AREsp 1826294 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque a agravante não demonstrou o dissídio jurisprudencial na forma legalmente exigida (art. 1.029, §1º do CPC/2015 e art. 255 do RISTJ); transcrições de ementas sem cotejo analítico são insuficientes, incorrendo no óbice da Súmula 284 do STF, pelo que se mantém a decisão do tribunal...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Monocrática No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Despesas Condominiais, Convenção De Condomínio, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284 STF, Súmula 568 STJ, Obrigação Propter Rem, Recurso Especial, Agravo
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Procedural Posture
Agravo / Decisão Monocrática No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 comprovação de dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029, §1º do CPC/2015 e art. 255 do RISTJ
- 2 validade de previsão de exclusão do rateio de despesas pela convenção de condomínio
- 3 responsabilidade da proprietária por cotas condominiais quando eventual negócio não foi comunicado ao condomínio
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque a agravante não demonstrou o dissídio jurisprudencial na forma legalmente exigida (art. 1.029, §1º do CPC/2015 e art. 255 do RISTJ); transcrições de ementas sem cotejo analítico são insuficientes, incorrendo no óbice da Súmula 284 do STF, pelo que se mantém a decisão do tribunal de origem.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou provimento a recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado (fl. 471, e-STJ): Despesas de condomínio - Ação de cobrança - Cotas de rateio comum - Demanda em face de empresa proprietária de loja comercial situada no andar térreo - Sentença de procedência - Manutenção do julgado - Cabimento - Pretensão da ré em nomear à autoria o promitente comprador da unidade autônoma - Aludido negócio particular que, no entanto, jamais foi comunicado ao condomínio - "Res inter alios acta" e que, portanto, não produz efeitos com relação a terceiros - Responsabilidade da atual proprietária que remanesce - Alegação de que está isenta dos pagamentos por força da Convenção, pois seu relógio de força e de água são independentes - Inconsistência jurídica - Atas de assembleias gerais ordinárias que aprovaram os serviços de limpeza, jardinagem, de reforma de fachadas e de vistoria do Corpo de Bombeiros - Serviços que efetivamente beneficiaram à unidade autônoma em comento - Obrigação "propter rem" - Existência. Apelo da ré desprovido. Nas razões do recurso especial, a parte ora agravante alega a ocorrência de divergência jurisprudencial quanto aos arts. 1.335, 1.336, I, e 1.351 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que é indevido o pagamento dos valores pretendidos pela parte recorrida, uma vez que a convenção de condomínio conta com previsão que a exclui do rateio das despesas condominiais. Foram apresentadas contrarrazões às fls. 513/535, e-STJ. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. A Súmula nº 568 desta Corte dispõe que "relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". O agravo não merece provimento, uma vez que, como decidido pelo Tribunal de origem, o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado na forma exigida pelos artigos 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e 255, parágrafos 1º e 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. A simples transcrição de ementas ou votos, sem a exposição clara e precisa das circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não autoriza haver por atendida a suposta divergência. Tais circunstâncias prejudicam a compreensão da controvérsia e atraem o óbice contido no enunciado n. 284 da Súmula do STF. A propósito, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DANOS MORAIS. VALOR. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. DECISÃO MANTIDA. 1. O conhecimento do recurso especial fundamentado na alínea "c" do permissivo constitucional exige a indicação dos dispositivos legais que supostamente foram objeto de interpretação divergente. Ausente tal requisito, incide a Súmula n. 284/STF. 2. Não se considera comprovado o dissídio jurisprudencial, se não houve demonstração da divergência, mediante verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e realização de cotejo analítico entre elas (art. 541, parágrafo único, do CPC/1973). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1450854/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 19/8/2019, DJe 22/8/2019) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE PERMUTA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME PELO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ARGUMENTOS GENÉRICOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COTEJO ANALÍTICO NÃO EFETUADO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO. OBRIGAÇÃO PESSOAL. INCIDÊNCIA DO ART. 205 DO CC/2002. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A ARTIGOS DE LEI. INOVAÇÃO RECURSAL. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM RECONHECIDA NA ORIGEM. REVISÃO DAS CONCLUSÕES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E DO REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 1.026, § 2º, DO CPC/2015. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inviável a análise de ofensa aos dispositivos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada à Corte Suprema. 2. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão tornou-se omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 3. O dissídio jurisprudencial não foi comprovado, pois a parte agravante não efetuou o devido cotejo analítico entre as hipóteses apresentadas como divergentes, com transcrição dos trechos dos acórdãos confrontados, bem como menção das circunstâncias que os identifiquem ou assemelhem, nos termos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/1973 (ou 1.029, § 1º, do CPC/2015) e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. 4. Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência desta Casa, incide, na hipótese, o enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas a e/ou c do permissivo constitucional. Precedentes. 5. A alegação de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide somente foi trazida nas razões do recurso especial, constituindo indevida inovação recursal, e torna inviável a análise do pleito ante a configuração da preclusão consumativa. 6. A revisão da conclusão estadual - acerca da legitimidade ativa da recorrida; da legitimidade passiva do recorrente e de não ocorrência da alegada novação e consequente extinção da obrigação - demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providências inviáveis no âmbito do recurso especial, ante os óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. 7. A incidência da Súmula n. 7/STJ também impede rever a conclusão do TJPR de que os embargos declaratórios tiveram nítido caráter protelatório, o que culminou na aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. 8. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 9. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1180510/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/6/2019, DJe 25/6/2019) Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Intimem-se.