AREsp 2362309 - DECISAO
Conheceu-se do Agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o apelo pretendeu discutir suposta violação de dispositivo constitucional (matéria de competência do STF), não houve prequestionamento da matéria na Corte de origem (Súmula 211/STJ) e não foi demonstrado dissídio jurisprudencial na alínea 'c' por...
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- Parties
- Agravante: GERALDO JOSÉ SILVA SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Diferenças Salariais, Acúmulo De Função, Desvio De Função, Enriquecimento Sem Causa, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 211/stj
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Parties
GERALDO JOSÉ SILVA SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do Recurso Especial quando versar suposta violação de norma constitucional
- 2 necessidade de prequestionamento para conhecimento de matéria constitucional
- 3 comprovação do dissídio jurisprudencial pela alínea 'c' do art.105 da CF/88 (cotejo analítico)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do Agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o apelo pretendeu discutir suposta violação de dispositivo constitucional (matéria de competência do STF), não houve prequestionamento da matéria na Corte de origem (Súmula 211/STJ) e não foi demonstrado dissídio jurisprudencial na alínea 'c' por ausência de cotejo analítico e de comprovação de similitude fática e identidade jurídica entre os acórdãos confrontados.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por GERALDO JOSÉ SILVA SANTOS à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: DELEGADO DE POLÍCIA - DIFERENÇAS SALARIAIS GRATIFICAÇÃO POR ACÚMULO DE TITULARIDADE (GAT) - CUMULAÇIO DE FUNÇÃO EM OUTRAS DELEGACIAS ALÉM DA QUE ERA TITULAR, EM VIRTUDE DE DESIGNAÇÕES DETERMINADAS PELO DELEGADO GERAL, SEM A CORRESPONDENTE REMUNERAÇÃO - ABRANGÊNCIA DE PERÍODOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LC 1.020/07 INADMISSIBILIDADE. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente sustenta violação e dissídio jurisprudencial atinente à interpretação do art. 884 do Código Civil; e 37, caput, da CF/88, no que tange ao recebimento das diferenças remuneratórias decorrentes do indevido acúmulo de funções (independente do entendimento firmado na Lei Complementar n. 1.020/2007) sob pena de enriquecimento ilícito da parte adversa. Apresenta a seguinte argumentação: 11. Com efeito, o pedido do recorrente está amparado no princípio que veda enriquecimento sem causa , bem como em razão do desvio de função. 12. Consoante as certidões acostadas aos autos, o recorrente além de exercer a titularidade plena em uma Delegacia, acumulava atividade também em outras unidades policiais, sem receber as respectivas diferenças salariais, o que despeita não só a legislação estadual, mas também a Constituição Federal. .. 15. Aliás, é cômoda a atitude da recorrida, pois acabou economizando com o pagamento de um outro Delegado para assumir o posto em questão, em flagrante violação aos princípios da moralidade administrativa (artigo 37, "caput ", da Constituição Federal) e do enriquecimento sem causa (artigo 884 do Código Civil). .. 17. No caso vertente, é patente o desvio e acumulo de função, uma vez que a Administração Pública designou o recorrente a exercer além de sua função, outra sem efetuar a respectiva remuneração, o que é inadmissível em nosso ordenamento jurídico. .. 23. Assim, o V. Acórdão merece reparos, para que além dos acúmulos exercidos após a LC 1.020/2007 seja acolhido também os laborados anteriormente a lei em regência, sob pena de desrespeito ao princípio que veda o enriquecimento sem causa, expresso no artigo 884 do Código Civil. 24. Dessa forma, devidamente provada a violação do artigo 884 do Código Civil, deve ser dado provimento ao presente recurso, para que seja julgada procedente a ação nos termos da inicial, o que vem de encontro com o princípio que veda o enriquecimento sem causa (fls. 228-231). É o relatório Decido. Quanto à controvérsia, é incabível o Recurso Especial quando visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp 1.544.786/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16.6.2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: EDcl no REsp 1.435.837/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe de 1º.10.2019; EDcl no REsp 1.656.322/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 13.12.2019. Ademais, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Dessarte: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19.10.2010.) A propósito: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29.8.2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º.3.2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.8.2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.8.2022. Doutra banda, quanto à alínea "c" do permissivo constitucional, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nessa linha: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Em consonância: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Ainda, verifica-se que a questão debatida no Recurso Especial, que serve de base para o dissídio jurisprudencial, não foi examinada pela Corte de origem. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da questão debatida inviável a demonstração do dissenso jurisprudencial em razão da inexistência de identidade jurídica e similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido : "O óbice da ausência de prequestionamento impede a análise do dissenso jurisprudencial, porquanto inviável a comprovação da similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado". (AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.007.927/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 18.10.2022) Sobre o tema, confira-se ainda: AgInt no REsp n. 2.002.592/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 5.10.2022; AgInt no REsp n. 1.956.329/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 25.11.2021; AgInt no AREsp n. 1.787.611/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 13.5.2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA