HC 950714 - DECISAO
Denegou-se a ordem de habeas corpus, por entender que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o tempo em que o paciente permaneceu sob mera monitoração eletrônica sem intervalo de recolhimento domiciliar compulsório não se computa para fins de detração da pena; apenas o período de recolhimento domiciliar...
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- Parties
- Paciente: VINICIUS SANCHES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Denego a ordem de habeas corpus.
- Legal Topics
- Detração Penal, Medidas Cautelares Diversas Da Prisão, Monitoração Eletrônica, Recolhimento Domiciliar
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
VINICIUS SANCHES DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 possibilidade de detração da pena pelo período em que o sentenciado esteve submetido a monitoração eletrônica
- 2 alcance da detração em relação ao recolhimento domiciliar compulsório versus mera monitoração eletrônica
- 3 conversão de horas de recolhimento domiciliar em dias e desprezo de frações inferiores a 24 horas
Ratio Decidendi
Denegou-se a ordem de habeas corpus, por entender que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o tempo em que o paciente permaneceu sob mera monitoração eletrônica sem intervalo de recolhimento domiciliar compulsório não se computa para fins de detração da pena; apenas o período de recolhimento domiciliar obrigatório é passível de detração, limitado aos intervalos compulsórios, convertendo-se horas em dias e desconsiderando-se frações inferiores a vinte e quatro horas.
Court Disposition
Denego a ordem de habeas corpus.
Orders
- Denego a ordem de habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO VINICIUS SANCHES DA SILVA alega sofrer coação ilegal em seu direito de locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no Agravo em Execução n. 0003842-70.2024.8.26.0026, . A defesa busca a detração do período em que o paciente esteve em cumprimento de medida cautelar de monitoramento eletrônico, com a consequente alteração do regime inicial de cumprimento de pena fixado no édito condenatório. Decido. A questão a ser dirimida no presente writ é a possibilidade de se detrair da pena privativa de liberdade imposta em sentença condenatória, o período em que o sentenciado esteve em liberdade provisória, com o uso de tornozeleira eletrônica. A prisão domiciliar (art. 318 do CPP), como espécie de prisão provisória, é passível de detração penal. Quanto às demais cautelares do art. 319 do CPP. a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, nos autos do HC nº 455.097/PR, unificou o entendimento para admitir a detração do tempo de recolhimento domiciliar (art. 319, V, do CPP) determinado como medida substitutiva da prisão preventiva, limitada aos intervalos em que o constrito permaneceu obrigatoriamente recolhido em sua residência. Prevaleceu a compreensão majoritária de que, a "despeito da inexistência de previsão legal para a detração penal na hipótese de submissão do sentenciado a medidas cautelares diversas da prisão, o período de recolhimento domiciliar noturno, por ensejar a privação de liberdade do apenado, deve ser detraído da pena, em observância aos princípios da proporcionalidade e do non bis in idem" (AgRg no HC n. 713.847/SC, relator Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 25/3/2022). Entendeu-se que a soma das horas de recolhimento domiciliar a que o réu foi submetido deve ser convertida em dias para contagem da detração da pena. E se no cômputo total remanescer período menor que vinte e quatro horas, esse tempo deverá ser desconsiderado. Confira-se: .. 1. Consoante reiterados precedentes da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, o período de recolhimento domiciliar noturno imposto como medida cautelar diversa da prisão deve ser reconhecido como pena efetivamente cumprida para fins de detração por constituir restrição à liberdade de locomoção. Referido colegiado não diferencia o fato de ter havido, ou não, monitoração eletrônica. .. 4. A aplicação de medida diversa da prisão que impede o Acautelado de sair de casa no período noturno .. baseia-se em premissa que se assemelha ao cumprimento da pena em regime prisional semiaberto - hipótese na qual não se diverge que a restrição da liberdade do Reeducando decorre notadamente da circunstância de ser obrigado a recolher-se. 5. Sob essa perspectiva, afirmo que a diferenciação de tratamento não se justifica. Se o Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que há a configuração dos requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, admite que a condenação em regime semiaberto produza efeitos antes do trânsito em julgado da sentença (prisão preventiva compatibilizada com o regime carcerário do título prisional), mostra-se incoerente impedir que a medida cautelar aplicada na espécie - que pressupõe a saída do Réu de casa apenas durante o dia - seja descontada da reprimenda. Ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio: onde existe a mesma razão fundamental, aplica-se a mesma regra jurídica. .. 7. Nos autos do HC n. 455.097/PR, Rel. Ministra LAURITA VAZ, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que o período de recolhimento domiciliar fiscalizado por monitoramento eletrônico deve ser detraído, porque o rol do art. 42 do Código Penal é numerus apertus. É certo que a presente hipótese diferencia-se da examinada no referido leading case por tratar-se de pedido de detração de período em que o Paciente cumpriu medida cautelar de recolhimento noturno sem fiscalização eletrônica. 8. Todavia, independentemente do uso da tornozeleira, o óbice à detração do tempo de recolhimento domiciliar obrigatório sujeita o Apenado a excesso de execução, em razão da limitação objetiva à liberdade concretizada pela referida medida diversa do cárcere. 9. Dessa forma, incide na hipótese a mesma ratio decidendi adotada pela Terceira Seção no julgamento do HC n. 455.097/PR, no sentido de que o réu submetido a recolhimento domiciliar compulsório - a despeito do fato de encontrar-se em situação mais confortável em relação àqueles a quem se impõe o retorno ao estabelecimento prisional - está submetido a evidente restrição ao seu status libertatis, ao não mais dispor da mesma autodeterminação de uma pessoa integralmente livre. 10. No julgamento do HC n. 455.097/STJ, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou os critérios que devem ser adotados para esse desconto, considerando que o tempo a ser computado como pena cumprida, para fins de detração penal, limita-se aos intervalos em que o constrito permaneceu obrigatoriamente recolhido em seu domicílio. Os períodos em que lhe foi permitido sair, ou em que se encontrava voluntariamente em casa, não devem ser descontados. 11. Com efeito, é correta a conclusão de que o tempo a ser computado como pena cumprida, para fins de detração penal, limita-se aos intervalos em que o constrito permaneceu compulsoriamente recolhido em seu domicílio. Ou seja, os períodos em que lhe foi permitido sair, ou em que se encontrava voluntariamente em casa, não devem ser descontados. 12. Ademais, em conformidade ainda com o que foi decidido no HC n. 455.097/STJ pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, a soma das horas de recolhimento domiciliar a que o Réu foi submetido devem ser convertidas em dias para contagem da detração da pena. E se no cômputo total remanescer período menor que vinte e quatro horas, esse tempo deverá ser desconsiderado, em atenção à regra do art. 11 do Código Penal, segundo a qual devem ser desprezadas, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia. 13. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 652.810/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 14/09/2021, DJe 24/09/2021) No caso, o reeducando, no curso da ação penal em que foi condenado pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, obteve o benefício da liberdade provisória, mediante o cumprimento de medidas cautelares - monitoramento eletrônico e comparecimento periódico em Juízo. A pretensão defensiva, de que o período em que esteve submetido às referidas condições fosse detraído da pena privativa de liberdade imposta em desfavor do paciente, foi afastada pelas instâncias ordinárias, pois este "permaneceu solto durante toda a instrução processual, não sendo imposta a prisão domiciliar ou a obrigação de recolhimento ao domicílio em período noturno ou aos finais de semana, essas sim, medidas capazes de restringir a liberdade individual" (fl. 71). O acórdão impugnado está em consonância com a jurisprudência pacífica desta Corte Superior, de que, ""à míngua de previsão legal, o tempo de cumprimento da medida cautelar de monitoração eletrônica, prevista no art. 319, IX, do CPP, não deve ser computado para fins de detração penal, se não houver intervalo algum de recolhimento domiciliar compulsório" (AgRg nos EDcl no RHC n. 171.734/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 3/5/2023)" (AgRg no HC n. 887.930/PR, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024, destaquei). Na mesma direção, menciono, ainda: "a imposição de monitoração eletrônica com o objetivo de garantir o cumprimento das demais medidas cautelares substitutivas da prisão, sem intervalo de recolhimento domiciliar obrigatório, não configura restrição à liberdade de locomoção, para o fim de detração da pena (AgRg no HC n. 742.154/MG, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 22/8/2022)" (AgRg no REsp n. 1.902.212/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023). À vista do exposto, denego a ordem de habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA