AREsp 1949768 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a recorrente não demonstrou o dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico nem prequestionamento da tese indicada, sendo portanto inviável o conhecimento do recurso especial nos termos da alínea "c" do inciso III do art. 105 da CF/88;...
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- Parties
- Agravante: LUMINE EDITORA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários Advocatícios Por Equidade, Prequestionamento, Responsabilidade Contratual, Direitos Autorais, Dano Moral, Juros De Mora
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Parties
LUMINE EDITORA LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 ausência de demonstração de dissídio jurisprudencial por falta de cotejo analítico
- 2 possibilidade de fixação de honorários por equidade (art. 85, § 8º, CPC) alegada pela recorrente
- 3 ausência de prequestionamento da tese recursal no acórdão de origem
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a recorrente não demonstrou o dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico nem prequestionamento da tese indicada, sendo portanto inviável o conhecimento do recurso especial nos termos da alínea "c" do inciso III do art. 105 da CF/88; majoraram-se os honorários advocatícios em 15% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC, bem como eventual concessão de justiça gratuita
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por LUMINE EDITORA LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL RESPONSABILIDADE CONTRATUAL INOVAÇÃO RECURSAL CONHECIMENTO PARCIAL DO APELO INADIMPLÊNCIA DA EDITORA CONFIGURAÇÃO CONTRATOS SOBRE DIREITOS AUTORAIS INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA JUROS DE MORA MOMENTO DE INCIDÊNCIA INSTRUMENTO CONTRATUAL RECURSO NÃO PROVIDO Quanto à controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega violação do art. 85, § 8º do CPC, no que concerne à possibilidade de fixação dos honorários por equidade, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Nobre julgador, no caso do presente Recurso Especial, no caso da fixação do dano moral, se mostra desproporcional em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade devendo ser reformado o acórdão de origem. Como acórdão paradigma, adotamos o Recurso de Apelação oriundo do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina tombado sob o Nº 2011.084462-6. (fls. 646). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ademais, verifica-se que a tese recursal que serve de base para o dissídio jurisprudencial não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da tese recursal objeto da divergência, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: "A ausência de debate, no acórdão recorrido, acerca da tese recursal, também inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial, pois, sem discussão prévia pela instância pretérita, fica inviabilizada a demonstração de que houve adoção de interpretação diversa". (AgRg no AREsp n. 1.800.432/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/03/2021.) Sobre o tema, confira-se ainda o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.516.702/BA, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/12/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.