AREsp 2788124 - DECISAO
Conheceu-se do agravo por entender que alega omissão não suficientemente demonstrada, mas não conheceu-se do recurso especial devido à ausência de prequestionamento sobre a questão da coisa julgada, não apreciada pelo tribunal de origem mesmo após embargos declaratórios (incidência da Súmula 211/STJ); ademais, a...
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- Parties
- Agravante: N. D. CONSTRUCOES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA.; Órgão Julgador De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Despesas Condominiais, Obrigação Propter Rem, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios, Coisa Julgada, Súmulas
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Parties
N. D. CONSTRUCOES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA.
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 omissão/omissão não demonstrada em embargos de declaração e prequestionamento
- 2 legitimidade da cobrança de taxas condominiais (natureza propter rem)
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo por entender que alega omissão não suficientemente demonstrada, mas não conheceu-se do recurso especial devido à ausência de prequestionamento sobre a questão da coisa julgada, não apreciada pelo tribunal de origem mesmo após embargos declaratórios (incidência da Súmula 211/STJ); ademais, a legitimidade da execução das taxas condominiais decorre da natureza propter rem da obrigação, e eventual alteração do decidido exigiria reexame de fatos e provas vedado na via do recurso especial (Súmula 7/STJ). Foi majorado o honorário sucumbencial para 12% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
Orders
- Majorados os honorários sucumbenciais para 12% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, §11, do CPC
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por N. D. CONSTRUCOES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 149): APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS. NATUREZA PROPTER REM DA OBRIGAÇÃO. ISENÇÃO DAS TAXAS. AUSÊNCIA DE PROVAS. ART. 373, I DO CPC. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. I. Por se tratar de obrigação "propter rem", o pagamento da taxa condominial vincula o proprietário que consta do registro imobiliário; II. Em suas manifestações, a apelante não comprovou que a unidade imobiliária se manteve separada do restante do condomínio por tapumes e cercas, condição estabelecida para a isenção estipulada em assembléia geral, durante o período contemplado na execução, limitando-se a argumentar que a unidade não utilizava qualquer área comum; III. Quanto à alegação de inexistência de responsabilidade da apelante pelas despesas em atraso por não ser o possuidor do imóvel, destaco que não merece guarida a alegação, uma vez que posse é indiferente para a solução da discussão, pois o débito condominial é propter rem. IV. Sentença mantida; V. Recurso conhecido e desprovido. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 188-192). No recurso especial, alega, preliminarmente, ofensa aos arts. 489, II e III, §1º, I, II e 1.022, II, do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, que o acórdão contrariou as disposições contidas nos artigos 505, 506 e 507 do Código de Processo Civil, artigo 1.336, 1 do CC e artigo 12, § 1º, da Lei n. 4.591/64. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 217-235). Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 236-237), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 258-274). É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. De início, não prospera a alegada violação arts. 489, II e III, §1º, I, II e 1.022, II, do CPC, uma vez que deficiente sua fundamentação. Com efeito, a recorrente limitou-se a alegar, genericamente, ofensa aos referidos dispositivos, sem explicitar os pontos em que o acordão recorrido teria sido omisso, contraditório ou obscuro, bem como a relevância do enfrentamento da legislação e das teses recursais não analisadas. Incidência da Súmula n. 284/STF. Nesse sentido: .. 2. A indicação de violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de forma genérica, sem apontamento específico dos vícios do julgado impugnado, caracteriza-se como peça recursal deficiente, fazendo incidir ao caso o óbice da Súmula n 284/STF. .. 15. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nesta extensão, negar-lhe provimento. (AREsp n. 2.482.762/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/4/2025, DJEN de 24/4/2025.) Com efeito, da análise do acordão recorrido, observa-se que o Tribunal de origem, ao negar provimento à apelação, limitou-se a abordar que o que define a responsabilidade pelo pagamento das obrigações condominiais é a relação jurídica material com o imóvel, o que legitima a execução das taxas condominiais, sem abordar a questão da violação da coisa julgada. Logo, não foi cumprido o necessário e indispensável exame da questão pela decisão atacada, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Assim, incide no caso o enunciado da Súmula n. 211/STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". Nesse sentido, cito: 1. A ausência de debate acerca dos dispositivos legais tidos por violados, a despeito da oposição de embargos declaratórios, inviabiliza o conhecimento da matéria na instância especial, por falta de prequestionamento. Incidência das Súmulas n. 211 do STJ. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.433.979/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJEN de 17/2/2025.) .. 3. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de aclaratórios, impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 211/STJ. (AgInt no AREsp n. 1.714.930/SC, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024.) .. 2. Não se verifica o exame pelo Tribunal de origem, mesmo após a interposição dos embargos de declaração, da tese em torno da violação dos arts. 171 e 182 do Código Civil, razão pela qual incide, na espécie, a Súmula 211/STJ, ante a ausência do necessário prequestionamento viabilizador do recurso especial, requisito indispensável para o acesso às instâncias excepcionais. (AgInt no AREsp n. 2.713.012/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 13/11/2024.) No que tange à legitimidade da cobrança de taxas condominiais, a jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando a dívida de condomínio de obrigação propter rem e partindo-se da premissa de que o próprio imóvel gerador das despesas constitui garantia ao pagamento da dívida, o proprietário do imóvel pode ter seu bem penhorado no bojo de ação de cobrança, já em fase de cumprimento de sentença, da qual não figurou no polo passivo. Incide a Súmula n. 83/STJ. Nesse sentido: 1. O débito condominial tem natureza de obrigação propter rem, podendo, dessa forma, ser demandado de quem exerce a relação jurídica de direito material com a coisa, o que permite a penhora do imóvel mesmo que o proprietário não tenha participado da fase de conhecimento. Precedentes.2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.084.596/PR, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023.) 1. A dívida condominial tem natureza de obrigação propter rem, podendo, pois, ser demandada de quem exerce a relação jurídica de direito material com a coisa, o que permite a penhora do imóvel mesmo que o proprietário não tenha participado da fase de conhecimento e não conste no título executivo, resguardado o eventual direito de regresso. Precedentes. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. (AgInt no REsp n. 1.962.085/PR, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 23/3/2023.) No mais, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao reconhecimento da legitimidade da execução das taxas condominiais, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula n. 7/STJ. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 12% sobre o valor atualizado da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESPESAS CONDOMINIAIS . OBRIGAÇÃO PROPTER REM. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.