AREsp 2733974 - DECISAO
Não conhecer do Recurso Especial porque o recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos legais e não comprovou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo RISTJ, tampouco realizou o cotejo analítico necessário; diante disso, conhece-se do agravo para manter o não conhecimento do recurso especial...
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- Parties
- Recorrente: CARMOZINA LINO ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Conversão De Conta Bancária, Contas Tarifa Zero, Honorários Advocatícios
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Parties
CARMOZINA LINO ALVES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 indicação imprecisa de dispositivos legais no recurso especial
- 2 ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial na forma do art. 255, §1º, do RISTJ
- 3 aplicação da Súmula n. 284/STF
Ratio Decidendi
Não conhecer do Recurso Especial porque o recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos legais e não comprovou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo RISTJ, tampouco realizou o cotejo analítico necessário; diante disso, conhece-se do agravo para manter o não conhecimento do recurso especial e majora-se os honorários advocatícios em 15% sobre o valor arbitrado nas instâncias de origem.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por CARMOZINA LINO ALVES à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA CC CONVERSÃO DE CONTA CORRENTE PARA CONTA COM PACOTE DE TARIFAS ZERO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCLA. RECURSO INTERPOSTO PELA PARTE AUTORA QUE ALEGA A OCORRÊNCLA DE DESCONTOS INDEVIDOS EM CONTA EM TESE DESTINADA EXCLUSIVAMENTE AO RECEBIMENTO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. EXTRATO BANCÁRIO QUE DEMONSTRA A EXISTÊNCIA DE CONTA POUPANÇA. SERVIÇO QUE REFOGE AOS LIMITES DA GRATUIDADE DAS CHAMADAS "CONTAS TARIFA ZERO". POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS TARIFAS. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO PELA INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte alega divergência de interpretação jurisprudencial no que concerne à invalidade de descontos em conta em razão da inexistência de relação jurídica quanto à contratação de serviços tarifados no ato da abertura de conta para recebimento de benefício previdenciário, portanto, deve a recorrida ser condenada a pagar indenização por danos morais, trazendo a seguinte argumentação: A presente demanda versa sobre Ação Declaratória de inexistência de relação jurídica, quanto à contratação de serviços tarifados no ato da abertura da conta para recebimento de benefício previdenciário, tornando os descontos sofridos inválidos. Em seguida foi prolatada a sentença julgando improcedentes os pedidos. Logo após, a Autora apelou buscando a reforma da Sentença, considerando que a Recorrida sequer apresentou o suposto contrato. Contudo, no acórdão ora recorrido, o juízo a quo argumentou que nos extratos trazidos, a parte autora contratou "serviços remunerados", e que portanto, os descontos seriam devidos, entretanto, com uma simples análise dos autos, nota-se que este foi justamente o argumento combatido desde a Apelação. Considerando que tal decisão destoa dos demais tribunais brasileiros, faz-se necessária a reforma do Acórdão. .. Assim, vejamos os entendimentos de diversos Tribunais de Justiça, como forma de demonstrar a divergência de entendimento com o acórdão ora recorrido: .. Era necessário que fossem analisadas nos fundamentos do acórdão, as seguintes matérias de Direito: A inexistência do negócio jurídico, presente nos termos dos artigo 19, inciso I do CPC, considerando que a Instituição Financeira sequer juntou o contrato que comprova a anuência da conversão de conta, bem como o artigo 6º, inciso III e VI do CDC, haja vista a falta de informação para com o consumidor e os danos causados pela conversão da conta. Ademais, seria necessária a apreciação também da desvantagem exagerada alcançada pela parte ré nos termos do art. 51, IV, e § 1º , III, do CDC, no acórdão recorrido, e o total desrespeito ao que diz o artigo 39, inciso IV e o 51, inciso IV do CDC sobre o tema, sendo a conversão totalmente incompatível com a boa-fé, pois fere o artigo 1º e 2º da Resolução nº 3.402 de 06/09/2006 do Banco Central do Brasil. Assim, como nos exemplos jurisprudenciais trazidos, o acórdão recorrido ignorou o entendimento dos demais tribunais, bem como, do código de defesa do consumidor, por esse motivo, o acórdão merece ser reformado (fls. 173-178). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15.5.2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8.5.2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24.4.2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º.4.2020. Ademais, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não apresentou certidão, cópia autenticada ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tenha sido publicado o acórdão divergente; ou ainda a reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte (art. 255, § 1º, do RISTJ). Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "O dissídio jurisprudencial não foi devidamente comprovado, tendo em vista a ausência de demonstração da divergência mediante certidão ou cópia autenticada, citação de repositório oficial ou credenciado ou reprodução de julgado disponível na internet com a indicação da respectiva fonte. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.244.772/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 13.11.2018.) Ainda nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não restou comprovado conforme exigido nos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 e 255, § 1º, do RISTJ, uma vez que a parte agravante não juntou cópia dos paradigmas mencionados, nem citou o repositório oficial, autorizado ou credenciado em que foram publicados (ressalte-se que o Diário de Justiça em que não é publicado o inteiro teor do acórdão não satisfaz a exigência)." (AgInt no AREsp n. 828.758/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 4.5.2020). Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.517.575/RN, Rel. Ministra Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 12.6.2020; AgInt no REsp 1.790.289/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6.4.2020; REsp 1.790.038/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 9.6.2020; AgInt no AREsp 1.225.434/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 24.10.2019; AgInt no AREsp n. 844.603/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 20.5.2019. Além disso, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA