HC 1038117 - ACORDAO
Havendo trânsito em julgado da sentença condenatória e pendendo o cumprimento do mandado de prisão, a expedição da guia de recolhimento e a formação do processo de execução dependem do recolhimento do sentenciado, cabendo ao Juízo das Execuções Penais analisar pedidos de detração e de prisão domiciliar; não...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: NATALIA FERREIRA DE SOUZA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Nos Embargos De Declaração No Habeas Corpus / Sessão Virtual De 19/11/2025 a 25/11/2025; Julgamento Colegiado Agravo Regimental Apreciado E Desprovido
- Outcome
- Agravo regimental desprovido.
- Legal Topics
- Detração Da Pena, Prisão Domiciliar, Expedição De Guia De Recolhimento, Trânsito Em Julgado, Competência Do Juízo Da Execução
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NATALIA FERREIRA DE SOUZA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Agravo Regimental Nos Embargos De Declaração No Habeas Corpus / Sessão Virtual De 19/11/2025 a 25/11/2025; Julgamento Colegiado Agravo Regimental Apreciado E Desprovido
Legal Issues
- 1 Competência para análise de pedidos de detração da pena e prisão domiciliar
- 2 Cabimento de expedição de guia de recolhimento enquanto mandado de prisão estiver pendente de cumprimento
- 3 Existência ou não de constrangimento ilegal e de excepcionalidade que justifique intervenção do STJ
Ratio Decidendi
Havendo trânsito em julgado da sentença condenatória e pendendo o cumprimento do mandado de prisão, a expedição da guia de recolhimento e a formação do processo de execução dependem do recolhimento do sentenciado, cabendo ao Juízo das Execuções Penais analisar pedidos de detração e de prisão domiciliar; não demonstrada excepcionalidade que autorize supressão de instância ou atuação imediata do STJ, o agravo regimental deve ser desprovido.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido.
Orders
- Nego provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/11/2025 a 25/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PEDIDO DE ANÁLISE DE PEDIDOS DE DETRAÇÃO DA PENA E PRISÃO DOMICILIAR PELO JUÍZO DE CONHECIMENTO. SENTENÇA CONDENATÓRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 105 da Lei de Execuções Penais, "transitando em julgado a sentença que aplicar pena privativa de liberdade, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de guia de recolhimento para a execução". 2. No caso dos autos, não se vislumbra o alegado constrangimento ilegal, pois já houve o trânsito em julgado da sentença condenatória, de forma que, após o recolhimento da sentenciada ao cárcere, será possível a expedição da guia de execução definitiva e a análise, pelo Juízo da execução, dos pedidos de detração e prisão domiciliar formulados pela defesa, não se constatando a demonstração inequívoca da presença de excepcionalidade apta a inverter tal entendimento. 3. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por NATALIA FERREIRA DE SOUZA contra a decisão na qual indeferi liminarmente o habeas corpus impetrado em favor da ora agravante. Por oportuno, transcrevo o relatório da decisão agravada: Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de NATALIA FERREIRA DE SOUZA apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (HC n. 2256829-12.2025.8.26.0000). Depreende-se dos autos que o Juízo da 1ª Vara da Comarca de Itapetininga/SP determinou que a ora paciente deve formular diretamente ao Juízo da execução os pedidos de detração da pena e de nova concessão de prisão domiciliar, após o cumprimento do mandado de prisão, a expedição da guia de recolhimento e a distribuição do processo de execução (e-STJ fl. 19). Impetrado habeas corpus na origem, a Corte estadual denegou a ordem, nos termos do acórdão assim ementado (e-STJ fl. 152): Direito Penal. Habeas Corpus. Prisão Domiciliar. Ordem denegada. I. Caso em Exame 1. Habeas corpus alegando ausência de análise do pedido de detração e prisão domiciliar, configurando nulidade absoluta. II. Questão em Discussão 2. A questão em discussão consiste em determinar se houve ilegalidade na não apreciação dos pedidos de detração e prisão domiciliar pela autoridade judicial competente. III. Razões de Decidir 3. A ordem deve ser denegada, pois a Paciente foi condenada a oito anos de reclusão em regime fechado e a pagar mil e duzentos dias/multa por infração aos artigos 33 e 35 da Lei nº 11.343/06. 4. A decisão de origem está fundamentada, devendo a execução da pena ser analisada pela Vara das Execuções Penais após a expedição da guia de recolhimento definitiva. IV. Dispositivo e Tese 5. Denega-se a ordem. Na presente impetração, a defesa alega, em síntese, que "a omissão do Juízo de primeiro grau em analisar o pedido configura nulidade absoluta" e "o TJSP deveria ter determinado a apreciação imediata do mérito, e não simplesmente se eximir da análise, sob pena de perpetuar a ilegalidade" (e-STJ fl. 3). Acrescenta que "o STJ firmou entendimento de que o período de prisão domiciliar deve ser reconhecido para fins de detração penal, por restringir a liberdade da pessoa", assim como "admite a prisão domiciliar, mesmo em regime mais gravoso, diante de situações excepcionais, em interpretação extensiva do art. 117 da LEP, à luz da dignidade da pessoa humana e da proporcionalidade" (e-STJ fl. 3). Ao final, requer a concessão da ordem para "a) que seja determinado ao Juízo de origem a imediata análise do mérito quanto à detração e à prisão domiciliar; ou, subsidiariamente, b) que este E. Superior Tribunal conceda a ordem de ofício para restabelecer a prisão domiciliar da paciente, reconhecendo-se o tempo já cumprido em domicílio para fins de detração" (e-STJ fl. 4). Nas razões do agravo regimental, a defesa alega que "a decisão agravada .. incorreu em manifesta omissão e violação ao princípio da tutela jurisdicional efetiva, ao não enfrentar a questão de fundo: a ilegalidade da ausência de apreciação do pedido de prisão domiciliar e detração, mantendo a paciente em constrangimento ilegal" (e-STJ fl. 180). Reitera que, "no caso concreto, a paciente permaneceu por três anos em prisão domiciliar, sob fiscalização judicial, o que demonstra a necessidade de reconhecimento desse período para abatimento da pena" (e-STJ fl. 181). Quanto ao pleito de prisão domiciliar, sustenta que "a paciente é mãe de criança menor, e sua prisão em regime fechado compromete a subsistência e o cuidado direto com a filha, configurando hipótese de excepcionalidade reconhecida pela jurisprudência" (e-STJ fl. 182). Diante dessas considerações, requer a reconsideração da decisão agravada ou o provimento do recurso pelo colegiado para que (e-STJ fl. 183): a) seja determinada a imediata análise do mérito pela origem quanto à detração e à prisão domiciliar; ou, subsidiariamente, b) seja concedida a ordem de ofício para restabelecer a prisão domiciliar da paciente, computando-se o tempo já cumprido em domicílio para fins de detração penal. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PEDIDO DE ANÁLISE DE PEDIDOS DE DETRAÇÃO DA PENA E PRISÃO DOMICILIAR PELO JUÍZO DE CONHECIMENTO. SENTENÇA CONDENATÓRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 105 da Lei de Execuções Penais, "transitando em julgado a sentença que aplicar pena privativa de liberdade, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de guia de recolhimento para a execução". 2. No caso dos autos, não se vislumbra o alegado constrangimento ilegal, pois já houve o trânsito em julgado da sentença condenatória, de forma que, após o recolhimento da sentenciada ao cárcere, será possível a expedição da guia de execução definitiva e a análise, pelo Juízo da execução, dos pedidos de detração e prisão domiciliar formulados pela defesa, não se constatando a demonstração inequívoca da presença de excepcionalidade apta a inverter tal entendimento. 3. Agravo regimental desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Nada obstante as judiciosas ponderações do agravante, tenho que o recurso não merece prosperar. No caso, o Juízo da 1ª Vara da Comarca de Itapetininga/SP determinou que, "ante o trânsito em julgado da sentença condenatória, a pretensão da defesa em favor da sentenciada N. F. de S., de eventual detração penal e ou nova concessão da prisão domiciliar deverá ser apresentado diretamente ao Juízo natural da causa, ou seja, das Execuções Penais, que, após o cumprimento do mandado de prisão, expedição da guia de recolhimento e distribuição do correspondente processo de Execução, terá todos os elementos que constarem daquele feito para deliberações" (e-STJ fl. 19). Transcrevo, ainda, os fundamentos expostos pela Corte estadual para denegar a ordem do habeas corpus originário (e-STJ fl. 153): Consta dos autos que a Paciente foi condenada a cumprir pena de oito (08) anos de reclusão, no regime fechado, e a pagar mil e duzentos (1200) dias/multa, por infração ao artigo 33, "caput" e artigo 35, ambos da Lei nº 11.343/06. O impetrante apresentou cálculos de tempo de prisão provisória incorretos e, instado a se manifestar no prazo de cinco dias, permaneceu inerte. Pois bem. A decisão de fls. 1562 dos autos de origem se encontra adequadamente fundamentada, visto que a insurgência se refere à execução da pena, devendo ser analisada pelo juízo competente da Vara das Execuções Penais assim que for expedida a guia de recolhimento definitiva após o cumprimento do mandado de prisão e, consequentemente, formado o processo de execução. Por ora, forçoso reconhecer que se a questão não foi enfrentada pelo Juízo de origem, a apreciação por este Tribunal implicaria em supressão de instância, o que não se pode permitir. Conforme destacado na decisão ora recorrida, nota-se que já houve o trânsito em julgado da sentença condenatória e que ainda não foi expedida a guia de recolhimento da agravante, pois o mandado de prisão está pendente de cumprimento. Nesse contexto, não se vislumbra a alegada omissão das instâncias ordinárias, nem a existência de manifesta ilegalidade, pois, após o recolhimento da sentenciada ao cárcere, será possível a expedição da guia de execução definitiva e a análise, pelo Juízo da execução, dos pedidos de detração e prisão domiciliar formulados pela defesa, não se constatando a demonstração inequívoca da presença de excepcionalidade apta a inverter tal entendimento. Sobre a matéria, confiram-se os seguintes julgados, mutatis mutandis: DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXPEDIÇÃO DE GUIA DE RECOLHIMENTO . RECURSO NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Recurso ordinário em habeas corpus interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que denegou a ordem no HC n. 2292251-82.2024.8.26.0000, no qual se pretendia a expedição antecipada de guia de recolhimento definitiva, independentemente do cumprimento do mandado de prisão. 2. O recorrente foi condenado à pena de 8 anos, 3 meses e 5 dias de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, e 1 ano e 5 dias de detenção, em regime inicial semiaberto, pela prática dos crimes previstos no art. 121, § 2º, IV e VII c/c o art. 14, II, e no art. 340, na forma do art. 69, todos do Código Penal. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é cabível a expedição antecipada de guia de recolhimento definitiva sem o cumprimento do mandado de prisão, para que o recorrente possa pleitear a detração e progressão de regime. III. Razões de decidir 4. O entendimento do Tribunal a quo alinha-se à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que não admite a expedição de guia de execução enquanto o mandado de prisão definitiva estiver pendente de cumprimento e o condenado tiver que iniciar o cumprimento da pena em regime fechado. 5. A Resolução n. 474/2022 do Conselho Nacional de Justiça não se aplica ao caso, pois destina-se a condenados nos regimes aberto e semiaberto, enquanto o recorrente foi condenado em regime fechado. 6. Não há evidência de que eventual pedido de detração penal ou progressão de regime não venha a ser analisado pelo Juízo das Execuções, sendo necessário o cumprimento do mandado de prisão para a expedição da guia de recolhimento e instauração do processo de execução. IV. Dispositivo e tese 7. Recurso não provido. Tese de julgamento: "A expedição de guia de execução não é cabível enquanto o mandado de prisão definitiva estiver pendente de cumprimento e o condenado tiver que iniciar o cumprimento da pena em regime fechado". Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 121, § 2º, IV e VII; art. 14, II; art. 340; art. 69; Lei de Execução Penal, art. 105.Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC 192.408/CE, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 10/12/2024, DJEN de 17/12/2024; AgRg no HC 905.830/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 30/10/2024, DJe de 6/11/2024; AgRg no HC 940.134/MS, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024. (RHC n. 210.081/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19/3/2025, DJEN de 27/3/2025, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. EXPEDIÇÃO DE GUIA DE RECOLHIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MANDADO DE PRISÃO NÃO CUMPRIDO. ARTS. 105 DA LEP E 675 DO CPP. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO PRÉVIO DO SENTENCIADO À PRISÃO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 105 da Lei de Execução Penal e art. 675 do Código de Processo Penal, o início do cumprimento da pena privativa de liberdade se dá com o recolhimento do sentenciado à prisão e a expedição da respectiva guia de execução. 2. Segundo entendimento reiterado deste Superior Tribunal de Justiça, em regra, o exame dos pedidos de progressão prisional (art. 66, III, "b" e 112 da LEP) e de detração (art. 66, "c", III, da LEP), ou de qualquer outro benefício, estão condicionados ao cumprimento do mandado de prisão e, consequentemente, à expedição da guia definitiva pelo Juízo da Execução. 3. Tal entendimento tem sido excepcionado em casos específicos em que a condição do prévio recolhimento ao cárcere possa ser excessivamente gravosa, a depender das particularidades das situações de cada sentenciado. 4. Na hipótese sob exame, não foi demonstrada nenhuma excepcionalidade a autorizar o cancelamento do mandado de prisão do recorrente, em especial ao se considerar "que o apenado está em liberdade, dificultando a referida aferição a partir de elementos concretos. Até mesmo porque, como ostenta diversas condenações pretéritas, ainda há pena a ser resgatada em estabelecimento prisional, que não pode ser desconsiderada ou perdoada tão somente com base nas alegações defensivas" (e-STJ, fl. 72). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.004.977/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 10/8/2022, grifei.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator