixada pelo STF no Tema Repetitivo 786. Defende. alternativamente seja anulado o acórdão do TJSP por negativa de prestação jurisdicional, já que a Corte de origem deixou de apreciar o pedido efetivamente formulado. Ao final, requer a reforma da decisão agravada pela Turma Julgadora. Intimadas, as partes agravadas apresentaram manifestação, às fls. 5826/5837, 5838/5864 e 5865/5892. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PROVEDOR DE INTERNET. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO ESTADUAL EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte Estadual dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas. 2. A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que, se as informações são públicas, não se pode obrigar os provedores de pesquisas a eliminarem de seu sistema os resultados derivados da busca de determinado termo ou expressão. Precedentes 3. Estando o acórdão estadual em consonância com a jurisprudência do eg. STJ, o apelo nobre encontra óbice na Súmula 83/STJ, aplicável tanto pela alínea "a" como pela alínea "c" do permissivo constitucional. 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO A irresignação não merece prosperar. Conforme constou na decisão agravada, não prospera a alegada negativa de prestação jurisdicional, pois o acórdão recorrido adotou fundamentação suficiente decidindo integralmente a controvérsia, como se verá a seguir. É indevido conjecturar-se a existência de omissão, obscuridade ou contradição no julgado apenas porque decidido em desconformidade com os interesses da parte. No caso, o recorrente pleiteia a desindexação de notícias dos resultados de busca ao seu nome, ou seja, requer não sejam mostrados pelo provedor recorrido os resultados de busca que retornam notícias sobre acusações contra o recorrente já julgadas improcedentes ou arquivadas. Sobre o tema, a Corte de origem consignou: "No presente caso, como o próprio apelante afirma às fls. 5028, item 4 de seu recurso, o propósito da ação é: "remover dos resultados de busca as notícias sobre acusações contra o Autor-Apelante que já foram arquivadas ou julgadas improcedentes. E todas já foram: a última foi chamada de aberração jurídica em um HC, logo depois do STJ ter provido dois outros RHCs (f. 2881), onde o Apelante juntou certidão da inexistência da tal ação (f. 2963) e prova de que seu histórico criminal hoje se resume a duas queixas crimes rejeitadas liminarmente (antes da audiência conciliatória) e em fase de recurso (f. 2917/2954)" A colisão entre direitos fundamentais de proteção à honra e à imagem e à livre manifestação do pensamento e à inviolabilidade das comunicações, devem ser sopesadas, acolhendo-se o mais razoável. No presente caso, como bem observou a sentença, as URLs que o apelante pretende ver removidas, tratam de notícias verdadeiras, tanto que por ele afirmadas que as acusações já foram arquivadas ou julgadas improcedentes, não sendo razoável a pretensão inicial, eis que delas não induz afronta à honra ou à sua imagem. A juntada do acórdão proferido por este Relator, não pode ser equiparado a caso análogo ao presente, eis que a matéria lá versada era distinta, já que abordou a existência de fotomontagens; imagem de ficha de antecedentes criminais na reprodução de um fato considerado inexistente e danoso ao recorrido. O direito ao esquecimento não se sobrepõe a divulgação de fato de interesse público, verdadeiro e que não afronta os direitos de personalidade do apelante." (e-STJ, fls. 5252/5253) Como visto, a Corte de origem consignou expressamente que as URLs que o apelante pretende ver removidas tratam de notícias verdadeiras, o que, vale destacar, não se confunde com a alegação de que seriam verdadeiras as acusações, razão pela qual não há que se falar em omissão do TJSP em enfrentar o fato de que as acusações constantes nos resultados de busca já foram arquivadas e/ ou julgadas improcedentes. Dito isto, tem-se que o entendimento acima encontra-se de acordo com a jurisprudência desta Corte Superior: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MARCO CIVIL DA INTERNET. PROVEDOR DE BUSCAS. INEXISTÊNCIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO DE DIREITO AO ESQUECIMENTO. TESE FIXADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. ALEGADO DISTINGUISHING QUE NÃO SE SUSTENTA. 1. Controvérsia sobre a legalidade da ordem a determinar a abstenção de vinculação do nome do demandante a notícias publicadas em mídia digital do jornal "O Globo" como resultado das buscas na ferramenta do Google. 2. Não se demonstra serem falsos os fatos narrados na notícia publicada no jornal digital, limitando-se a manifestar que foram arquivadas as investigações, o que desautoriza a pretensão de desindexação do referido conteúdo jornalístico do nome do demandante. 3. No mês de fevereiro do presente ano (2021), o Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário sob o rito da repercussão geral, rechaçou a existência do direito ao esquecimento, fixando a tese que ora se reproduz: "É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais - especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral - e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível." (RE 1010606, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/2021, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-096 DIVULG 19-05-2021 PUBLIC 20-05-2021) 4. Impossibilidade, assim, de ser reconhecido o direito a ver obstada a divulgação de fato consistente na realização de investigações acerca das atividades de determinado cidadão, não decorrendo, assim, violação a direitos da personalidade do demandante a apresentação de resultados publicados na imprensa digital pelo provedor de buscas na internet, mesmo que tragam algum incômodo àquele que fora objeto das referidas investigações. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO." (AgInt no REsp n. 1.774.425/RJ, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 18/3/2022.) "CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INTERNET. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. EXCLUSÃO DE RESULTADOS DE PROVEDOR DE APLICAÇÃO DE BUSCA. IMPOSSIBILIDADE. FORNECIMENTO DE LOCALIZADOR URL. NECESSIDADE. 1. Ação ajuizada em 18/12/2015, recurso especial interposto em 13/10/2017 e atribuído ao gabinete em 25/10/2018. 2. O propósito recursal consiste em determinar se o provedor de pesquisa pode ser obrigado a desindexar dos resultados de buscas conteúdos alegadamente ofensivos à imagem e à honra de terceiro. 3. O provedor de pesquisa constitui uma espécie do gênero provedor de conteúdo, pois esses sites não incluem, hospedam, organizam ou de qualquer outra forma gerenciam as páginas virtuais indicadas nos resultados disponibilizados, se limitando a indicar links onde podem ser encontrados os termos ou expressões de busca fornecidos pelo próprio usuário (REsp 1.316.921/RJ). 4. Os provedores de pesquisa virtual não podem ser obrigados a eliminar do seu sistema os resultados derivados da busca de determinado termo ou expressão, tampouco os resultados que apontem para uma foto ou texto específico, independentemente da indicação do URL da página onde este estiver inserido (Rcl 5.072/AC). 5. O precedente resultante do REsp 1.660.168/RJ não se aplica à espécie, pois fundamentou-se, sobretudo, no denominado direito ao esquecimento. Ocorre que, além desse direito não ter sido suscitado pelo recorrido para fundamentar sua pretensão, recentemente, o Supremo Tribunal Federal apreciou o Tema 786 e concluiu que o direito ao esquecimento é incompatível com a Constituição Federal. Ademais, a situação controvertida no recurso em julgamento não revela excepcionalidade a justificar a não aplicação da tese há muito consagrada na jurisprudência deste Tribunal. 6. Falta ao acórdão recorrido elemento essencial de validade, que é a identificação inequívoca, por meio dos localizadores únicos da internet (URLs), de quais informações devam ser censuradas dos resultados de busca. 7. Recurso especial provido. (REsp n. 1.771.911/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 16/3/2021, DJe de 26/4/2021.) Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.