Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbfc67ccdbf40b16d9dda
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
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- Agravo Regimental No Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado (12/06/2025 a 18/06/2025)
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- Agravo Regimental No Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado (12/06/2025 a 18/06/2025)
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01
Holding and result
Em razão da dificuldade objetiva de se precisar o grau de influência da confissão qualificada sobre o Conselho de Sentença e com amparo na jurisprudência consolidada do STJ (incluindo a Súmula 545), é legítimo reconhecer a atenuante da confissão espontânea e aplicar, na segunda fase da dosimetria, a fração de 1/6 para redução da reprimenda, razão pela qual o agravo regimental foi negado provimento.
Court disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a aplicação da fração de 1/6 para redução da reprimenda em razão da atenuante da confissão espontânea
- Manter a pena fixada em 13 anos e 4 meses de reclusão, regime inicialmente fechado
02
Material facts
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
AgravanteAmounts and remedies
- Pena Original Meses: 144
- Pena Após Recurso Meses: 160
03
Procedural history
Posture
Agravo Regimental No Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado (12/06/2025 a 18/06/2025)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Aplicação da fração de 1/6 para atenuante da confissão qualificada em julgamento perante o Tribunal do Júri
- 02
Possibilidade de redução da pena em fração inferior a 1/6 quando a confissão é qualificada
- 03
Efeito da confissão qualificada na formação do convencimento do Conselho de Sentença
Party arguments
- Applicant
- O Ministério Público sustenta que a confissão qualificada não pode receber o mesmo peso de uma confissão plena, devendo a redução da pena obedecer à natureza da confissão; no caso concreto, pugna pela fração de 1/12, com base nos arts. 65, III, "d", e 67 do Código Penal e no art. 315, § 2º, VI, do CPP.
- Respondent
- A parte recorrida/decisão agravada entende que o réu admitiu a autoria em plenário, ainda que de forma qualificada, e que, diante da dificuldade de aferir o grau de influência dessa confissão sobre os jurados, a jurisprudência do STJ (incluindo a Súmula 545) autoriza reconhecer a atenuante e aplicar, por regra, a redução de 1/6 da reprimenda.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Súmula 545 do STJ
Quando a confissão é utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu faz jus à atenuante prevista no art. 65, III, "d", do Código Penal
- 02
Jurisprudência do STJ (diversos AgRg citados no acórdão)
A redução padrão para cada atenuante na dosimetria é, em regra, 1/6 da pena-base, salvo fundamentação concreta em sentido diverso
- 03
Decisão do acórdão (fundamentação)
No Tribunal do Júri os jurados decidem por íntima convicção, o que torna difícil aferir até que ponto a confissão influenciou a condenação
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Em razão da dificuldade objetiva de se precisar o grau de influência da confissão qualificada sobre o Conselho de Sentença e com amparo na jurisprudência consolidada do STJ (incluindo a Súmula 545), é legítimo reconhecer a atenuante da confissão espontânea e aplicar, na segunda fase da dosimetria, a fração de 1/6 para redução da reprimenda, razão pela qual o agravo regimental foi negado provimento.
Obiter and limits
- O STJ já admitiu, em casos concretos e com fundamentação específica, redução inferior a 1/6 quando a confissão for parcial ou qualificada
- A atenuante da confissão pode, em determinadas hipóteses, ser compensada integralmente com qualificadoras quando forem igualmente preponderantes
- É necessária fundamentação concreta para fixar redução ou aumento em patamar diverso de 1/6
Court disposition
Agravo regimental não provido
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a aplicação da fração de 1/6 para redução da reprimenda em razão da atenuante da confissão espontânea
- Manter a pena fixada em 13 anos e 4 meses de reclusão, regime inicialmente fechado
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/06/2025 a 18/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. ADMISSÃO QUALIFICADA REALIZADA PERANTE O JÚRI. APLICAÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/6. DIFICULDADE EM SE AFERIR O GRAU DE INFLUÊNCIA DA CONFISSÃO NA CONVICÇÃO DOS JURADOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Segundo a reiterada jurisprudência deste Superior Tribunal, "a confissão, ainda que parcial, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena. Ademais, reconhecida a citada atenuante, de rigor a redução da reprimenda intermediária em 1/6" (AgRg no REsp n. 1.578.476/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 22/3/2018, DJe de 3/4/2018).
2. No procedimento escalonado do Tribunal do Júri, "considerando a dificuldade em se concluir pela utilização pelos jurados da confissão espontânea para justificar a condenação, este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é suficiente que a tese defensiva tenha sido debatida em plenário, seja arguida pela defesa técnica ou alegada pelo réu em seu depoimento" (AgRg no AREsp n. 1.754.440/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/3/2021, DJe de 8/3/2021).
3. Diferentemente das decisões proferidas pelos juízes togados, que exigem expressa fundamentação, nos processos de competência do Tribunal do Júri, os jurados decidem pelo sistema da íntima convicção, com base na interpretação e na apreciação das provas que lhes são apresentadas e que entendam verossímeis.
4. Assim, tendo em vista a dificuldade em se precisar o quão relevante foi a confissão do réu, ainda que qualificada, para a decisão condenatória proferida pelos jurados, não há violação legal na aplicação da fração de 1/6 para a redução da reprimenda, ante o reconhecimento da atenuante. Precedentes.
5. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS agrava de decisão em que neguei provimento ao seu recurso especial. Neste regimental, o recorrente reitera a compreensão de que não se pode dar à confissão qualificada o mesmo peso que se dá à confissão plena, sob pena de se violar os arts. 65, III, "d", e 67, do CP, além do 315, § 2º, VI, do CPP. Entende que "uma coisa é reconhecer que a confissão, seja ela qual for, é capaz de atenuar a pena; outra coisa, completamente distinta, é definir a fração de atenuação em conformidade com a natureza da confissão, se plena, desclassificatória ou legitimatória" (fl. 723). Nesse contexto, considera que, como, no presente caso, a confissão do réu foi qualificada, o reconhecimento da atenuante deve ensejar a redução da reprimenda na fração de 1/12, em observância aos princípios da individualização da pena e da proporcionalidade. Pede a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do feito ao órgão colegiado.
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. ADMISSÃO QUALIFICADA REALIZADA PERANTE O JÚRI. APLICAÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/6. DIFICULDADE EM SE AFERIR O GRAU DE INFLUÊNCIA DA CONFISSÃO NA CONVICÇÃO DOS JURADOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Segundo a reiterada jurisprudência deste Superior Tribunal, "a confissão, ainda que parcial, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena. Ademais, reconhecida a citada atenuante, de rigor a redução da reprimenda intermediária em 1/6" (AgRg no REsp n. 1.578.476/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 22/3/2018, DJe de 3/4/2018).
2. No procedimento escalonado do Tribunal do Júri, "considerando a dificuldade em se concluir pela utilização pelos jurados da confissão espontânea para justificar a condenação, este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é suficiente que a tese defensiva tenha sido debatida em plenário, seja arguida pela defesa técnica ou alegada pelo réu em seu depoimento" (AgRg no AREsp n. 1.754.440/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/3/2021, DJe de 8/3/2021).
3. Diferentemente das decisões proferidas pelos juízes togados, que exigem expressa fundamentação, nos processos de competência do Tribunal do Júri, os jurados decidem pelo sistema da íntima convicção, com base na interpretação e na apreciação das provas que lhes são apresentadas e que entendam verossímeis.
4. Assim, tendo em vista a dificuldade em se precisar o quão relevante foi a confissão do réu, ainda que qualificada, para a decisão condenatória proferida pelos jurados, não há violação legal na aplicação da fração de 1/6 para a redução da reprimenda, ante o reconhecimento da atenuante. Precedentes.
5. Agravo regimental não provido.
VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Não obstante os argumentos do recorrente, a decisão deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Segundo os autos, o recorrido foi condenado a 12 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, por incursão no art. 121, § 2º, II, do CP. Defesa e acusação apelaram à Corte estadual, que deu parcial provimento a ambos os recursos, de maneira que a pena do réu ficou em 13 anos e 4 meses de reclusão, mantido o regime fechado. Constou do acórdão, no que interessa (fls. 642-644): Na segunda etapa de dosimetria, não foram reconhecidas circunstâncias atenuantes ou agravantes. Busca a defesa seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea. Neste ponto, com razão. Verifico que o acusado, durante a sessão de julgamento, admitiu a autoria do crime, ainda que de forma qualificada, na tentativa de minimizar as consequências de sua conduta. Afirmou o réu, entre outras coisas, haver sido o responsável por desferir o golpe de faca em face da vítima, assim o tendo feito "no susto", eis que, segundo argumentou, após pagar a conta do bar a vítima apareceu "do nada", empurrando-o, chamando-o de folgado e, ao sair do estabelecimento para ir embora, o ofendido foi atrás, culminando com o golpe de faca. A confissão, para atenuar a reprimenda, deve consistir em ato voluntário, reflexo da própria personalidade do penalmente processado. É
certo, não caracteriza um ato de penitência do acusado, já que não demanda, para reconhecimento, qualquer manifestação de arrependimento seu, mas antes pura e verdadeira admissão do fato que lhe foi imputado. Sobre o tema, ensina de Guilherme de Souza Nucci: .. In casu, embora tenha o réu alegado agir em legítima defesa, certo é que admitiu haver desferido o golpe fatal, reconhecendo, pois, a autoria delitiva. Logo, tendo o réu admitido haver provocado na vítima a lesão constatada por meio do exame de corpo de delito, faz jus à circunstância atenuante da confissão espontânea, pouco importando seja ou não qualificada essa confissão. Em verdade, para reconhecimento da referida circunstância, basta que o agente tenha admitido a autoria delitiva durante a sessão plenária, já que as questões de direito que gravitam em torno do fato criminoso confessado, tais como desclassificação, excludentes de ilicitude ou culpabilidade, não serão apreciadas apenas com enfoque nas declarações do réu, mas, sobretudo, com base em todo o conjunto probatório constantes dos autos. A colocar uma pá de cal sobre o assunto, o STJ editou a súmula 545, in verbis: .. No caso em apreço, a confissão do acusado, ainda que qualificada, foi posta à apreciação do Conselho de Sentença, que pode ter dela se valido ao decidir pela condenação do réu. Posto isso, tenho que, in casu, o acusado se faz merecedor da
atenuante da confissão espontânea. Em relação ao assunto, foi editada a Súmula n. 545 do STJ, in verbis: "Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do Código Penal". Segundo a reiterada jurisprudência deste Superior Tribunal, "a confissão, ainda que parcial, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena. Ademais, reconhecida a citada atenuante, de rigor a redução da reprimenda intermediária em 1/6" (AgRg no REsp n. 1.578.476/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 22/3/2018, DJe de 3/4/2018). Lembro que, no procedimento escalonado do Tribunal do Júri, "considerando a dificuldade em se concluir pela utilização pelos jurados da confissão espontânea para justificar a condenação, este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é suficiente que a tese defensiva tenha sido debatida em plenário, seja arguida pela defesa técnica ou alegada pelo réu em seu depoimento" (AgRg no AREsp n. 1.754.440/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/3/2021, DJe de 8/3/2021, destaquei). Diferentemente das decisões proferidas pelos juízes togados, que exigem expressa fundamentação, nos processos de competência do Tribunal do Júri os jurados decidem pelo sistema da íntima convicção, com base na interpretação e na apreciação das provas que
lhes são apresentadas e que entendam verossímeis. Na presente hipótese, a Corte estadual asseverou que o acusado admitiu "haver sido o responsável por desferir o golpe de faca em face da vítima, assim o tendo feito "no susto", eis que, segundo argumentou, após pagar a conta do bar a vítima apareceu "do nada", empurrando-o, chamando-o de folgado e, ao sair do estabelecimento para ir embora, o ofendido foi atrás, culminando com o golpe de faca" (fl. 642). O colegiado local registrou que "a confissão do acusado, ainda que qualificada, foi posta à apreciação do Conselho de Sentença, que pode ter dela se valido ao decidir pela condenação do réu" (fl. 644, grifei) e aplicou a fração de 1/6 para reduzir a reprimenda na segunda fase da dosimetria. Não obstante o STJ, em alguns julgados, haja decidido que, "em razão da confissão ter sido parcial, justifica-se a redução da pena em fração inferior a 1/6 (AgRg no AREsp n. 2.286.191/GO, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24/4/2023)" (AgRg no REsp n. 2.065.143/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023), observo que a aplicação desse entendimento não prescinde o exame do caso concreto. Nesse contexto, tendo em vista a dificuldade em se precisar o quão relevante foi a confissão do réu, ainda que qualificada, para a decisão condenatória proferida pelos jurados, entendo
que não há violação legal na aplicação da fração de 1/6 para a redução da reprimenda, ante o reconhecimento da atenuante. A corroborar essa conclusão, cito vários julgados deste Superior Tribunal: PROCESSO PENAL. PENAL. HOMICÍDIO. ATENUANTE DA CONFISSÃO QUALIFICADA. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE UM DOZE AVOS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E PROPORCIONALIDADE. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. ADOÇÃO DA FRAÇÃO DE UM SEXTO. PRECEDENTES. I - Conforme dispõe o art. 258 c/c o art. 21-E, § 2º, do RISTJ, o agravo regimental destina-se a desafiar decisões monocráticas proferidas em matéria penal, motivo pelo qual caberia à parte recorrente impugnar os fundamentos que levaram ao acolhimento do pedido do recurso especial. II - Depreende-se das razões recursais que o agravante reconhece a atenuante da confissão qualificada, porém requer adoção de fração diferente de uma confissão plena. III - O Superior Tribunal de Justiça admite a incidência da atenuante em patamar inferior a um sexto quando se tratar de confissão qualificada. IV - No caso concreto, a confissão foi utilizada para formação do convencimento do julgador, assim, independentemente de ter sido qualificada, mantenho a fração de 1/6 (um sexto). Precedentes. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.124.202/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 16/8/2024, destaquei.) .. 3. "A
jurisprudência deste Superior Tribunal firmou-se no sentido de que o aumento para cada agravante ou de diminuição para cada atenuante deve ser realizado em 1/6 da pena-base, ante a ausência de critérios para a definição do patamar pelo legislador ordinário, devendo o aumento superior ou a redução inferior à fração paradigma estar concretamente fundamentado" (AgRg no REsp n. 2.056.208/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) 4. No caso dos autos, a confissão do agravado teve papel determinante na condenação, razão pela qual fica mantida em fração superior a 1/6. .. (AgRg no AREsp n. 2.148.000/GO, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 4/3/2024.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONFISSÃO QUALIFICADA. FRAÇÃO DE 1/6. MANUTENÇÃO. PAPEL PREPONDERANTE NA CONDENAÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A jurisprudência deste Superior Tribunal firmou-se no sentido de que o aumento para cada agravante ou de diminuição para cada atenuante deve ser realizado em 1/6 da pena-base, ante a ausência de critérios para a definição do patamar pelo legislador ordinário, devendo o aumento superior ou a redução inferior à fração paradigma estar concretamente fundamentado. No caso dos autos, não obstante a confissão do agravado ter sido qualificada, ela teve papel preponderante na condenação, razão pela qual fica mantida a fração de 1/6.
2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.056.208/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023, grifei.) ..
3. De outra parte, o quantum de diminuição pelo reconhecimento da atenuante da confissão espontânea deve observar os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da necessidade e da suficiência à reprovação e à prevenção do crime. Na hipótese, as instâncias de origem reduziram as penas dos recorrentes em 1 mês, sendo patente o constrangimento, pois desproporcional ao critério adotado na primeira fase, devendo ser aplicada a redução de 1/6 (um sexto), em razão da inexistência de justificativa para a redução em patamar inferior. É irrelevante o fato de a confissão haver sido espontânea ou não, total ou parcial, ou mesmo que tenha havido posterior retratação. Inteligência da Súmula n. 545 do STJ. .. (AgRg no REsp n. 1.919.602/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19/10/2021, DJe de 25/10/2021, destaquei.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. DOSIMETRIA DA PENA. CONFISSÃO PARCIAL. TESE SUSCITADA DURANTE O INTERROGATÓRIO DO RÉU. RECONHECIMENTO. POSSIBILIDADE. REDUÇÃO NO PATAMAR DE 1/6.
1. Nos termos da orientação desta Casa, "a confissão, ainda que parcial, ou mesmo qualificada - em que o agente admite a autoria dos fatos, alegando, porém, ter agido sob o pálio de excludentes de ilicitude ou de culpabilidade -, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena" (HC n. 350.956/SC, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 2/8/2016, DJe 15/8/2016).
2. De mais a mais, tratando-se "de julgamento realizado perante o Tribunal do Júri, todavia, considerando a dificuldade em se concluir pela utilização pelos jurados da confissão espontânea para justificar a condenação, este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é suficiente que a tese defensiva tenha sido debatida em plenário, seja arguida pela defesa técnica ou alegada pelo réu em seu depoimento" (AgRg no AREsp n. 1.754.440/MT, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 2/3/2021, DJe 8/3/2021).
3. A redução da reprimenda em razão da incidência de circunstância atenuante deve respeitar, em regra, o limite de 1/6 (um sexto), tal como operado na decisão agravada. Na hipótese, não foram declinados argumentos suficientes que pudessem justificar, com razoabilidade, a adoção de patamar inferior.
4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.664.126/AL, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/10/2021, DJe de 19/10/2021.) ..
4. De acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, a confissão, ainda que parcial, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena. Ademais, reconhecida a citada atenuante, de rigor a redução da reprimenda intermediária em 1/6. Precedente. .. (AgRg no REsp n. 1.578.476/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 22/3/2018, DJe de 3/4/2018.) No mesmo raciocínio, mutatis mutandis: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. DOSIMETRIA. CONFISSÃO QUALIFICADA. TESE SUSCITADA DURANTE O INTERROGATÓRIO DO RÉU. RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO INTEGRAL COM A QUALIFICADORA DESLOCADA PARA A SEGUNDA FASE DA PENA. POSSIBILIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS IGUALMENTE PREPONDERANTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Nos termos da orientação do Superior Tribunal de Justiça, "a confissão, ainda que parcial, ou mesmo qualificada - em que o agente admite a autoria dos fatos, alegando, porém, ter agido sob o pálio de excludentes de ilicitude ou de culpabilidade -, deve ser reconhecida e considerada para fins de atenuar a pena" (HC n. 350.956/SC, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 2/8/2016, DJe 15/8/2016).
2. De mais a mais, em se tratando "de julgamento realizado perante o Tribunal do Júri, todavia, considerando a dificuldade em se concluir pela utilização pelos jurados da confissão espontânea para justificar a condenação, este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é suficiente que a tese defensiva tenha sido debatida em plenário, seja arguida pela defesa técnica ou alegada pelo réu em seu depoimento" (AgRg no AREsp n. 1.754.440/MT, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 2/3/2021, DJe 8/3/2021).
3. A atenuante da confissão, mesmo qualificada, pode ser compensada integralmente com a qualificadora do motivo fútil, que fora deslocada para a segunda fase da dosimetria em razão da pluralidade de qualificadoras no caso concreto. Isso, porque são circunstâncias igualmente preponderantes, conforme entende este Tribunal Superior, que define que "tal conclusão, por certo, deve ser igualmente aplicada à hipótese dos autos, por se tratarem de circunstâncias igualmente preponderantes, que versam sobre os motivos determinantes do crime e a personalidade do réu, conforme a dicção do art. 67 do CP" (HC n. 408.668/SP, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 12/9/2017, DJe de 21/9/2017).
4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.010.303/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 18/11/2022.) Portanto, ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. A propósito: "É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos" (AgRg no HC n. 749.888/RS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 26/8/2022). À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.
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