HC 1052212 - DECISAO
Porquanto a decisão impugnada foi proferida monocraticamente por Desembargador, sem deliberação colegiada, é indispensável o prévio esgotamento da jurisdição na instância de origem; assim, não se conhece do habeas corpus em sede de Tribunal Superior, razão pela qual foi indeferida liminarmente a petição inicial com...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: MARCELO ANTONIO BENICIO XAVIER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
- Outcome
- Petição inicial indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Detração Da Pena, Fixação Do Regime Prisional, Habeas Corpus Contra Decisão Monocrática, Preclusão, Sustentação Oral, Exaurimento Da Instância
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Parties
MARCELO ANTONIO BENICIO XAVIER
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
Legal Issues
- 1 correta detração da pena preventiva
- 2 incidência da Súmula 691/STF sobre habeas corpus contra decisão monocrática
- 3 necessidade de exaurimento da jurisdição na instância anterior
Ratio Decidendi
Porquanto a decisão impugnada foi proferida monocraticamente por Desembargador, sem deliberação colegiada, é indispensável o prévio esgotamento da jurisdição na instância de origem; assim, não se conhece do habeas corpus em sede de Tribunal Superior, razão pela qual foi indeferida liminarmente a petição inicial com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ e na Súmula 691/STF.
Court Disposition
Petição inicial indeferida liminarmente
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de MARCELO ANTONIO BENICIO XAVIER contra decisão proferida pelo Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (HC n. 0828629-24.2025.8.10.0000). Narra-se nos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 155, § 4º, inciso II, do Código Penal, à pena de 4 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto (e-STJ fl. 50/62). Não houve recurso de apelação e o processo transitou em julgado. Inconformada com a fixação do regime prisional, a defesa impetrou habeas corpus, tendo o Desembargador Relator não conhecido a impetração (e-STJ fls. 21/22). No presente writ (e-STJ fls. 3/19), o impetrante alega que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal, em razão da incorreta detração da pena do paciente. Argumenta, em síntese, que ao contrário do que foi consignado na sentença, o paciente ficou preso preventivamente por 4 meses e 4 dias e não apenas 2 meses e 3 dias. Aponta que esse erro impediu que a pena ficasse abaixo de 4 anos, e com isso, que fosse fixado o regime aberto para cumprimento da pena. Dessa forma, requer, na liminar e no mérito, a concessão da ordem para retificar o tempo da prisão preventiva e, consequentemente, a fixação do regime aberto. É o relatório. Decido. Não obstante as razões deduzidas na petição inicial, não é possível dar seguimento ao presente writ. Tendo o decisum atacado sido proferido monocraticamente por Desembargador e não havendo deliberação colegiada do Tribunal de origem, inviabiliza-se o conhecimento de habeas corpus impetrado perante esta Corte Superior. Com efeito, é fundamental, no caso, o prévio exaurimento da jurisdição na anterior instância, antes de se comparecer ao Tribunal Superior. Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR. AUSÊNCIA DE DECISÃO COLEGIADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 691 DO STF. JULGAMENTO DE RECURSO DE APELAÇÃO. SUSTENTAÇÃO ORAL. NÃO INSURGÊNCIA DA DEFESA NO MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. No caso, observa-se que o habeas corpus ataca a decisão monocrática do relator que rejeitou manifestação da defesa que se opunha ao julgamento virtual, ao argumento de que pretendia fazer sustentação oral. Esta Corte possui entendimento pacificado no sentido de que não cabe habeas corpus contra decisão que indefere pedido liminar, ressalvado nos casos de flagrante ilegalidade ou teratologia da decisão impugnada, sob pena de indevida supressão de instância (Súmula 691/STF). O enunciado aplica-se também à hipótese em que o habeas corpus é manejado contra decisão singular do relator, a qual deveria ter sido impugnada por agravo regimental, que devolveria a questão ao colegiado competente. 2. Este Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que havendo pedido expresso de sustentação oral, a ausência de intimação do advogado constituído torna nula a sessão de julgamento. 3. Contudo, a nulidade deve ser arguída na primeira oportunidade em que a defesa tomar ciência do julgamento, levando ao conhecimento da Corte local, por meio do recurso cabível, a ocorrência do vício e o efetivo prejuízo, sob pena de preclusão. 4. Assim, não tendo sido o pedido acatado pelo Relator da apelação, caberia à defesa não ter quedado-se inerte perante o Tribunal de origem, devendo ter arguido tal nulidade nos embargos de declaração opostos, após o julgamento do recurso para debater a questão no Colegiado ou até mesmo como tentativa de sanar o alegado vício, o que não ocorreu na hipótese. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 632.095/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 14/09/2021, DJe 20/09/2021) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE. NÃO EXAURIMENTO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA. 1. Não cabe habeas corpus contra decisão monocrática de Desembargador relator, porquanto ausente manifestação colegiada do órgão de origem, pendente o esgotamento da instância a quo. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 567.094/RJ, Rel. Minist ro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2020, DJe 04/08/2020) Ante o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do STJ, indefiro liminarmente a petição inicial do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA