HC 863394 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por constituir tentativa de substituir recurso próprio cabível, não havendo, ademais, ilegalidade flagrante apta a ensejar concessão de ofício; além disso, a detração pretendida do período anterior ao fato não é admitida e o Tribunal de origem informou inexistência de pedido de detração...
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- Parties
- Impetrante/paciente: EDSON KLEBES; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Assistente/manifestante: DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
- Outcome
- não conhecido o habeas corpus
- Legal Topics
- Detração Penal, Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Próprio, Supressão De Instância, Flagrante Ilegalidade, Bis in Idem
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Parties
EDSON KLEBES
Impetrante/paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO
Assistente/manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substituto de recurso próprio
- 2 possibilidade de detração de período anterior ao fato
- 3 existência de ilegalidade flagrante autorizadora de concessão de ofício
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por constituir tentativa de substituir recurso próprio cabível, não havendo, ademais, ilegalidade flagrante apta a ensejar concessão de ofício; além disso, a detração pretendida do período anterior ao fato não é admitida e o Tribunal de origem informou inexistência de pedido de detração pendente.
Court Disposition
não conhecido o habeas corpus
Orders
- indeferido o pedido liminar
- não conhecimento do writ com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado de próprio punho por EDSON KLEBES apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (HC n. 0025241-73.2023.8.26.0000). Depreende-se dos autos que o paciente teve indeferido pedido de detração penal. O Tribunal de origem não conheceu da ordem (e-STJ fls. 20/22). No presente writ, aduz o impetrante/paciente, em síntese, fazer jus à concessão da detração penal. Indeferido o pedido liminar pela decisão (e-STJ fls. 45-46) Prestadas informações pela origem (e-STJ fls. 53-75) O Ministério Público Federal emitiu parecer pelo não conhecimento do writ (e-STJ fls. 100-103) É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça entende que é inadmissível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior (grifei): PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024 - grifo próprio.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024.) Portanto, a impetração não pode ser conhecida. Por outro lado, o exame dos autos não indica a existência de ilegalidade flagrante, apta a autorizar a concessão da ordem de ofício. Da leitura dos autos, observo que o habeas corpus impetrado de próprio punho pelo impetrante visa obter detração da pena atual, por fato ocorrido em 20219, por tempo de prisão anterior ao cometimento do crime, o que não é possível. O acórdão da origem restou assim fundamentado (e-STJ fl. 21) : 2. Consoante se colhe das informações prestadas pela digna autoridade apontada como coatora, "O paciente atualmente cumpre pena em regime fechado por crime praticado em 11/01/2019, referente ao PEC acima, com término de penas previsto para 29/09/2028. Quanto ao objeto do presente writ informo que não há nos autos pedido de detração pendente de apreciação. No mais, informo que o sentenciado é devidamente assistido pela Defensoria Pública" (fl. 25). Pela clareza, colaciono parte da manifestação da Defensoria Pública da União (e-STJ fls. 92-93): Segundo informação constante nos autos, o paciente impetrou o Habeas Corpus, de próprio punho, perante o Superior Tribunal de Justiça pleiteando a concessão da detração penal, de crime cometido em 11.01.2019, pelo prazo anterior de cumprimento de pena (16.08.2013 a 27.10.2017). Ocorre que, conforme decisão do TJSP (e-STJ fls. 35-37), não consta no Processo de Execução Criminal do paciente pedido de detração penal pendente de apreciação. Dessa forma, o Tribunal negou o conhecimento da impetração por ocorrência de supressão de instância. Incabível assim detração da pena atual por tempo de prisão anterior ao fato, neste sentido, negritei: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS NÃO REALIZADA. EXTINÇÃO DO PROCESSO COM DETRAÇÃO ANTERIOR. PERÍODO DE PRISÃO CAUTELAR EM PROCESSO DISTINTO. BIS IN IDEM. SALDO DE PENAS IMPOSSÍVEL. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta eg. Corte, cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos estabelecidos na decisão agravada. II - Assente nesta Corte Superior que "é difícil admitir-se que o sujeito, de antemão, já possa ter "remido a culpa" por fato ainda vindouro, sob pena de se consagrar o indevido princípio da "conta corrente" (AgRg no REsp n. 1.036.459/RS, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 28/6/2011). III - No mesmo sentido, "O direito à detração da prisão cautelar requer o preenchimento dos seguintes requisitos: absolvição ou declaração de extinção da punibilidade, e que a data do cometimento do crime de que trata a execução seja anterior ao período pleiteado, conforme firme entendimento jurisprudencial desta Corte Superior" (AgRg no REsp n. 1.687.762/DF, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 14/3/2018). IV - No caso concreto, as instâncias ordinárias consideraram a detração do tempo de prisão preventiva em execução penal extinta (por justamente o seu integral cumprimento) antes da unificação de penas com a execução penal ora em curso, de forma que o novo cômputo do mesmo período seria hipótese de bis in idem, com típica formação de saldo de penas, o que é vedado em nosso ordenamento. V - No mais, as alegações de que o d. Juízo Sentenciante não possuía competência para declarar a extinção da punibilidade por detração e de inversão da ordem de cumprimento de penas (detenção antes da reclusão) ultrapassam os limites de cognição do habeas corpus, pois sequer foram analisados no v. acórdão de origem. VI - De resto, a d. Defesa limitou-se a reprisar os argumentos do habeas corpus, o que atrai a Súmula n. 182 desta eg. Corte Superior de Justiça. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 742.724/RJ, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 29/11/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA