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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O Tribunal não conheceu do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, mas, de ofício, concedeu a ordem para afastar a valoração negativa atribuída ao uso de simulacro de arma de fogo na primeira fase da dosimetria, por entender que tal elemento é inerente ao tipo penal de roubo; manteve, contudo, a valoração negativa pela prática do crime em estabelecimento comercial de grande circulação e pelo elevado valor dos bens subtraídos (R$ 83.018,06), bem como a majoração em 1/3 por multirreincidência e em 1/3 pelo concurso de agentes, resultando na redução final da pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, e 21 dias-multa.

Court disposition

Não conheço do habeas corpus; contudo, concedo a ordem, de ofício, para reduzir as penas do paciente.

Orders

  • Não conhecer do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio.
  • Conceder a ordem, de ofício, para reduzir a pena do paciente para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, e 21 dias-multa.
  • Manter os demais termos da condenação.

02

Material facts

Parties

CAIO CESAR FREITAS DE FARIA

Paciente

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Órgão Julgador

Amounts and remedies

  • Valor Dos Aparelhos Subtraídos: BRL 83,018.06
  • Dias Multa Aplicados Na Sentença Original: 172
  • Dias Multa Final Fixados Pelo STJ: 21

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (habeas Corpus Não Conhecido; Ordem Concedida De Ofício Para Redução Da Pena)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A defesa alegou constrangimento ilegal em razão das penas fixadas, sustentando que o uso de simulacros de armas de fogo não oferece risco real e não pode ser equiparado ao uso de arma de fogo para exasperar a pena; que a abordagem em local de grande circulação, por si só, não gera maior impacto além do tipo penal; que a majoração da pena pelo valor econômico dos bens subtraídos é desproporcional considerando o faturamento da empresa-vítima; e que a majoração em 1/3 por reincidência é excessiva, devendo ser reduzida para 1/6, requerendo ajuste da dosimetria e afastamento das exasperações impugnadas.
Respondent
O Tribunal a quo manteve a valoração negativa das circunstâncias do delito com fundamento no art. 59 do Código Penal, citando a prática do crime em shopping em horário de grande circulação, o emprego de réplicas de arma de fogo e o subtrair de aparelhos celulares avaliados em R$ 83.018,06; o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do writ. O STJ, entretanto, entendeu que o uso de simulacro não é idôneo para exasperar a pena-base, preservando as demais valorações legítimas e a majoração em razão da multirreincidência.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (citado no acórdão)

    O uso de simulacro de arma de fogo não constitui motivo idôneo para exasperar ou majorar a pena no crime de roubo, sendo elemento caracterizador da grave ameaça inerente ao tipo penal.

  2. 02

    art. 59, do Código Penal (citado no acórdão)

    A valoração negativa das circunstâncias do crime é possível quando fundamentada nos elementos do art. 59 do Código Penal.

  3. 03

    Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (citada no acórdão)

    A multirreincidência pode justificar majoração da pena em fração superior a 1/6 na segunda fase da dosimetria.

  4. 04

    Súmula 7/STJ (citada no acórdão)

    É vedado ao STJ reexaminar o conjunto fático-probatório quando se exige análise de provas para alteração da decisão, nos termos da Súmula 7/STJ.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O Tribunal não conheceu do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, mas, de ofício, concedeu a ordem para afastar a valoração negativa atribuída ao uso de simulacro de arma de fogo na primeira fase da dosimetria, por entender que tal elemento é inerente ao tipo penal de roubo; manteve, contudo, a valoração negativa pela prática do crime em estabelecimento comercial de grande circulação e pelo elevado valor dos bens subtraídos (R$ 83.018,06), bem como a majoração em 1/3 por multirreincidência e em 1/3 pelo concurso de agentes, resultando na redução final da pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, e 21 dias-multa.

Obiter and limits

  • O habeas corpus não se presta a substituir o recurso próprio, salvo em caso de flagrante ilegalidade
  • A prática do crime em estabelecimento comercial de grande circulação é fundamento idôneo para valoração negativa das circunstâncias do delito
  • O prejuízo material de R$ 83.018,06 foi considerado superior ao ínsito aos delitos contra o patrimônio e apto a justificar exasperação da pena-base

Court disposition

Não conheço do habeas corpus; contudo, concedo a ordem, de ofício, para reduzir as penas do paciente.

  • Não conhecer do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio.
  • Conceder a ordem, de ofício, para reduzir a pena do paciente para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, e 21 dias-multa.
  • Manter os demais termos da condenação.

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de CAIO CESAR FREITAS DE FARIA contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento da Apelação Criminal n. 1506169-02.2019.8.26.0506. Consta dos autos que o paciente foi condenado, em primeiro grau de jurisdição, como incurso no art. 157, § 2º, II, do Código Penal, à pena de 9 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 172 dias-multa (e-STJ fls. 37/51). Inconformada, a defesa apelou, e o Tribunal a quo deu parcial provimento ao recurso, apenas para reduzir a pena pecuniária para 22 dias-multa, mantendo, no mais, a sentença apelada (e-STJ fls. 8/31). No presente mandamus (e-STJ fls. 2/7), a impetrante aponta constrangimento ilegal ao paciente, em razão das penas fixadas. Nesse sentido, aduz que a utilização de simulacros de armas de fogo não oferece risco real à integridade física das vítimas, não podendo ser equiparado ao uso efetivo de armas de fogo. Argumenta que a abordagem em local de grande circulação não gera, por si só, um impacto mais grave do que o previsto no tipo penal de roubo. Alega também que a majoração da pena pelo valor econômico dos bens subtraídos é desproporcional, considerando o faturamento anual da empresa-vítima, que torna o valor subtraído ínfimo. Sustenta, por fim, que a majoração da pena em 1/3 pela reincidência é

excessiva, propondo a readequação para 1/6, conforme o princípio da proporcionalidade. Requer, assim, o ajuste da dosimetria da pena, afastando a exasperação pelo uso de simulacros de armas de fogo, a majoração pelo valor econômico dos bens subtraídos, e a valoração das circunstâncias de tempo e local do crime. Pede também a readequação da fração de aumento pela reincidência para 1/6. Dispensadas as informações, manifestou-se o Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ (e-STJ fls. 57/60), em parecer assim ementado: Habeas Corpus. Processo Penal. Dosimetria de pena. Roubo majorado. Inadequação da via. Reexame do probatório. Ausência conjunto fático de Ilegalidade Flagrante. Parecer pelo Não Conhecimento. É o relatório. Decido. Inicialmente, o Superior Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, como forma de racionalizar o emprego do habeas corpus e prestigiar o sistema recursal, não admite a sua impetração em substituição ao recurso próprio. Cumpre analisar, contudo, em cada caso, a existência de ameaça ou coação à liberdade de locomoção do paciente, em razão de manifesta ilegalidade, abuso de poder ou teratologia na decisão impugnada, a ensejar a concessão da ordem de ofício. Na espécie, embora a impetrante não tenha adotado a via processual adequada, para que não haja prejuízo à defesa dos pacientes,

passo à análise da pretensão formulada na inicial, a fim de verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Busca a defesa, inicialmente, a recondução da pena-base ao mínimo legal. Como é cediço, a dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade. Nesse contexto, elementos próprios do tipo penal, alusões à potencial consciência da ilicitude, à gravidade do delito, ao perigo da conduta, à busca do lucro fácil e outras generalizações, sem suporte em dados concretos, não podem ser utilizados para aumentar a pena-base. No caso, segue a fundamentação utilizada pela Corte local para manter a exasperação realizada na sentença (e-STJ fls. 26/27): .. A pena-base foi fixada em 05 (cinco) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 97 (noventa e sete) dias-multa, à vista do desfavorecimento das circunstâncias judiciais. Em que pese o esforço defensivo, nada há de ser alterado, na medida em que a valoração negativa está autorizada pelo artigo 59, do Código Penal, e o Juízo sentenciante valeu-se de fundamentos idôneos e concretos, extraídos minudentemente dos próprios autos, aplicando à basilar patamar proporcional à reprovabilidade da conduta do

sentenciado. Ora, de fato, as circunstâncias reunidas exigem maior censurabilidade. Isso porque, os agentes abordaram as vítimas, durante o trabalho, num shopping, em horário de grande circulação popular, munidos de, ao menos, réplicas de armas de fogo (v. imagens de fls. 147/232), reduzindo, assim, a possibilidade de reação dos ofendidos e consumidores, além de subtraírem bens de considerável valor econômico (aparelhos celulares, avaliados em R$ 83.018,06), trazendo, portanto, maiores dissabores ao comerciante. .. De início, esclareço que o fato de o crime ter sido praticado em estabelecimento comercial com grande circulação de pessoas é fundamento idôneo para a valoração negativa das circunstâncias do delito, pois revela maior reprovabilidade da ação delituosa, de acordo com o entendimento firme do Superior Tribunal de Justiça, não havendo qualquer ilegalidade nesse ponto. Sobre o tema: PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. GRAVIDADE CONCRETA. MODUS OPERANDI. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA IN CASU.

1. A validade da segregação cautelar está condicionada à observância, em decisão devidamente fundamentada, aos requisitos insertos no art. 312 do Código de Processo Penal, revelando-se indispensável a demonstração de em que consiste o periculum libertatis.

2. No caso, a prisão preventiva está justificada, pois a decisão que a impôs delineou o modus operandi empregado pelo recorrente, consistente em tentativa de homicídio qualificado e roubo circunstanciado praticados contra a vítima mediante o desferimento de vários golpes na cabeça, em local de grande circulação de pessoas em horário de movimentação intensa. Tais circunstâncias denotam sua periculosidade e a necessidade da segregação como forma de acautelar a ordem pública.

3. Condições subjetivas favoráveis do recorrente, por si sós, não impedem a prisão cautelar, caso se verifiquem presentes os requisitos legais para a decretação da segregação provisória (precedentes).

4. Recurso desprovido. (RHC n. 117.915/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2019, DJe de 19/12/2019.) De igual modo, não vislumbro constrangimento ilegal no aumento da basilar em razão do valor do bem subtraído. Como é cediço, apesar de o montante do prejuízo material causado à vítima em razão da subtração de coisa móvel de sua propriedade configurar elemento inerente ao tipo penal, a jurisprudência desta Corte Superior admite a exasperação da pena-base quando o valor da res furtiva se revela consideravelmente elevado, em atenção aos princípios da proporcionalidade e da individualização da pena. In casu, o prejuízo suportado pela vítima deve ser reconhecido como superior ao ínsito aos delitos contra o patrimônio, considerando se tratar de roubo de aparelhos de telefonia celular avaliados em R$ 83.018,06 (oitenta e três mil, dezoito reais e seis centavos). A propósito: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECEPTAÇÃO E ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR. CONSUNÇÃO. DOSIMETRIA. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta extensão, negar-lhe provimento. II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se é aplicável o princípio da consunção entre os delitos de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, se a pena-base foi fixada de forma adequada.

3. A questão também envolve a análise do regime inicial de cumprimento de pena, considerando as circunstâncias judiciais desfavoráveis e a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. III. Razões de decidir4. O Tribunal de origem considerou que os delitos de receptação e adulteração são autônomos e tutelam bens jurídicos diversos, não configurando bis in idem. A alteração desse entendimento demandaria incursão no universo fático-probatório da demanda, vedada pela Súmula 07/STJ.

5. A pena-base foi fixada acima do mínimo legal em razão da negativação da culpabilidade, diante do elevado valor do bem receptado, com significativo prejuízo econômico à vítima, um dia após o crime patrimonial que tirou o bem da esfera patrimonial desta. Além disso, o acusado foi detido na posse de documentos e cartões bancários de terceiros que foram vítimas de roubo ocorrido no mesmo dia em que foi preso em flagrante, fatos a demonstrarem maior reprovabilidade em sua conduta. Fundamentos considerados idôneos.

6. O regime inicial fechado foi mantido em razão das circunstâncias judiciais desfavoráveis, como a culpabilidade acentuada e os maus antecedentes.

7. A substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos foi negada, pois o Tribunal local entendeu não estar satisfeito o requisito subjetivo necessário. IV. Dispositivo e tese8. Agravo improvido. Tese de julgamento: "1. O Tribunal local considerou que no caso concreto os delitos de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor são autônomos. A alteração desse entendimento demandaria incursão no universo fático-probatório da demanda, vedada pela Súmula 07/STJ.

2. A fixação da pena-base acima do mínimo legal pode ser justificada pela negativação da vetorial relativa à culpabilidade.

3. O regime inicial fechado é adequado quando há circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo que a pena seja inferior a quatro anos.

4. A substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos depende da satisfação do requisito subjetivo, cuja ausência impede a substituição." Dispositivos relevantes citados: Código Penal, arts. 59, 180, caput, 311, §2º, inciso III, 33, §§ 2º e 3º, 44, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 715.305/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 09.08.2022; STJ, AgRg no REsp 1.953.699/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22.03.2022; STJ, AgRg no HC 638.135/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 02.02.2021. (AgRg no AREsp n. 2.790.383/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 26/2/2025.) No entanto, melhor sorte assiste à defesa no que se refere ao uso de simulacro de arma de fogo. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que o uso de simulacro de arma de fogo não constitui motivo idôneo para exasperar ou majorar a pena no crime de roubo, prestando-se, tão somente, a caracterizar a grave ameaça, circunstância elementar do delito. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO COMO SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADMISSIBILIDADE. ROUBO MAJORADO. PENA-BASE. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. USO DE SIMULACRO DE ARMA DE FOGO. IMPOSSIBILIDADE DE VALORAÇÃO NEGATIVA. APLICAÇÃO CUMULATIVA DAS

MAJORANTES DE CONCURSO DE PESSOAS E RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. REDIMENSIONAMENTO DA PENA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado em favor do paciente, condenado por roubo majorado, visando a desconstituição da dosimetria da pena, alegando ausência de fundamentação idônea para o aumento da pena-base em razão das circunstâncias do crime, e para a aplicação cumulativa das majorantes. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) a possibilidade de valoração negativa das circunstâncias do crime com base na utilização de simulacro de arma de fogo; e (ii) a legalidade da aplicação cumulativa das majorantes de concurso de pessoas e restrição de liberdade da vítima. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O STJ, em consonância com o STF, não admite o uso do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade, hipótese em que é possível conceder a ordem de ofício.

4. Na primeira fase da dosimetria, a pena-base foi fixada em 1/4 acima do mínimo legal com fundamento no uso de simulacro de arma de fogo. Contudo, a jurisprudência desta Corte entende que o simulacro não caracteriza especial desvalor da conduta, por se tratar de elemento inerente ao tipo penal de roubo, devendo ser afastada a valoração negativa das circunstâncias do crime.

5. A aplicação cumulativa das majorantes de concurso de pessoas e restrição de liberdade da vítima foi devidamente fundamentada, uma vez que a conduta criminosa foi executada por dois homens que, de forma desnecessária, mantiveram a vítima mulher sob custódia prolongada, o que extrapola os elementos típicos do delito de roubo, justificando o aumento.

6. Em virtude da necessidade de ajuste na primeira fase da dosimetria, a pena-base foi redimensionada para o mínimo legal, em 4 anos de reclusão e 10 dias-multa. IV. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO, MAS CONCEDIDA A ORDEM DE OFÍCIO PARA REDIMENSIONAR A PENA DO PACIENTE PARA 7 ANOS DE RECLUSÃO E 18 DIAS-MULTA. (HC n. 937.282/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/12/2024, DJEN de 17/12/2024.) Assim, de rigor o afastamento apenas do desvalor conferido ao uso de simulacro de arma de fogo, na primeira fase da dosimetria. Quanto ao mais, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que a multirreincidência constitui justificativa idônea para acréscimo superior a 1/6 na segunda fase da dosimetria da pena. Na hipótese, a fração adotada pelo Tribunal local - 1/3 - não se mostra desproporcional, diante da existência de 2 condenações anteriores, sendo uma delas também pela prática do crime de roubo. A propósito: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. ART. 33, CAPUT, DA LEI 11.343/2006. PLEITO DESCLASSIFICATÓRIO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA. SEGUNDA FASE. RÉU MULTIRREIN CIDENTE. MAJORAÇÃO DA PENA EM 1/3. AUSÊNCIA DE DESPROPORCIONALIDADE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. As instâncias antecedentes, soberanas na análise dos elementos fáticos e probatórios dos autos, concluíram que as evasivas do réu quanto à destinação da droga apreendida não encontrou ressonância nas demais provas carreadas aos autos, restando, portanto, devidamente comprovada a traficância, de modo que a desclassificação do delito nesta via especial, tal como pretendido pelo defesa, demandaria um novo exame do conjunto probatório produzido, o que não é possível, em razão do óbice da Súmula 7/STJ.

2. Quanto ao pedido de redução da reprimenda na segunda fase da dosimetria, melhor sorte não assiste à defesa. Com efeito, não há ilegalidade na elevação da pena em 1/3 - na segunda fase da dosimetria - quando motivada na multirreincidência do réu, que registra duas condenações definitivas.

3. Nos termos da Súmula 83/STJ, "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida".

4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 2.083.094/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023.) Passo, portanto, ao ajuste da pena do paciente. Na primeira fase da dosimetria, em observância ao princípio da proporcionalidade, fixo a pena-base em 5 anos de reclusão e 12 dias-multa. Mantidos os acréscimos de 1/3 na segunda fase, em razão da múltipla reincidência, e de 1/3, na terceira etapa, pelo concurso de agentes, fica a reprimenda definitivamente fixada em 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, e 21 dias multa. Ante o exposto, com fulcro no art. no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Todavia, concedo a ordem, de ofício, para reduzir as penas do paciente para 8 (oito) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, e 21 (vinte e um) dias multa. Mantidos os demais termos da condenação. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

RHC n. 117.915/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2019

Case cited

HC n. 937.282/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/12/2024

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.790.383/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025

Case cited

AgRg no REsp n. 2.083.094/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/10/2023

Case cited

AgRg no HC 715.305/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 09.08.2022

Case cited

AgRg no REsp 1.953.699/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22.03.2022

Case cited

AgRg no HC 638.135/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 02.02.2021

Case cited

art. 157, § 2º, II, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 59, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 312 do Código de Processo Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 34, XX, do RISTJ

Legislation

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Súmula 7/STJ

Legislation

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Súmula 83/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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