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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O Tribunal verificou que a valoração da natureza da substância e das consequências do crime na pena-base careceu de fundamentação concreta (a quantidade de crack era de 29 g, não excessiva) e que as instâncias originárias não justificaram redução diversa de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea; por esses motivos afastou a valoração das circunstâncias do art. 42 da Lei 11.343/2006, aplicou a fração de 1/6 para a atenuante e reduziu as penas, totalizando, em concurso material, 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão e 760 dias-multa, em regime fechado, mantendo o regime inicial fechado nos termos do art. 33, §2º, 'a', do CP.

Court disposition

habeas corpus conhecido e ordem concedida

Orders

  • Afastar a valoração das consequências do delito e das circunstâncias do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, da pena-base de ambos os delitos.
  • Aplicar a fração de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea.
  • Reduzir a pena privativa de liberdade para 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão, mais 760 dias-multa, em regime fechado.
  • Comunicar, com urgência, o inteiro teor desta decisão às instâncias ordinárias para as providências cabíveis.
  • Publicar-se e intimar-se.

02

Material facts

Parties

ALBERIS FELIX DA SILVA

Paciente

Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (Apelação Criminal n. 0000548-76.2020.8.17.0001)

Impetrado

Ministério Público Federal

Interessado

Amounts and remedies

  • Quantidade De Crack (g): 29
  • Pedras De Crack (unidades): 150
  • Dias Multa (pena Definitiva): 760

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão (ordem Concedida)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A defesa pleiteou revisão da dosimetria sustentando que as circunstâncias e as consequências do delito foram indevidamente valorizadas na pena-base e que foi aplicada fração diversa de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea sem adequada fundamentação.
Respondent
O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus, mas pela concessão da ordem de ofício para redução da reprimenda.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Constituição Federal, art. 5º, XLVI; Código Penal, art. 59; Código de Processo Penal, art. 387

    Princípio da individualização da pena

  2. 02

    Lei n. 11.343/2006, art. 42

    Art. 42 da Lei n. 11.343/2006 atribui preponderância, na fixação da pena, à natureza e à quantidade da substância

  3. 03

    AgRg no AREsp n. 2.213.143/PR, rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T, DJe de 14/12/2022

    A pena-base não pode ser elevada acima do mínimo legal com fundamento em elementos genéricos e desprovidos de fundamentação objetiva

  4. 04

    Entendimento consolidado do STJ e fundamento destacado pelo Subprocurador-Geral da República (parecer fl. 309)

    A atenuante da confissão espontânea deve ter aplicada a fração de 1/6 salvo justificativa concreta em contrário

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O Tribunal verificou que a valoração da natureza da substância e das consequências do crime na pena-base careceu de fundamentação concreta (a quantidade de crack era de 29 g, não excessiva) e que as instâncias originárias não justificaram redução diversa de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea; por esses motivos afastou a valoração das circunstâncias do art. 42 da Lei 11.343/2006, aplicou a fração de 1/6 para a atenuante e reduziu as penas, totalizando, em concurso material, 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão e 760 dias-multa, em regime fechado, mantendo o regime inicial fechado nos termos do art. 33, §2º, 'a', do CP.

Obiter and limits

  • A Corte reiterou que não admite a elevação da pena-base com fulcro em argumentos genéricos ou vagas referências, exigindo fundamentação objetiva.
  • Parecer do Subprocurador-Geral da República ressaltou a ilegalidade na aplicação de atenuante com redução inferior ao patamar de 1/6 sem fundamentação concreta, ensejando o redimensionamento da pena.

Court disposition

habeas corpus conhecido e ordem concedida

  • Afastar a valoração das consequências do delito e das circunstâncias do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, da pena-base de ambos os delitos.
  • Aplicar a fração de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea.
  • Reduzir a pena privativa de liberdade para 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão, mais 760 dias-multa, em regime fechado.
  • Comunicar, com urgência, o inteiro teor desta decisão às instâncias ordinárias para as providências cabíveis.
  • Publicar-se e intimar-se.

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DECISÃO ALBERIS FELIX DA SILVA alega sofrer coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (Apelação Criminal n. 0000548-76.2020.8.17.0001). Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 10 anos de reclusão mais multa, em regime fechado, pela prática dos crimes previstos nos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003. Nas razões da impetração, a defesa pleiteia a revisão da dosimetria, pois considera que as circunstâncias e as consequências do delito foram indevidamente valoradas na pena-base. Alega que foi aplicado patamar diverso de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea sem a adequada fundamentação que o justificasse. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus, mas pela concessão da ordem de ofício para redução da reprimenda (fls. 305-309). Decido. I. Dosimetria das penas dos delitos dos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003 A fixação da pena é regulada por princípios e regras constitucionais e legais previstos, respectivamente, nos arts. 5º, XLVI, da Constituição Federal, 59 do Código Penal e 387 do Código de Processo Penal. Todos esses dispositivos remetem o aplicador do direito à individualização da medida concreta para que, então, seja eleito o quantum de pena a ser aplicada ao

condenado criminalmente, visando à prevenção e à repressão do delito perpetrado. Assim, para obter-se uma aplicação justa da lei penal, o julgador, dentro dessa discricionariedade juridicamente vinculada, há de atentar para as singularidades do caso concreto e deve, na primeira etapa do procedimento trifásico, guiar-se pelas oito circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do Código Penal. No caso em análise, o Juízo de primeiro grau fixou a pena-base dos delitos, em conjunto, sob os seguintes fundamentos (fls. 206-208, destaquei): .. Fixação da Pena Passo à análise das circunstâncias judiciais, considerando a inteligência do art. 59 do CPB. Culpabilidade: Não extrapola os limites da responsabilidade criminal do condenado. Antecedentes: O réu possui antecedentes criminais, vários deles na Comarca do Cabo de Santo Agostinho, conforme consulta feita no sistema Jucivm. Respondeu também a procedimentos, quando de menor idade. Conduta Social e Personalidade: Poucos elementos foram coletados no processo a respeito de sua conduta social e personalidade, razão pela qual deixo de valorá-las. Motivo: Negou a prática delitiva. Circunstâncias do Delito: Foi abordado em poder de grande quantidade de drogas, qual seja, 150 (cento e cinquenta) pedras de crack e estava ainda em poder de uma arma de fogo, calibre 38, municiada, com numeração raspada, demonstrando o grande desvalor da sua

conduta. Consequências do Crime: Indicam notório grau de nocividade à saúde pública. Comportamento da Vítima: A vítima é a Sociedade. Existe em favor do acusado a atenuante da menoridade relativa. Observando as circunstâncias desfavoráveis, tendo em vista a análise dos artigos 59 do CP e 42 da Lei 11.343/06, fixo a pena base: ART. 33, CAPUT, DA LEI 11.343/06 Em sete (07) anos de reclusão e multa de setecentos (700) dias-multa, por infração ao art. 33 da Lei de Drogas. DIMINUO em seis (06) meses de reclusão e cinquenta (50) dias-multa, tendo em vista a atenuante da menoridade relativa prevista no art. 65, inciso I, do CPB, tornando a pena definitiva em seis (06) anos e seis (06) meses de reclusão e multa de seiscentos e cinquenta (650) dias-multa. Não concorrem causas de aumento ou diminuição de pena a ser consideradas. ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV DA LEI 10.826/03 Em quatro (04) anos de reclusão e multa de trinta e cinco (35) dias-multa, por infração ao art. 16, parágrafo único, inciso IV, da Lei nº 10.826/2003. DIMINUO em seis (06) meses de reclusão e cinco (05) dias-multa, tendo em vista a atenuante da menoridade relativa, ficando a pena em três (03) anos e seis (06) meses de reclusãoe trinta (30) dias-multa, tornando esta a pena definitiva, diante da inexistência de causas de aumento ou diminuição de pena. Às penas impostas aos crimes deverão ser somadas, tendo em

vista o concurso material, sendo assim, totalizam em dez (10) anos de reclusão e multa de seiscentose oitenta (680) dias-multa pelo crime de tráfico de drogas em concurso material com o crime de porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada ou suprimida. .. Verifica-se que as instâncias originárias negativaram, na primeira fase da dosimetria, em ambos os delitos, a natureza e a quantidade de entorpecentes, as consequências do crime e os antecedentes do agente e fixaram as penas-base em: 7 anos de reclusão, para o crime de tráfico de drogas e 4 anos de reclusão para o delito de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Para o primeiro delito, segundo o disposto no art. 42 da Lei n. 11.343/2006, "O Juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente". No entanto, embora a natureza da substância apreendida evidencie seu alto poder viciante, entendo que a quantidade não foi excessivamente elevada - 29 g de crack -, de maneira que se mostra manifestamente desproporcional sopesar, no caso, apenas a sua natureza para justificar a exasperação da pena-base. Assim, afasto a referida circunstância judicial. No que se refere às consequências do crime, verifico que não houve a adequada fundamentação pelo sentenciante, com

referência a elementos concretos dos autos que delineassem a maior reprovabilidade da vetorial. Diferentemente, na dosimetria foram feitas apenas referências a elementos genéricos inerentes ao delito. Friso que esta Corte Superior não admite a elevação da pena-base com fulcro em argumentos genéricos. Veja-se: "A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é no sentido de que a pena-base não pode ser fixada acima do mínimo legal com fundamento em elementos constitutivos do crime ou com base em referências vagas, genéricas, desprovidas de fundamentação objetiva para justificar a sua exasperação. Precedentes". (AgRg no AREsp n. 2.213.143/PR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T, DJe de 14/12/2022). Diante de tais considerações, mantida a análise desfavorável dos antecedentes, decoto as vetoriais de ambas as penas e as reduzo proporcionalmente, para 5 anos e 8 meses de reclusão, mais 580 dias-multa e 3 anos e 3 meses de reclusão, mais 330 dias-multa. Na segunda etapa, conforme se constata pela análise do ato coator, a aplicação de fração menos benéfica para a atenuante da confissão espontânea não foi fundamentada pelas instâncias originárias, que apenas apontaram a redução em 6 meses, sem justificativa para patamar diverso do legalmente previsto. Nesse sentido, como bem destacou em seu parecer o Subprocurador-Geral da República Rogério Soares do Nascimento: "In

casu, verifica-se ilegalidade na aplicação da atenuante de menoridade relativa com redução inferior ao patamar de 1/6, sem apresentação de fundamentação concreta, o que contraria o entendimento consolidado do STJ. Assim, diante da ausência de justificativa para a redução inferior entende-se necessário o redimensionamento da pena" (fl. 309). Assim, reduzo a sanção intermediária dos delitos para 4 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão, mais 480 dias-multa e 2 anos, 8 meses e 15 dias, mais 280 dias-multa de reclusão, que se tornam as penas definitivas à míngua de causas de aumento e de diminuição de pena. Diante do concurso material de crimes, nos termos do art. 69 do CP, fixo a reprimenda de 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão. Nos termos do art. 33, § 2º, "a", do CP, mantenho o regime inicial fechado para cumprimento de pena, em razão dos maus antecedentes do paciente. II. Dispositivo À vista do exposto, conheço do habeas corpus e concedo a ordem, a fim de: a) afastar a valoração das consequências do delito e das circunstâncias do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, da pena-base de ambos os delitos; b) aplicar a fração de 1/6 para a atenuante da confissão espontânea; c) reduzir a pena privativa de liberdade para 7 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão, mais 760 dias-multa, em regime fechado. Comunique-s e, com urgência, o inteiro teor desta decisão às instâncias ordinárias, para as providências cabíveis. Publique-se e intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Apelação Criminal n. 0000548-76.2020.8.17.0001 (Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco)

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.213.143/PR, rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T, DJe de 14/12/2022

Case cited

Constituição Federal, art. 5º, XLVI

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 59

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Penal, art. 387

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 11.343/2006, art. 33, caput

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 11.343/2006, art. 42

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 10.826/2003, art. 16, parágrafo único, IV

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 65, inciso I

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 69

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 33, §2º, "a"

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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