REsp 2150712 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem adotou entendimento segundo o qual o tempo de prisão provisória deve ser considerado como pena cumprida e abatido do tempo necessário para progressão de regime, entendimento em consonância com o art. 42 do Código Penal, o art. 2º da Lei 7.210/84 e a...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Ministério Público do Mato Grosso; Agravado: Agravado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Detração Penal, Prisão Provisória, Progressão De Regime, Cômputo De Pena, Indulto
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Ministério Público do Mato Grosso
Recorrente
Agravado
Agravado
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Se o tempo de prisão provisória deve ser descontado do total da pena antes do cálculo da fração necessária para progressão de regime ou se pode ser descontado apenas da fração já apurada.
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem adotou entendimento segundo o qual o tempo de prisão provisória deve ser considerado como pena cumprida e abatido do tempo necessário para progressão de regime, entendimento em consonância com o art. 42 do Código Penal, o art. 2º da Lei 7.210/84 e a jurisprudência desta Corte, havendo óbice ao conhecimento do recurso na forma do Enunciado n. 83 da Súmula do STJ.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público do Mato Grosso com fundamento no art. 105, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, assim ementado (fls. 464): AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - INSURGÊNCIA MINISTERIAL - PLEITO DE DESCONTO DO TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA DO TOTAL DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE UNIFICADA IMPOSTA - INVIABILIDADE - TEMPO SEGREGADO CAUTELARMENTE COM NATUREZA DE PENA CUMPRIDA, DEVENDO SER DESCONTADO DO TOTAL DA FRAÇÃO INCIDENTE À TÍTULO DE PROGRESSÃO DE REGIME E OUTROS BENEFÍCIOS - RECURSO . IMPROVIDO O Ministério Público estadual interpôs agravo em execução contra decisão proferida pelo Juiz de primeiro grau, que aplicou a detração sobre a fração de pena utilizada para progressão de regime, em vez de aplicar sobre o montante da pena. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso. Neste recurso especial, argumenta-se que a detração penal deve ser subtraída do total da pena imposta ao réu e, após o resultado, ser calculado o tempo para a progressão de regime. Tendo em vista que o TJMT calculou a questão de forma diversa (calculou o prazo de progressão a partir da pena total e, uma vez obtido o resultado, considerou o tempo de prisão provisória como pena cumprida), teria havido violação ao artigo 42 do Código Penal. Portanto, requer a revisão do critério para utilização da detração penal durante a execução da pena. É o relatório. Decido. O Tribunal de origem negou provimento ao agravo em execução pelo seguintes fundamentos (fls. 466-469): .. Trata-se de recurso de agravo em execução penal interposto pelo Ministério Público contra decisão proferida pelo Juiz de Direito da Segunda Vara Criminal da Comarca da Capital, que aplicou a detração sobre a fração de pena utilizada para progressão de regime, em vez de aplicar sobre o montante da pena. A decisão combatida foi proferida nos seguintes termos: .. Conforme se verifica do caso concreto, o Agravado cumpre pena unificada de 14 (quatorze) anos e 07 (sete) meses de reclusão. Com efeito, à pedido da defesa, o juízo da execução determinou que fosse descontado o período em que o agravado permaneceu preso da fração em cumprimento da pena. Dessa forma, insurgiu-se o Ministério Público requerendo fosse descontado o tempo da prisão provisória do total da pena imposta ao reeducando para, somente então, calcular nova fração necessária para progressão de regime. Todavia, não merece prosperar a tese ministerial, uma vez que o período em que o reeducando permaneceu provisoriamente segregado deve ser considerado como pena devidamente cumprida. Não obstante, muito embora a matéria não seja pacífica por haver lacuna legislativa, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso vem decidindo de forma mais benéfica ao réu e mais adequada ao que dispõe o art. 2º da Lei 7.210/84 c/c art. 42 do Código Penal: .. Ante todo o exposto, conheço do agravo interposto e, no mérito, o desprovejo, de forma a afastar a irresignação do fiscal da lei agravante, mantendo o desconto da prisão provisória do réu da pena a ser cumprida para fins de progressão de regime. Via de consequência, mantenho incólumes todos os termos da decisão combatida por seus próprios fundamentos. O Tribunal de origem entendeu que o período em que o reeducando permaneceu provisoriamente segregado deve ser considerado como pena devidamente cumprida. Esse entendimento corrobora a jurisprudência desta Corte Superior, expressa nas seguintes ementas: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. INDULTO PREVISTO NO DECRETO PRESIDENCIAL N. 9.246/2017. REQUISITO OBJETIVO. CÔMPUTO DO PERÍODO DE PRISÃO PROVISÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 1º, IV, do Decreto n. 9246/2017, será concedido indulto natalino coletivo às pessoas nacionais e estrangeiras que, até 25 de dezembro de 2017, tenham cumprido "um quarto da pena, se homens, e um sexto da pena, se mulheres, na hipótese prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, quando a pena privativa de liberdade não for superior a oito anos". Por sua vez, dispõe o art. 42 do Código Penal que "computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior". 2. Depreende-se do art. 42 do Código Penal que, em caso de restrição da liberdade durante o processo de conhecimento, esse período deve ser considerado, para todos os fins, como pena efetivamente cumprida, podendo ser computado para lastrear benefícios da execução penal, inclusive o indulto. 3. Na hipótese, a Corte a quo entendeu que, como a agravada, ora condenada à pena de 3 anos de reclusão pela prática do delito disposto no art. § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, já havia cumprido 1/6 da sua reprimenda até a data da publicação do Decreto n. 9.246/2017, ainda que em prisão provisória, mostrava-se possível a concessão do pretendido indulto, pois satisfeito o requisito objetivo, nos termos decididos pelo Juiz das Execuções Penais. 4. A conclusão do Tribunal de origem encontra-se em consonância com a recente jurisprudência desta Corte, no sentido de que, "Haja vista o disposto no art. 42 do CP, para fins de análise dos requisitos de indulto previsto no Decreto Presidencial n. 9.246/2017, pode ser computado, no total da pena privativa de liberdade, o tempo de prisão provisória cumprido anteriormente à publicação da norma de regência" (AgRg no AREsp n. 1.784.347/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 14/3/2023). 5. Desse modo, em revisão do entendimento anterior, compreende-se que a melhor exegese dos dispositivos legais citados permite concluir pela possibilidade de cômputo da prisão provisória cumprida anteriormente à vigência do Decreto n. 9.246/2017, para fim de concessão do respectivo indulto, até mesmo porque não há vedação legal expressa em sentido contrário, de modo que não se mostra razoável a interpretação extensiva da legislação pátria para restringir a concessão do aludido benefício. Precedentes. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.035.796/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 16/6/2023.) g.n. Portanto, correto o entendimento da Corte de origem, segundo o qual, o tempo de prisão do recorrido deve ser considerado como pena efetivamente cumprida, e, por isso, deve ser abatido do tempo necessário para a progressão de regime. Assim, o recurso não deve ser conhecido, haja vista o óbice do enunciado n. 83 da Súmula do STJ. Ante o exposto, com fulcro no art. 255, § 4º, inciso I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA