HC 849847 - DECISAO
Por se tratar de ato judicial proferido monocraticamente por desembargador de Tribunal estadual, sem deliberação colegiada e sem exaurimento da instância anterior, o Superior Tribunal de Justiça não conhece do habeas corpus, com fundamento no art. 105, I, "c", da Constituição Federal e no art. 210 do Regimento...
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- Parties
- Paciente: JOELMA DOS SANTOS NUNES DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Ex Advogado Da Paciente: Dr. Wagner Paulo da Costa Francisco
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Pelo STJ (decisão Monocrática Não Submetida Ao Colegiado)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus; julgamento do agravo regimental prejudicado
- Legal Topics
- Desistência De Recursos, Falsidade Ideológica, Ampla Defesa, Competência Do STJ, Exaurimento Da Instância Anterior
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Parties
JOELMA DOS SANTOS NUNES DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Dr. Wagner Paulo da Costa Francisco
Ex Advogado Da Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Pelo STJ (decisão Monocrática Não Submetida Ao Colegiado)
Legal Issues
- 1 competência para conhecer de habeas corpus contra decisão monocrática de desembargador
- 2 necessidade de exaurimento da instância precedente antes de impetração ao STJ
- 3 eventual nulidade de ato de desistência de recursos sem anuência da paciente
Ratio Decidendi
Por se tratar de ato judicial proferido monocraticamente por desembargador de Tribunal estadual, sem deliberação colegiada e sem exaurimento da instância anterior, o Superior Tribunal de Justiça não conhece do habeas corpus, com fundamento no art. 105, I, "c", da Constituição Federal e no art. 210 do Regimento Interno do STJ; consequentemente, fica prejudicado o julgamento do agravo regimental.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus; julgamento do agravo regimental prejudicado
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Fica prejudicado o julgamento do agravo regimental de fls. 158-167.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de JOELMA DOS SANTOS NUNES DA SILVA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Consta dos autos que a paciente foi condenada às penas de 4 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão no regime inicial fechado e de pagamento de 32 dias-multa, como incursa nas sanções dos arts. 155, § 4º, II, e 171 do Código Penal. O impetrante alega que o ex-advogado da paciente, Dr. Wagner Paulo da Costa Francisco, teria protocolado indevidamente um pedido de desistência dos recursos interpostos, sem a anuência da paciente, utilizando-se de cópia da assinatura da procuração, o que configuraria falsidade ideológica. Sustenta que a decisão do Tribunal de origem, que teria indeferido o prosseguimento dos recursos especial e extraordinário, bem como dos respectivos agravos, estaria eivada de ilegalidade e nulidade, pois não haveria manifestação expressa da paciente quanto à desistência dos recursos. Afirma que a paciente teria sido vítima de má-fé do ex-patrono, que teria agido para prejudicá-la processualmente, e que a decisão da Corte estadual não deve ser mantida, pois ofenderia o princípio da ampla defesa. Requer, liminarmente e no mérito, a suspensão dos efeitos da decisão que acolheu o pedido de desistência dos recursos interpostos, obstando-se o trânsito em julgado da ação penal. O pedido de liminar foi indeferido (fls. 152-153). Agravo regimental interposto às fls. 158-167. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ ou, caso dele se conheça, pela denegação da ordem (fls. 211-215). É o relatório. O ato judicial impugnado foi proferido monocraticamente por desembargador no Tribunal de origem. Não há, portanto, deliberação colegiada sobre a matéria trazida na presente impetração, o que inviabiliza o conhecimento do habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça, diante do não exaurimento da instância antecedente. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATO COATOR DE DESEMBARGADORA DE TRIBUNAL ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA APRECIAR O WRIT. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não compete a este Superior Tribunal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática proferida por Desembargadora de Tribunal estadual. Conforme o art. 105, I, "c", da CF, compete ao STJ julgar o habeas corpus quando o coator for Tribunal sujeito à sua jurisdição. Desse modo, a matéria deveria haver sido submetida previamente ao órgão colegiado para posterior impetração de writ perante o STJ. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 878.088/BA, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024 - grifo próprio.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. RECLAMO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE DESEMBARGADOR RELATOR. WRIT MANIFESTAMENTE INCABÍVEL. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. INOCORRÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE NO ATO IMPUGNADO. PRISÃO PREVENTIVA JUSTIFICADA PELAS CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO IMPUTADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. De acordo com o disposto no art. 105, I, c, da Constituição Federal-CF, o Superior Tribunal de Justiça não é competente para processar e julgar writ sem o devido exaurimento da jurisdição na instância antecedente, como no caso em que a defesa se insurge contra decisão monocrática da Corte de origem. .. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 874.725/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 13/3/2024 - grifo próprio.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus, ficando prejudicado o julgamento do agravo regimental de fls. 158-167. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA