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Superior Tribunal de Justiça

Doloeventual Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc5b27ccdbf40b17144ca

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01

Holding and result

O agravo regimental foi negado porque o acolhimento da pretensão recursal exigiria o reexame do conjunto fático-probatório para verificar a existência de dolo eventual, procedimento vedado no recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ, razão pela qual o pedido tornou-se inviável nesta instância.

Court disposition

negado provimento ao agravo regimental

Orders

  • negar provimento ao agravo regimental

02

Material facts

Parties

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS

Recorrente

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sexta Turma)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta o MINISTÉRIO PÚBLICO que o recurso especial não visa revisar fatos ou provas, mas apenas a revaloração jurídica dos elementos consignados no acórdão, notadamente a distinção entre dolo eventual e culpa consciente, matéria de direito que não demandaria reexame probatório.
Respondent
O acórdão recorrido fundamentou-se no conjunto fático-probatório e concluiu pela culpa consciente diante do contexto probatório; o provimento do recurso especial exigiria rever essas premissas fático-processuais, o que está vedado pela Súmula n. 7 do STJ.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula n. 7 do STJ

    A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial

  2. 02

    Superior Tribunal de Justiça (interpretação da competência constitucional relativa ao recurso especial)

    O recurso especial limita-se à apreciação de questões de direito, não possibilitando a reavaliação dos fatos e das provas apurados nas instâncias ordinárias

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O agravo regimental foi negado porque o acolhimento da pretensão recursal exigiria o reexame do conjunto fático-probatório para verificar a existência de dolo eventual, procedimento vedado no recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ, razão pela qual o pedido tornou-se inviável nesta instância.

Obiter and limits

  • Foram citados precedentes que aplicam a Súmula n. 7 em hipóteses análogas (ex.: AgRg no AREsp n. 2.467.045/SC)
  • Menções a outras teses penais relacionadas (tráfico privilegiado, desclassificação de furto/roubo) como ilustrações da impossibilidade de revolvimento probatório no recurso especial

Court disposition

negado provimento ao agravo regimental

  • negar provimento ao agravo regimental

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator.

EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE HOMICÍDIO COM DOLO EVENTUAL. CRIMES DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. DESCLASSIFICAÇÃO PARA FORMA CULPOSA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

1. O Tribunal de origem, ao proferir o acórdão impugnado pelo recurso especial, firmou sua conclusão com base nos fatos e nas provas dos autos.

2. A pretensão do recurso especial demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos para aferir se os elementos constantes no processo são suficientes para caracterizar o dolo eventual na conduta do agente que, embriagado, conduzia veículo automotor e causou acidente de trânsito, bem como para determinar se estão presentes os requisitos necessários à pronúncia do acusado perante o Tribunal do Júri.

3. O pedido, portanto, envolve a revisitação das premissas fático-processuais cristalizadas pelas instâncias ordinárias, o que impede o conhecimento do recurso especial nesta instância, nos termos da Súmula n. 7 do STJ.

4. Agravo regimental improvido.

RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS contra a decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, ante o óbice referido na Súmula n. 7 do STJ. A parte recorrente argumenta que o recurso especial não pretende revisar fatos ou provas, mas apenas promover a revaloração jurídica dos elementos expressamente consignados no acórdão impugnado. Sustenta que a redefinição do enquadramento jurídico dos fatos já estabelecidos constitui mera revaloração, afastando a incidência da Súmula 7 desta Corte Superior. Alega, ainda, que o Tribunal de origem conferiu coloração normativa distinta daquela propugnada pelo órgão acusatório, em contrariedade à correta interpretação dos preceitos federais, conforme orientação da jurisprudência superior. Aduz que a questão central envolve a distinção entre dolo eventual e culpa consciente em crimes de trânsito praticados sob embriaguez, matéria de direito que não demanda incursão no conjunto probatório. Ao final, requer o conhecimento e provimento do agravo regimental para dar seguimento ao recurso especial. É o relatório.

EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE HOMICÍDIO COM DOLO EVENTUAL. CRIMES DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. DESCLASSIFICAÇÃO PARA FORMA CULPOSA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

1. O Tribunal de origem, ao proferir o acórdão impugnado pelo recurso especial, firmou sua conclusão com base nos fatos e nas provas dos autos.

2. A pretensão do recurso especial demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos para aferir se os elementos constantes no processo são suficientes para caracterizar o dolo eventual na conduta do agente que, embriagado, conduzia veículo automotor e causou acidente de trânsito, bem como para determinar se estão presentes os requisitos necessários à pronúncia do acusado perante o Tribunal do Júri.

3. O pedido, portanto, envolve a revisitação das premissas fático-processuais cristalizadas pelas instâncias ordinárias, o que impede o conhecimento do recurso especial nesta instância, nos termos da Súmula n. 7 do STJ.

4. Agravo regimental improvido.

VOTO O conhecimento da matéria que se pretende devolver em recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça exige que a manifestação desta Corte Superior se restrinja à aplicação do direito em tese, observadas as premissas fático-processuais cristalizadas pelas instâncias ordinárias. Essa é a razão de ser da Súmula n. 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial", uma vez que a competência outorgada pela Constituição Federal ao Superior Tribunal de Justiça referente à análise do recurso especial se restringe à apreciação de questões de direito, inviabilizando a reavaliação dos fatos e das provas apurados no processo. O recurso especial, assim, tem por finalidade garantir a uniformidade da interpretação da lei federal, limitando-se à verificação abstrata de sua aplicação ou interpretação pelos tribunais de origem, medida inviável quando a pretensão recursal demandar, ainda que de modo sutil, a análise das conclusões fático-processuais emprestadas pelas instâncias ordinárias, soberanas na apreciação das provas. No caso dos autos, o Tribunal de origem, fundamentando sua decisão no conjunto fático-probatório dos autos, concluiu que a embriaguez aliada ao excesso de velocidade, nos moldes em que delineados nas provas, não são elementos bastantes para configurar o dolo eventual nos crimes de tentativa de homicídio por atropelamento,

sendo necessária a identificação de outros elementos concretos aptos a indicar extrapolação do dever de cuidado. O acórdão consignou que, extraindo-se do contexto histórico do autor, das peculiaridades do momento do acidente e de suas declarações em juízo, a ação não se deu sob minimamente próximo do ânimo homicida, caracterizando-se a culpa consciente. A pretensão do recurso especial, portanto, esbarra no óbice mencionado, tornando-se inviável sua apreciação nesta instância, por demandar novo juízo de valor sobre o contexto probatório, nos termos da pacífica jurisprudência deste Tribunal Superior. A propósito (destaque próprio): PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA. INSUFICÊNCIA DA PROVA DA AUTORIA DELITIVA. VERIFICAÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. DOSIMETRIA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. A pretensão absolutória, baseada em alegações de insuficiência da prova judicializada da autoria delitiva, implicaria a necessidade de reexame de fatos e de provas, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. ..

5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.467.045/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 18/9/2024.) PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O NARCOTRÁFICO. PLEITO ABSOLUTÓRIO. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVA. ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. RECONHECIMENTO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO. INCOMPATIBILIDADE COM A CONDENAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO PARA O NARCOTRÁFICO. DEDICAÇÃO À ATIVIDADES CRIMINOSAS. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. INICIATIVA DO JULGADOR. FLAGRANTE ILEGALIDADE NÃO EVIDENCIADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Tendo as instâncias ordinárias demonstrado a existência de provas acerca da autoria e materialidade dos delitos de tráfico de drogas e associação para o narcotráfico, é certo que para se concluir de modo diverso, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - STJ.

2. Conforme sedimentado na jurisprudência desta Corte Superior, a causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006 é incompatível com a condenação pela prática do crime de associação para o narcotráfico, pois evidenciada a dedicação a atividades criminosas.

3. Com lastro na interpretação sistemática dos arts. 647-A e 654, § 2º, ambos do CPP, esta Corte Superior entende que a concessão da ordem de ofício é de iniciativa exclusiva do julgador, quando se deparar com flagrante ilegalidade em procedimento de sua competência. Todavia, não se vislumbra essa conjuntura na hipótese.

4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.565.957/TO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 11/9/2024.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DE FURTO. DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE VIOLÊNCIA E/OU GRAVE AMEAÇA. DESCABIMENTO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ.

1. O crime tipificado no art. 157 do Código Penal diverge do descrito no art. 155 do Código Penal em razão do emprego de violência, física ou moral, dirigida contra o detentor da coisa, ou seja, contra pessoa.

2. Na ação delitiva, as instâncias de origem, ao reconhecerem o crime de furto, concluíram que a violência foi direcionada exclusivamente contra a res.

3. Rever o entendimento externado pela instância ordinária para reconhecer as elementares do crime de roubo implicaria necessário reexame de provas, o que não se admite na via do recurso especial, tendo em vista o óbice da Súmula 7 desta Corte. Precedentes (AgRg no AREsp n. 332.612/MG, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 6/12/2016).

4. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.515.441/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 23/4/2024, DJe de 30/4/2024.) No mesmo sentido: AgRg no AREsp n. 1.842.117/DF, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 10/10/2023, DJe de 18/10/2023; AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp n. 2.556.734/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 30/8/2024; e AgRg no AREsp n. 1.828.230/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 20/6/2024. O acolhimento da tese recursal, em suma, demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, assim como a alteração das premissas estabelecidas pelo acórdão recorrido, o que é inviável no recurso especial, conforme esclarecido na Súmula n. 7 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no AREsp n. 2.467.045/SC

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.565.957/TO

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.515.441/RN

Case cited

AgRg no AREsp n. 1.842.117/DF

Case cited

AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp n. 2.556.734/MG

Case cited

AgRg no AREsp n. 1.828.230/PR

Case cited

Súmula n. 7 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

arts. 647-A e 654, § 2º, do CPP

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 157 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 155 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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