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- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração, Com Efeitos Infringentes
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- Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração, Com Efeitos Infringentes
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Professional case brief
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01
Holding and result
Em observância à Súmula 231/STJ e ao entendimento vinculante do STF no Tema 158 (RE n. 597.270), a incidência de circunstância atenuante (confissão espontânea) não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal; assim, retifica-se a dosimetria mantendo-se a pena base em 13 anos e 6 meses, fixando-se o patamar mínimo legal em 12 anos na segunda fase, e aplicando-se a diminuição prevista pela tentativa (1/2) na terceira fase, resultando pena definitiva de 6 anos de reclusão em regime semiaberto.
Court disposition
Acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para retificar a pena do embargado.
Orders
- Retificar o cálculo da pena constante da decisão de fls. 581-586 (e-STJ).
- Na primeira fase, manter a pena fixada em 13 anos e 6 meses de reclusão.
- Na segunda fase, reconhecer a confissão espontânea, mantendo a reprimenda no patamar mínimo legal de 12 anos de reclusão.
- Na terceira fase, reconhecer a causa de diminuição pela tentativa (1/2), resultando pena definitiva de 6 anos de reclusão, no regime semiaberto.
- Publicar-se. Intimem-se.
02
Material facts
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
EmbarganteAmounts and remedies
- Pena Fixada (primeira Fase) Em Anos: 13.5
- Patamar Mínimo Legal (segunda Fase) Em Anos: 12
- Pena Definitiva (após Terceira Fase) Em Anos: 6
03
Procedural history
Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração, Com Efeitos Infringentes
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Se a incidência de circunstância atenuante pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal
- 02
Aplicabilidade e vigência da Súmula 231/STJ e do Tema 158 do STF
- 03
Competência do STJ para revisar precedentes vinculantes do STF
- 04
Aplicação do método trifásico de dosimetria (art. 68, CP) e limites da discricionariedade judicial
Party arguments
- Applicant
- O Ministério Público sustenta que a reprimenda fora reduzida em patamar inferior ao mínimo legal em decorrência da atenuante da confissão espontânea, violando a Súmula 231/STJ, e requer o acolhimento dos embargos para suprir a omissão e retificar a pena.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Súmula 231/STJ; Tema 158 (RE n. 597.270) do STF
A incidência de circunstância atenuante não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal
- 02
Constituição Federal / fundamento tratado no acórdão citado
Princípio da reserva legal impede modificação dos limites mínimo e máximo da pena pelo Judiciário
- 03
Tema 158 (RE n. 597.270) do STF
Princípio da proporcionalidade e da individualização da pena
- 04
Código Penal, art. 68
Método trifásico de dosimetria da pena limita a discricionariedade na segunda fase (art. 68, CP)
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Em observância à Súmula 231/STJ e ao entendimento vinculante do STF no Tema 158 (RE n. 597.270), a incidência de circunstância atenuante (confissão espontânea) não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal; assim, retifica-se a dosimetria mantendo-se a pena base em 13 anos e 6 meses, fixando-se o patamar mínimo legal em 12 anos na segunda fase, e aplicando-se a diminuição prevista pela tentativa (1/2) na terceira fase, resultando pena definitiva de 6 anos de reclusão em regime semiaberto.
Obiter and limits
- A função de uniformização jurisprudencial do STJ não autoriza revisar tese fixada em repercussão geral pelo STF.
- O instituto do overruling pelo STJ é inviável diante de precedente vinculante do STF (Tema 158).
- O surgimento de institutos de justiça penal negociada não justifica a revisão da Súmula 231/STJ, por possuírem requisitos próprios.
- A fixação de penas fora dos limites legais violaria o princípio da legalidade e usurpação da competência legislativa.
Court disposition
Acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para retificar a pena do embargado.
- Retificar o cálculo da pena constante da decisão de fls. 581-586 (e-STJ).
- Na primeira fase, manter a pena fixada em 13 anos e 6 meses de reclusão.
- Na segunda fase, reconhecer a confissão espontânea, mantendo a reprimenda no patamar mínimo legal de 12 anos de reclusão.
- Na terceira fase, reconhecer a causa de diminuição pela tentativa (1/2), resultando pena definitiva de 6 anos de reclusão, no regime semiaberto.
- Publicar-se. Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS contra decisão deste Relator que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial do agravado, a fim de decotar da dosimetria a avaliação negativa dos antecedentes e redimensionar a pena (e-STJ, fls. 581 - 586). O embargante sustenta, em síntese, que a reprimenda fora reduzida em patamar inferior ao mínimo legal, em decorrência da atenuante da confissão espontânea, o que viola os termos da Súmula 231/STJ. Requer, assim, o acolhimento dos presentes embargos de declaração, suprindo-se a omissão apontada. É o relatório. Decido. Razão assiste ao embargante. A Terceira Seção desta Corte Superior, em julgamento realizado em 14/8/2024 (REsps 2.052.085, 2.057.181 e 1.869.764), reafirmou o entendimento cristalizado na Súmula 231/STJ, segundo o qual "a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal" A ementa do julgado foi assim redigida: "DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE E IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA PENA ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. PRECEDENTE VINCULANTE EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 158. ESTABILIDADE, INTEGRIDADE E COERÊNCIA DO SISTEMA DE UNIFORMIZAÇÃO DE PRECEDENTES. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO RESTRITA AO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRINCÍPIOS DA RESERVA LEGAL, DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA E DA PROPORCIONALIDADE. INDISPONIBILIDADE JUDICIAL DOS LIMITES MÍNIMO E MÁXIMO DA PENA. VALIDADE DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ANTE A METODOLOGIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA INSTITUÍDA PELO CÓDIGO PENAL. INSTITUTOS DA JUSTIÇA PENAL NEGOCIADA. REQUISITOS ESPECÍFICOS. RECURSOS ESPECIAIS DESPROVIDOS. I - Os Recursos Especiais n.º 1.869.764-MS, n.º 2.052.085-TO e n.º 2.057.181-SE foram afetados à Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça para reavaliação do enunciado da Súmula n.º 231 do STJ, que estabelece a impossibilidade de que a incidência de circunstância atenuante reduza a pena abaixo do mínimo legal. O relator propôs a superação do entendimento consolidado (overruling), com modulação de efeitos para evitar a modificação de decisões já transitadas em julgado. II - Existem duas questões em discussão: (i) ante a existência do tema 158 da repercussão geral, avaliar se é possível a superação do entendimento enunciado pela Súmula n.º 231, STJ, pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça; e (ii) examinar a (im)possibilidade de incidência de atenuante induzir pena abaixo do mínimo legal. III - O precedente firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral (RE n.º 597.270) estabelece, com eficácia vinculante, que a incidência de circunstância atenuante
genérica não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, em respeito aos princípios constitucionais da reserva legal, da proporcionalidade e da individualização da pena. IV - A função de uniformização jurisprudencial atribuída ao Superior Tribunal de Justiça não autoriza a revisão de tese fixada em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, dado o caráter vinculante desses precedentes, em atenção à estabilidade, à integridade e à coerência do sistema de uniformização de precedentes. V - Não se extrai da atuação do Supremo Tribunal Federal nenhum indicativo de que a Corte esteja inclinada a rever o Tema 158, o que impossibilita a aplicação do instituto do anticipatory overruling pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça. VI - No plano judicial, a discricionariedade do magistrado deve respeitar os limites mínimos e máximos estabelecidos em lei, em conformidade com o princípio da reserva legal, que veda a modificação dos parâmetros previstos pelo legislador. VII - O método trifásico de dosimetria da pena adotado pelo Código Penal (art. 68, CP) limita a discricionariedade judicial na segunda fase e impõe o respeito ao mínimo e máximo legal, de modo que as circunstâncias atenuantes não podem resultar em penas abaixo do mínimo abstratamente cominado pelo tipo penal. VIII - A fixação de penas fora dos limites legais implicaria violação ao princípio da legalidade e
usurpação da competência legislativa, o que comprometeria a separação de poderes e criaria um sistema de penas indeterminadas, incompatível com a segurança jurídica. IX - O surgimento de institutos de justiça penal negociada, como a colaboração premiada e o acordo de não persecução penal, não justifica a revisão do entendimento da Súmula n.º 231, STJ, pois esses instrumentos possuem requisitos próprios e são aplicados em contextos específicos que não alteram a regra geral estabelecida para a dosimetria da pena. Recursos especiais desprovidos. Teses de julgamento: 1. A incidência de circunstância atenuante não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, conforme o entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral.
2. O Superior Tribunal de Justiça não possui competência para revisar precedentes vinculantes fixados pelo Supremo Tribunal Federal.
3. A circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. (REsp n. 1.869.764/MS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, relator para acórdão Ministro Messod Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 14/8/2024, DJe de 18/9/2024.) Confiram-se, ainda, outros julgados no mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MOEDA FALSA. DOSIMETRIA. SEGUNDA FASE. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. REDUÇÃO ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. SÚMULA N. 231 DO STJ. APLICABILIDADE MANTIDA. REGIME FECHADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O acórdão recorrido está em consonância com a orientação firmada no Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual a incidência de circunstância atenuante, como a confissão espontânea, não pode conduzir à redução da pena para aquém do mínimo legal, conforme dispõe a Súmula n. 231 do STJ.
2. Conquanto haja sido afetado à Terceira Seção o julgamento da questão, a "incidência do verbete n. 231/STJ permanece firme na jurisprudência desta Corte (..)" (AgRg no AREsp n. 2.243.342/PA, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 9/5/2023). 3. "O regime inicial fechado é o adequado para o cumprimento da pena superior a 4 e não excedente a 8 anos, em razão da reincidência da acusada, a teor do art. 33, §§ 2º, do Código Penal" (HC n. 470.694/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 23/10/2018).
4. Agravo regimental não provido". (AgRg no AREsp n. 2.522.067/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 21/5/2024, DJe de 28/5/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSO PENAL. SÚMULA N. 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ AINDA VIGENTE NESTA CORTE. RECURSOS ESPECIAIS SUBMETIDOS À ANÁLISE DA TERCEIRA SEÇÃO. SOBRESTAMENTO DOS FEITOS NÃO DETERMINADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Nos termos da atual jurisprudência desta Corte, mostra-se inviável a redução da pena aquém do mínimo legal pelo reconhecimento da confissão espontânea, ora prevista no art. 65, inc. III, "d", do Código Penal - CP , conforme dispõe a Súmula n. 231 desta Corte.
2. Entende-se que "não há falar em aplicação do instituto do overruling, porquanto inexiste argumentação capaz de demonstrar a necessidade de superação da jurisprudência consolidada desta Corte Superior" (AgRg no REsp 1882605/MS, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, DJe 31/8/2020).
3. Embora a Sexta Turma tenha aprovado a proposta de revisão da jurisprudência consolidada na Súmula n. 231/STJ, remetendo, assim, os autos dos Recursos Especiais n. 2.057.181/SE, 2.052.085/TO e 1.869.764/MS à Terceira Seção, não fora determinado o sobrestamento dos feitos pelo então relator, Ministro Rogerio Schietti Cruz. Desse modo, não há óbice ao julgamento do presente feito.
4. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 2.548.317/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 14/5/2024, DJe de 20/5/2024.) Desse modo, deve ser retificado o cálculo da pena constante da decisão de fls. 581 - 586 (e-STJ). Na primeira fase, mantém-se a pena fixada em 13 anos e 6 meses de reclusão. Na etapa intermediária, reconhecida a confissão espontânea, e em observância ao entendimento cristalizado na Súmula 231/STJ, fica a reprimenda estabelecida no seu patamar mínimo legal de 12 anos de reclusão. Na terceira fase, reconhecida a causa de diminuição de pena pela tentativa, no patamar de 1/2, a pena definitiva resulta em 6 anos de reclusão, no regime semiaberto. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar a pena do embargado, nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem -se.
EMENTA
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