HC 667360 - DECISAO
Não conhecer do pedido de detração porque a matéria não foi objeto de cognição pelo Tribunal de origem; admitir o exame pelo STJ configuraria habeas corpus per saltum e supressão de instância, violando o duplo grau de jurisdição e o devido processo legal, razão pela qual a liminar foi indeferida com fundamento no...
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- Parties
- Paciente: THOMAS JEFFERSON PEREIRA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Detração, Regime Inicial, Habeas Corpus Per Saltum, Supressão De Instância, Duplo Grau De Jurisdição
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Parties
THOMAS JEFFERSON PEREIRA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 detração do tempo de prisão cautelar
- 2 incabibilidade de apreciação per saltum pelo Superior Tribunal de Justiça
- 3 supressão de instância e violação do duplo grau de jurisdição
Ratio Decidendi
Não conhecer do pedido de detração porque a matéria não foi objeto de cognição pelo Tribunal de origem; admitir o exame pelo STJ configuraria habeas corpus per saltum e supressão de instância, violando o duplo grau de jurisdição e o devido processo legal, razão pela qual a liminar foi indeferida com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se dehabeas corpuscom pedido liminar impetrado em favor de THOMAS JEFFERSON PEREIRAno qual se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (HC n. 0009973-78.2017.8.26.0229). Consta dos autos que o paciente foi condenado, pelo crime previsto no art. 33 da Lei n. 11.343/2006,àpenade 8 anos e9 meses de reclusão. Irresignado, o paciente interpôs recurso de apelação, tendo o recurso sido parcialmente provido, em acórdão assim ementado -e-STJ fl. 91: TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. Recursos defensivos. Preliminares de inépcia da denúncia e cerceamento de defesa repelidas. Absolvição. Impossibilidade. Autoria e materialidade bem delineadas, o que rechaça a pretendida desclassificação para consumo pessoal. Redução dos aumentos operados nas iniciais. Penas diminuídas. Regime preservado. Parcial provimento. Na presente impetração, a defesa alega que, "com o advento da Lei 12.736/12, o Juiz processante, ao proferir sentença condenatória, deverá detrair o período de custódia cautelar para fins de fixação do regime prisional. Entendeu, ainda, que o § 2º do art. 387 do Código de Processo Penal não versa sobre progressão de regime prisional, instituto próprio da execução penal, mas sobre a possibilidade de se estabelecer regime inicial menos severo, descontando-se da pena aplicada o tempo de prisão cautelar do acusado, sendo, portanto, desnecessária a análise do requisito subjetivo, ou ainda de outros processos em andamento" (e-STJ fl. 5). Postula, ao final, a concessão da ordem parareconhecer a detração, nos termos do § 2º do art. 387 do CPP, e, consequentemente, fixar o regime mais brando. É, em síntese, o relatório. Decido. De saída, verifico que da questão suscitada no presente remédio constitucional - detração - não pode esta Casa conhecer diante da falta de manifestação sobre o tema pelo Tribunal de origem. Nessa alheta, fica impossibilitado o pronunciamento deste Sodalício, sobrepujando a competência da Corte estadual, sob pena de configuração do chamado habeas corpusper saltum,a ensejar supressão de instância e violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal substancial. Adequado à espécie, nessa perspectiva, o ensinamento de Renato Brasileiro, que, ao apreciar a matéria, destacou a inviabilidade do"pedido de julgamento de habeas corpus per saltum, ou seja, do julgamento do remédio heroico pelas instâncias superiores sem prévia provocação das instâncias inferiores acerca do constrangimento ilegal à liberdade de locomoção, sob pena de verdadeira supressão de instância e consequente violação do princípio do duplo grau de jurisdição"(LIMA, Renato Brasileiro. Manual de processo penal: volume único. 4. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 2.470). Nesse mesmo caminhar: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REGIME INICIAL.DETRAÇÃO.MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.WRIT NÃO CONHECIDO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Tratando-se de irresignação per saltum não cabe a esta Corte a análise inaugural da matéria, sob pena de incidir em indevida supressão de instância. 2. Agravo improvido. (AgRg no HC 522.299/ES, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 29/10/2019, grifei.) PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. DOSIMETRIA. EMPREGO DE ARMA. APREENSÃO E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. RECONHECIMENTO COM BASE NO DEPOIMENTO DO RÉU E EM PROVA TESTEMUNHAL. POSSIBILIDADE. PRESENÇA DE DUAS CAUSAS DE AUMENTO. MAJORAÇÃO ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO CONCRETA. OFENSA À SÚMULA 443/STJ. REGIME PRISIONAL FECHADO. GRAVIDADE ABSTRATA DA CONDUTA. FUNDAMENTO INIDÔNEO. PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL. RÉU PRIMÁRIO. SÚMULAS 440/STJ E 718 E 719 DO STF. DETRAÇÃO. TEMA NÃO ANALISADO PELA CORTE ESTADUAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. .. 8. No que se refere à detração do tempo de prisão cautelar, verifica-se que o tema ora deduzido não foi objeto de cognição pela Corte de origem, o que obsta o seu exame por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. 9. Writ não conhecido. Ordem concedida, de ofício, com o fim de reduzir a pena imposta ao paciente para 5 anos e 4 meses de reclusão, e estabelecer o regime prisional semiaberto para o início do desconto da reprimenda. (HC 579.177/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 09/06/2020, DJe 17/06/2020, grifei.) No mesmo sentido, a orientação do Supremo Tribunal Federal: Agravo regimental em recurso ordinário em habeas corpus. 2. Delito de vias de fato e violação de domicílio (art. 21, caput, do Decreto-Lei n. 3.688/41 e art. 150, § 1º, do Código Penal) 3. Inépcia da denúncia. Trancamento da ação penal por ausência de justa causa. Matéria não examinada nas instâncias anteriores. Supressão de instância. A extinção da ação penal de forma prematura somente é possível em situação de manifesta ilegalidade. Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (RHC 133.585 AgR, Rel. Ministro GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 21/06/2016, DJe 1º/08/2016.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça,indefiro liminarmenteohabeas corpus. Publique-se. Intimem-se.