AREsp 2984098 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque a agravante não impugnou de forma específica e consistente o fundamento de inadmissibilidade baseado na incidência da Súmula 7 do STJ, ônus que lhe compete nos termos do art. 932, III, do CPC e do princípio da dialeticidade, de modo que o agravo em recurso especial não...
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- Parties
- Agravante / Executada: CELIA MARTINS DE PAULA GUAZZALOCA; Exequente: Condomínio Edifício Silvia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025) Agravo Interno Negado Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Despesas Condominiais, Impenhorabilidade Do Bem De Família, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Agravo Interno
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Parties
CELIA MARTINS DE PAULA GUAZZALOCA
Agravante / Executada
Condomínio Edifício Silvia
Exequente
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025) Agravo Interno Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial deveria ser conhecido apesar da alegada incidência da Súmula 7 do STJ devido a suposta natureza exclusivamente jurídica da controvérsia
- 2 Se a unidade condominial que gerou débito é excluída da impenhorabilidade prevista no art. 3º, IV, da Lei 8.009/90
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque a agravante não impugnou de forma específica e consistente o fundamento de inadmissibilidade baseado na incidência da Súmula 7 do STJ, ônus que lhe compete nos termos do art. 932, III, do CPC e do princípio da dialeticidade, de modo que o agravo em recurso especial não pôde ser conhecido.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/11/2025 a 10/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO de cobrança de despesas condominiais. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. 1. Ação de cobrança de despesas condominiais. 2. Agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da não impugnação dos seguintes fundamentos da decisão de inadmissibilidade: incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Consoante entendimento pacífico desta Corte, não merece conhecimento o agravo em recurso especial que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. Precedentes. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno interposto por CELIA MARTINS DE PAULA GUAZZALOCA contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial. Ação: de cobrança de despesas condominiais proposta pelo Condomínio Edifício Silvia, atualmente em cumprimento de sentença, na qual se efetivou penhora sobre a unidade condominial da executada. Decisão: determinou a manutenção da penhora sobre a própria unidade condominial geradora do débito, afastando a alegação de impenhorabilidade do bem de família com base na exceção do art. 3º, IV, da Lei 8.009/90. Acórdão: do TJ/SP negou provimento ao agravo de instrumento interposto por CELIA MARTINS DE PAULA GUAZZALOCA, ora agravante, nos termos da seguinte ementa (e-STJ fl. 29): DESPESAS CONDOMINIAIS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA SOBRE A UNIDADE CONDOMINIAL. PREVALECIMENTO. BEM DE FAMÍLIA. IMÓVEL NÃO ALCANÇADO PELO MANTO DA IMPENHORABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. Tratando-se de execução de valor decorrente de despesas condominiais, inexiste óbice a que a penhora incida sobre a própria unidade condominial. O fato de ser o único bem imóvel dos executados não determina a impenhorabilidade, por se tratar de situação excluída do âmbito de proteção da Lei nº 8.009/90 (art. 3º, inciso IV). Embargos de declaração: opostos pela agravante foram rejeitados. Decisão da Presidência do STJ: não conheceu do agravo em recurso especial interposto pela parte agravante devido à ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. Agravo interno: a parte agravante alega ter impugnado de forma direta e específica o fundamento relativo à Súmula 7/STJ no próprio agravo em recurso especial, sustentando que a controvérsia é exclusivamente de direito - interpretação do art. 3º, IV, da Lei 8.009/90 -, sem necessidade de reexame de provas. Requer, assim, o provimento do agravo para que seja determinado o processamento do recurso especial e apreciado o mérito. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO de cobrança de despesas condominiais. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. 1. Ação de cobrança de despesas condominiais. 2. Agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da não impugnação dos seguintes fundamentos da decisão de inadmissibilidade: incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Consoante entendimento pacífico desta Corte, não merece conhecimento o agravo em recurso especial que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A decisão agravada não conheceu do agravo em recurso especial, com base no art. 932, III, do CPC, ante a ausência de impugnação do seguinte fundamento da decisão de inadmissibilidade proferida pelo TJ/SP: i) incidência da Súmula 7 do STJ. - Do reexame de contexto fático-probatório (Súmula 7 do STJ) Da análise das razões do agravo em recurso especial, verifica-se que a parte agravante não impugnou a incidência da Súmula 7/STJ de forma consistente, limitando-se a alegar genericamente que pretendia a aplicação do direito à hipótese, sem demonstrar a desnecessidade do revolvimento de fatos e provas. Nesse sentido, confira-se: AgInt no AREsp 2.441.269/RS, Terceira Turma, DJe de 28/2/2024 e AgInt no AREsp 2.326.551/GO, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte agravante apontar que, nas razões do agravo em recurso especial, combateu os fundamentos da decisão agravada, ônus do qual não se desincumbiu, não sendo possível impugnar a decisão de admissibilidade nas razões do agravo interno. Assim sendo, consoante entendimento pacífico desta Corte, não merece conhecimento o agravo em recurso especial que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.152.939/RS, Terceira Turma, DJe de 18/8/2023 e AgInt no AREsp 1.895.548/GO, Quarta Turma, DJe de 18/3/2022. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.