AREsp 2660103 - DECISAO
O acórdão recorrido trouxe fundamentação suficiente nos termos do Tema n. 339 do STF e o agravo não impugnou de forma específica e concreta todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, nem demonstrou a inaplicabilidade da Súmula n. 83/STJ mediante indicação de precedentes do STJ; assim,...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Nego Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
- Outcome
- Nego seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Dever De Motivação, Repercussão Geral (tema N. 339), Negativa De Seguimento, Princípio Da Dialeticidade Recursal, Súmulas E Jurisprudência Do STJ
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Nego Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
Legal Issues
- 1 Se o acórdão recorrido afronta o art. 93, IX, da CF por não examinar pormenorizadamente as questões suscitadas
- 2 Se a ausência de impugnação específica de todos os fundamentos impede o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, CPC/2015 e súmula 182/STJ
- 3 Aplicabilidade da Súmula n. 83/STJ e necessidade de indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido trouxe fundamentação suficiente nos termos do Tema n. 339 do STF e o agravo não impugnou de forma específica e concreta todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, nem demonstrou a inaplicabilidade da Súmula n. 83/STJ mediante indicação de precedentes do STJ; assim, inexistindo ofensa à fundamentação constitucional e não havendo pressupostos para o prosseguimento, nego seguimento ao recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
Nego seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 1.030, I, a, CPC)
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa (fl. 3.947): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O princípio da dialeticidade recursal impõe que a parte recorrente impugne todos os fundamentos da decisão recorrida e demonstre, concreta e especificamente, o seu desacerto. 2. A falta de ataque a todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, CPC/2015, do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula n. 182/STJ, aplicável por analogia. 3. Na origem, o recurso especial não foi admitido diante dos óbices das Súmulas n. 7 e 83/STJ e da Súmula n. 283/STF. Todavia, no respectivo agravo, a Defesa se limitou a arguir, genericamente, a inaplicabilidade da Súmula n. 83/STJ, o que enseja a impossibilidade de seu conhecimento. 4. A impugnação da Súmula n. 83/STJ demanda que a parte demonstre que o entendimento adotado pelo Tribunal de origem diverge da jurisprudência desta Corte, com a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, o que não ocorreu no caso em exame. Precedentes. 5. Agravo regimental não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 3.979 - 3.980/4.022 - 4.024/4.053 - 4.055). A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, XXXV, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta ter havido negativa de prestação jurisdicional, pois o acórdão impugnado não teria analisado, de modo satisfatório, os argumentos suscitados no agravo regimental e nos embargos de declaração, que infirmariam a decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial, em patente ofensa ao princípio do dever de motivação das decisões judiciais. Salienta que teria impugnado todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, motivo pelo qual seria inaplicável o óbice sumular utilizado para não conhecer do agravo em recurso especial, notadamente porque as decisões estariam motivadas em elementos genéricos. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso extraordinário. É o relatório. 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 3.950-3.952): Observa-se que a decisão de inadmissão do recurso especial assentou os óbices das Súmulas n. 7 e 83/STJ e da Súmula n. 283/STF. Todavia, no respectivo agravo, a Defesa se limitou a arguir, genericamente, a inaplicabilidade da Súmula n. 83/STJ. O princípio da dialeticidade recursal impõe que a parte recorrente impugne todos os fundamentos da decisão recorrida e demonstre, concreta e especificamente, o seu desacerto. Esta Corte Superior pacificou o entendimento de que a ausência de efetiva impugnação dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem impede o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, CPC/2015, do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula n. 182/STJ, aplicável por analogia. Nesse sentido: .. Especificamente no tocante à refutação da Súmula n. 83/STJ, é consabido que a parte deve demonstrar que o entendimento adotado pelo Tribunal de origem diverge da jurisprudência desta Corte, com a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, o que não ocorreu no caso em exame. Nesse diapasão: .. Do mesmo modo, foi devidamente motivada a rejeição dos embargos de declaração (fls. 3.985-3.986): .. No caso, verifica-se que o recurso especial, na origem, não foi admitido, dentre outros motivos, porque - na linha da iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - a declaração de nulidade, relativa ou absoluta, demanda a comprovação de efetivo prejuízo, o que ensejou a aplicação do óbice contido na Súmula n. 83 do STJ (fls. 3790-3794). A jurisprudência desta Corte Superior é monolítica no sentido de que, na impugnação do aludido verbete, "incumbe à parte apontar julgados, deste Superior Tribunal, contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo ao cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte Superior é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada, ou mesmo demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie" (AgRg no AR Esp n. 2.253.769/PR, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 14/8/2023, D Je de 18/8/2023). Contudo, as razões do respectivo agravo (fls. 3830-3844), não se impugnou de maneira escorreita a incidência da Súmula n. 83 do STJ, uma vez que: i) não houve a indicação de julgados desta Corte Superior, contemporâneos ou posteriores ao referido na decisão de inadmissibilidade, que apoiassem a pretensão recursal; ii) limitou-se a afirmar a inaplicabilidade do julgado paradigma mencionado no decisum então gravado, ao singelo argumento de que da prova realizada supostamente em dissonância com os ditames legais teria decorrido a responsabilização do acusado. Nesse particular, é importante ressaltar que, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a condenação, por si só, não é geradora de prejuízo, cabendo ao agente demonstrar que, caso não tivesse ocorrido a nulidade, acarretaria a absolvição criminal ou a desclassificação da conduta, hipótese não ocorrida nos autos (AgRg no AREsp 2603174/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 06/08/2024, D Je de 13/08/2024). No mesmo sentido: AgRg no RHC 195722/PA, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 26/08/2024, D Je de 30/08/2024; AgRg no AR Esp 2084661/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/03/2024, D Je de 15/03/2024; AgRg no AR Esp 2192337/ES, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 08/08/2023, DJe de 15/08/2023. Em acréscimo é de se consignar que eventuais complementações realizadas apenas em sede de agravo regimental não se prestam a suprir omissões pretéritas, visto que inoportunas. Conclui-se, portanto, que a questão foi solucionada no acórdão embargado em consonância com a legislação pertinente e com a orientação jurisprudencial desta Corte. Vê-se, portanto, que os presentes aclaratórios revelam mero inconformismo da parte embargante, tendo sido opostos com o manifesto propósito de promover a rediscussão de matéria devidamente apreciada e já decidida, o que evidentemente não corresponde à finalidade desse recurso. A propósito: .. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. Ante o exposto, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme disposto no § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.