HC 877168 - DECISAO
Embora o habeas corpus não deva ser conhecido quando utilizado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão transitado em julgado, houve flagrante ilegalidade na dosimetria: a utilização de condenações não aptas a caracterizar reincidência para desabonar a conduta social e personalidade é contrária à jurisprudência do STJ, e o prejuízo patrimonial, sendo consequência inerente ao estelionato, não justifica aumento da pena-base salvo se excessivo. Assim, a pena-base foi reduzida ao mínimo legal (1 ano) e, aplicada a diminuição de 1/3 prevista no §1º do art.171 do Código Penal, resultou em pena definitiva de 8 meses de reclusão; determinou-se regime aberto e substituição da pena por...
- Parties
- Paciente: MARTA ELISABETH MATTOS UCHOA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (Apelação Criminal n. 0163761-12.2016.8.06.0001)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (concessão Da Ordem De Ofício E Não Conhecimento Do Writ Como Substitutivo De Revisão Criminal)
- Outcome
- Não conhecido o habeas corpus como substitutivo de revisão criminal; concedida a ordem de ofício para reformar a dosimetria, fixando pena definitiva em 8 meses de reclusão e regime aberto com substituição por penas restritivas de direitos a ser definida pelo Juízo da Execução.
- Legal Topics
- Dosimetria Da Pena, Habeas Corpus, Revisão Criminal, Estelionato (art. 171 Do Código Penal), Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Substituição Por Penas Restritivas De Direitos
Case Brief
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Parties
MARTA ELISABETH MATTOS UCHOA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (Apelação Criminal n. 0163761-12.2016.8.06.0001)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (concessão Da Ordem De Ofício E Não Conhecimento Do Writ Como Substitutivo De Revisão Criminal)
Legal Issues
- 1 possibilidade de manejo de habeas corpus como substitutivo de revisão criminal contra acórdão já transitado em julgado
- 2 ilegalidade na elevação da pena-base por considerações sobre conduta social e personalidade fundamentadas em condenações não definitivas ou em elementos genéricos
- 3 utilização do prejuízo patrimonial como fundamento para aumento da pena-base no crime de estelionato
Ratio Decidendi
Embora o habeas corpus não deva ser conhecido quando utilizado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão transitado em julgado, houve flagrante ilegalidade na dosimetria: a utilização de condenações não aptas a caracterizar reincidência para desabonar a conduta social e personalidade é contrária à jurisprudência do STJ, e o prejuízo patrimonial, sendo consequência inerente ao estelionato, não justifica aumento da pena-base salvo se excessivo. Assim, a pena-base foi reduzida ao mínimo legal (1 ano) e, aplicada a diminuição de 1/3 prevista no §1º do art.171 do Código Penal, resultou em pena definitiva de 8 meses de reclusão; determinou-se regime aberto e substituição da pena por...
Court Disposition
Não conhecido o habeas corpus como substitutivo de revisão criminal; concedida a ordem de ofício para reformar a dosimetria, fixando pena definitiva em 8 meses de reclusão e regime aberto com substituição por penas restritivas de direitos a ser definida pelo Juízo da Execução.
Orders
- Não conhecer do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- Decotar o aumento da pena-base motivado pela negativação da conduta social e personalidade da paciente e pelo prejuízo patrimonial
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