RMS 70744 - DECISAO
O recurso não foi conhecido por ausência de interesse de agir dos impetrantes e por inexistência de prova pré-constituída de ato coator ou de direito líquido e certo, bem como por inadequação da via do mandado de segurança diante das previsões da Lei de Acesso à Informação e da Lei de Ação Popular que permitem...
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- Parties
- Impetrante: LUIZ CLÁUDIO AGUIAR AREAS; Impetrante: WAGNER MANHÃES MIRANDA; Autoridade Impetrada: Prefeito do Município de Campos dos Goytacazes; Sociedade Empresária Mencionada: WTC Recursos Humanos Eireli
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Recurso Em Mandado De Segurança
- Outcome
- Não conheço do recurso em mandado de segurança
- Legal Topics
- Direito À Informação, Interesse De Agir, Direito Líquido E Certo, Inadequação Da Via Eleita, Prova Pré Constituída, Súmulas Do Stf/stj
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Parties
LUIZ CLÁUDIO AGUIAR AREAS
Impetrante
WAGNER MANHÃES MIRANDA
Impetrante
Prefeito do Município de Campos dos Goytacazes
Autoridade Impetrada
WTC Recursos Humanos Eireli
Sociedade Empresária Mencionada
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Recurso Em Mandado De Segurança
Legal Issues
- 1 alegação de recusa de fornecimento de cópias de contratos e documentos pelo prefeito
- 2 adequação do mandado de segurança para proteger o direito à informação
- 3 existência de interesse de agir dos impetrantes
Ratio Decidendi
O recurso não foi conhecido por ausência de interesse de agir dos impetrantes e por inexistência de prova pré-constituída de ato coator ou de direito líquido e certo, bem como por inadequação da via do mandado de segurança diante das previsões da Lei de Acesso à Informação e da Lei de Ação Popular que permitem outros procedimentos para obtenção de documentos.
Court Disposition
Não conheço do recurso em mandado de segurança
Orders
- Não conhecimento do recurso em mandado de segurança nos termos do art. 34, XVIII, a, do RISTJ
- Sem condenação em honorários advocatícios nos termos do art. 25 da Lei 12.016/2009; e Súmula 105/STJ
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso em mandado de segurança interposto por LUIZ CLÁUDIO AGUIAR AREAS E OUTRO , contra acórdão assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE RECUSA DE FORNECIMENTO DE CÓPIAS DE CONTRATOS E DOCUMENTOS COM SOCIEDADE EMPRESÁRIA, PELO PREFEITO DE CAMPOS DE GOYTACAZES, PARA INSTRUIR AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEI FEDERAL Nº 4.717/65, QUE PREVÊ PROCEDIMENTO PRÓPRIO PARA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES E CERTIDÕES. ENUNCIADO Nº 101, DA SÚMULA DO STF. LEI FEDERAL Nº 12.527/2011, LEI DE ACESSO ÀS INFORMAÇÕES, QUE TEM COMO DESTINATÁRIO DO PEDIDO DE INFORMAÇÕES O ENTE PÚBLICO, NÃO PREVENDO A FIGURA DO PREFEITO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO INTERESSE DE AGIR. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE ATO COATOR OU PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA DO DIREITO LÍQUIDO CERTO, POIS SEQUER HOUVE ENCERRAMENTO DO PRAZO PARA QUE FOSSE PRESTADA A INFORMAÇÃO. INDEFERIMENTO DA INICIAL E DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. Os recorrentes alegam, em síntese, ser inadmissível que a autoridade impetrada se recuse a prestar as informações de interesse público, visto que não se tratam de atos administrativos acobertados pelo sigilo. O Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do recurso. É o relatório. Passo a decidir. Na origem, Luiz Cláudio Aguiar Areas e Wagner Manhães Miranda impetraram mandado de segurança, com pedido liminar, contra ato apontado ilegal atribuído ao Prefeito do Município de Campos dos Goytacazes com o objetivo de obter acesso a documentos relativos a contratos supostamente celebrados entre o Município e WTC Recursos Humanos Eireli a fim de instruir ação popular. O Tribunal de origem denegou a segurança, por ausência de interesse de agir, firme nos seguintes fundamentos: Inicialmente, cumpre destacar que, como exposto pelo Ministério Público, a pretensão dos impetrantes é amparada na lei de acesso a informações, que, em seu art. 1º, § 1º, descreve quais os entes que estão subordinados, não estando incluída a figura do prefeito. Outrossim, vale registrar o enunciado nº 101, da Súmula do STF: "O mandado de segurança não substitui a ação popular". Fato é que a lei federal nº 4.717/1965, lei de ação popular, em seu art. 1º, § 7º, possibilita ao magistrado requisitar cópia de procedimentos administrativos, a serem juntados nos próprios autos da ação popular, o que também demonstra a ausência de interesse de agir. .. Desta forma, correto o parecer, ao consignar que caberia a administração pública e não, ao prefeito apresentar os documentos, resta, assim, flagrante a ausência de interesse de agir dos impetrantes. Consignou, ainda, não estar demonstrado o direito líquido e certo, in verbis: Como se observa no indexador 02, do Anexo 1, o s impetrantes não comprovaram, em caráter preliminar, que houve recusa de seu pedido de informação, mas, apenas, o requerimento de obtenção de dados de contratos administrativos, o qual foi protocolado em 24/02/2022. Destaque-se que não há qualquer notícia ou indício da quantidade de contratações, realizadas entre a administração pública e a empresa, o volume dos documentos, pleiteados ou mesmo a informação de qual prazo foi estipulado para que os impetrantes obtivessem tais informações. O processo não foi instruído com qualquer indício de omissão da administração em cumprir o requerimento, formulado. O impetrante não demonstrou, através de prova pré-constituída, a violação de direito líquido e certo, ou mesmo a existência do ato coator. .. Com efeito, o conjunto probatório não é suficiente para demonstrar o direito, pleiteado pelos impetrantes, relativamente à tese que houve inércia ou falha da administração pública. Nesse contexto, conforme anotado pelo parecer ministerial, verifica-se que os argumentos apontados no acórdão recorrido não restaram infirmados pela parte recorrente, que se limitou a repisar os argumentos aduzidos na inicial, relativamente ao direito à informação. Desse modo, a subsistência de fundamentos inatacados, aptos a manterem a conclusão do aresto impugnado, impede a admissão da pretensão recursal, a teor do entendimento da Súmula 283/STF: é inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. No mesmo sentido, é oportuno assentar que a dialeticidade recursal é um princípio fundamental da validade dos recursos, a partir do qual entende-se que o recorrente deve atacar os argumentos da decisão, e não somente manifestar a vontade de recorrer, ou aduzir razões genéricas. Com efeito, a jurisprudência desta Corte registra que "a Súmula nº 283 do STF prestigia o princípio da dialeticidade, por isso não se limita ao recurso extraordinário, também incidindo, por analogia, no recurso ordinário, quando o interessado não impugna, especificamente, fundamento suficiente para a manutenção do acórdão recorrido" (STJ, AgRg no RMS 30.555/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, DJe de 01/08/2012)". Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TOMADA DE CONTAS ESPECIAL JUNTO AO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO NÃO CONHECIDO PELO TCE/RJ. INSURGÊNCIA RECURSAL CARENTE DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, NO PONTO, DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. AMPLIAÇÃO DE SEU PRAZO NO ÂMBITO DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 1. O tópico recursal em que defende o cabimento do pedido de reconsideração perante o TCE/RJ não se acha adequadamente fundamentado, fazendo, por isso, atrair os óbices das Súmulas 283 e 284/STF. 2. O art. 74, § 1º, da Lei Estadual 5.427/2009, que previa a prescrição intercorrente em 3 (três) anos, foi revogado pelo art. 125, § 5º, da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que ampliou referido prazo para 5 (cinco) anos, antes de transcorrido o lapso trienal no caso concreto. 3. Recurso em mandado de segurança parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido (RMS 64.017/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 25/11/2021). Isso posto, nos termos do art. 34, XVIII, a, do RISTJ, não conheço do recurso em mandado de segurança. Sem condenação em honorários advocatícios art. 25 da Lei 12.016/2009; e Súmula 105/STJ. Intimem-se. EMENTA