REsp 2137521 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque, embora interposto com fundamento na alínea 'c' do art. 105, III, da CF, o recorrente não atendeu aos requisitos do art. 1.029, § 1º, do CPC para demonstrar dissídio jurisprudencial (ausência de cotejo analítico), aplicando-se o óbice da Súmula 284/STF; ademais, a...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MARCELLO LUIS RODRIGUES ARAUJO; Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Órgão Recorrido: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (penal) / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Dissídio Jurisprudencial, Fundamentação Do Recurso, Art. 1.029, § 1º, CPC, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ, Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARCELLO LUIS RODRIGUES ARAUJO
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Recorrido
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (penal) / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Demonstração do dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029, § 1º, CPC
- 2 Incidência da Súmula 284 do STF por falta de cotejo analítico
- 3 Aplicação da Súmula 7 do STJ quanto à impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque, embora interposto com fundamento na alínea 'c' do art. 105, III, da CF, o recorrente não atendeu aos requisitos do art. 1.029, § 1º, do CPC para demonstrar dissídio jurisprudencial (ausência de cotejo analítico), aplicando-se o óbice da Súmula 284/STF; ademais, a fundamentação relativa à alínea 'a' foi considerada deficiente, motivo pelo qual, nos termos do art. 255, § 4º, I, do RISTJ, o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por MARCELLO LUIS RODRIGUES ARAUJO contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO nos autos da Apelação Criminal nº. 0800030-96.2021.4.05.8307. O recorrente foi condenado como incurso no art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei n. 201/1967, à pena de 3 (três) anos e 3 (três) meses de reclusão, em regime inicial aberto, substituída por penas restritivas de direitos, e ao ressarcimento de R$ 104.441,30 (cento e quatro mil, quatrocentos e quarenta e um reais e trinta centavos) (fls. 1.350-1.351). A apelação defensiva foi parcialmente provida apenas para redimensionar o dever de reparação solidária do dano, fixando-o em R$ 83.073,27 (oitenta e três mil, setenta e três reais e vinte e sete centavos), conforme fls. 1.384-1.393. Inconformado, o recorrente interpõe recurso especial para, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, alegar violação aos arts. 5º e 7º do Código de Processo Civil e divergência jurisprudencial quanto à necessidade de demonstração de dolo específico para o crime em comento (fls. 1.471-1.476). Em contrarrazões, o Ministério Público Federal sustenta que o recurso não deve ser conhecido devido à Súmula n. 7, STJ, e, no mérito, pugna pela manutenção da decisão recorrida (fls. 1.481-1.503). A Procuradoria-Geral da República opinou pelo não conhecimento do recurso, nos termos das Súmulas n. 284, STF, e n. 7, STJ, ou pelo seu desprovimento (fls. 1.532-1.534). É o relatório. DECIDO. Compulsando os autos, observo que o recurso especial foi interposto com base na alínea "c" do permissivo constitucional, sem a observância, porém, dos requisitos do art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil, quais sejam: "Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal, serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão: .. § 1º Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão divergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados." Por conseguinte, aplico o enunciado da Súmula n. 284, STF. A propósito: "(..) Embora o agravante tenha interposto o aludido recurso especial também com fundamento na alínea "c" do artigo 105, III, da Carta Magna, olvidou-se de realizar o devido cotejo analítico entre a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas, contrariando os artigos 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp n. 2.566.988/PR, Quinta Turma, Rel. Min. Daniela Teixeira, DJe de 22/8/2024) "AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. SÚMULA N.º 284/STF. COTEJO ANALÍTICO. INEXISTÊNCIA. REEXAME PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A ausência de delimitação da legislação federal alegadamente violada, inclusive no recurso especial fundado na divergência entre tribunais, impede a exata compreensão da controvérsia e atrai a incidência do óbice contido na Súmula n.º 284/STF. 2. A demonstração do dissídio jurisprudencial não se contenta com a mera transcrição de ementas, como ocorreu na hipótese dos autos, sendo indispensável um adequado cotejo analítico entre os julgados recorrido e paradigma que seja capaz de demonstrar a similitude fática entre situações jurídicas enfrentadas. (..)" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.447.962/DF, Sexta Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 7/10/2019) Outrossim, entendo que a fundamentação do recurso é deficiente, porquanto as razões recursais não permitem a plena compreensão da controvérsia quanto à interposição fundada na alínea "a". Diante do exposto, e nos termos do art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA