HC 874929 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo regimental porque o prazo para interposição do recurso especial ainda estava em curso (encerrando-se em 27/12/2023), havendo possibilidade de manejo da via adequada; admitir o habeas corpus nessa hipótese seria subverter o sistema recursal e alargar inconstitucionalmente a competência do...
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- Parties
- Agravante: ROGER PEREIRA ROSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada Pela SEXTA TURMA (julgamento Virtual)
- Outcome
- Agravo regimental não provido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Desvirtuação Do Habeas Corpus, Inadequação Da Via Recursal, Possibilidade De Manejo Do Recurso Especial Enquanto Prazo Em Curso
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Parties
ROGER PEREIRA ROSA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada Pela SEXTA TURMA (julgamento Virtual)
Legal Issues
- 1 Se o habeas corpus pode ser utilizado como substitutivo de recurso especial
- 2 Se há constrangimento ilegal em decorrência do acórdão proferido pelo Tribunal a quo
- 3 Se o prazo para interposição do recurso especial em curso afasta a necessidade de habeas corpus
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo regimental porque o prazo para interposição do recurso especial ainda estava em curso (encerrando-se em 27/12/2023), havendo possibilidade de manejo da via adequada; admitir o habeas corpus nessa hipótese seria subverter o sistema recursal e alargar inconstitucionalmente a competência do writ.
Court Disposition
Agravo regimental não provido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao recurso
- Decisão mantida
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 12/03/2024 a 18/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participaram do julgamento os Srs. Ministros Teodoro Silva Santos e Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT). Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. MANDAMUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. DESVIRTUAMENTO DO HABEAS CORPUS. LAPSO PARA INTERPOSIÇÃO DO RESPECTIVO RECURSO ESPECIAL AINDA EM CURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO WRIT. POSSIBILIDADE DE MANEJO DA VIA ADEQUADA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese, verifica-se a possibilidade do manejo da via adequada para a obtenção do intento defensivo ou, ao menos, de uma resposta jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça, de modo que qualquer pronunciamento imediato desta Corte Superior quanto ao pleito vindicado pela impetrante seria precoce, além de implicar a subversão da essência do remédio heroico e o alargamento inconstitucional de sua competência para julgamento de habeas corpus. 2. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO ROGER PEREIRA ROSA agrava da decisão de fls. 313-314, em que indeferi liminarmente o habeas corpus, dada a inadequação da via eleita para o pleito. Para tanto, assere que "o que importa é somente a demonstração de uma ilegalidade capaz de atingir o direito de locomoção, sendo irrelevante se o habeas corpus foi impetrado antes ou depois do trânsito em julgado do acórdão estadual" (fl. 325). Requer, assim, "o conhecimento e o provimento do presente agravo regimental para reformar a decisão monocrática prolatada pelo Exmo. Ministro Relator, de modo a conhecer do habeas corpus, com enfrentamento adequado das teses defensivas" (fl. 326). EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. MANDAMUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. DESVIRTUAMENTO DO HABEAS CORPUS. LAPSO PARA INTERPOSIÇÃO DO RESPECTIVO RECURSO ESPECIAL AINDA EM CURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO WRIT. POSSIBILIDADE DE MANEJO DA VIA ADEQUADA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese, verifica-se a possibilidade do manejo da via adequada para a obtenção do intento defensivo ou, ao menos, de uma resposta jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça, de modo que qualquer pronunciamento imediato desta Corte Superior quanto ao pleito vindicado pela impetrante seria precoce, além de implicar a subversão da essência do remédio heroico e o alargamento inconstitucional de sua competência para julgamento de habeas corpus. 2. Agravo regimental não provido. VOTO Conforme já apontado na decisão vergastada, o agravante alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo na Apelação n. 5000155-09.2023.8.24.0020, em que foi mantida a sentença que o condenou "pela prática dos crimes previstos nos artigos 155, caput, do Código Penal e 155, § 4º, inciso II, na forma do artigo 14, inciso II, do mesmo diploma legal, à pena privativa de liberdade de 2 anos, 9 meses e 222 dias de reclusão, a ser cumprida em regime inicialmente semiaberto, e ao pagamento de 22 dias-multa, com valor unitário fixado em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente à época do fato" (fl. 105). Pleiteou a defesa, perante a Corte de origem, "a absolvição do primeiro crime de furto narrado na denúncia, afirmando inexistirem provas a lhe imputar a autoria dos fatos delituosos" (fl. 82). A esse respeito, releva salientar que o Superior Tribunal de Justiça, na esteira do que vem decidindo o Supremo Tribunal Federal - "prestigiando o sistema recursal ao tempo que preserva a importância e a utilidade do writ" (HC n. 320.306/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., Dje 11/10/2016) -, não admite que o remédio constitucional seja utilizado em substituição ao recurso próprio (apelação, recurso especial, recurso ordinário), tampouco à revisão criminal ou à medida cautelar, ressalvadas as situações em que, à vista da flagrante ilegalidade do ato apontado como coator, em prejuízo da liberdade do paciente, seja cogente a concessão, de ofício, da ordem de habeas corpus. Todavia, verifica-se que o prazo para que a Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina interponha o respectivo recurso especial se encerra em 27/12/2023, a evidenciar a possibilidade de manejo da via adequada para que se perquira uma resposta jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça. Logo, qualquer pronunciamento imediato desta Corte Superior quanto ao pleito vindicado pelo impetrante seria precoce, além de implicar a subversão da essência do remédio heroico e no alargamento inconstitucional de sua competência para julgamento de habeas corpus. Dessarte, mostra-se indevida a subversão do sistema recursal. À vista do exposto, nego provimento ao recurso.