Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc81f7ccdbf40b1728dfd
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01
Holding and result
Não se conhece do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade: embora uma qualificadora tenha sido utilizada na primeira fase da dosimetria, havia fundamentação idônea e precedentes que autorizam o procedimento, o aumento foi de 1/6 e não foi demonstrado efetivo prejuízo nos termos do art. 563 do CPP, de modo que não se justifica a concessão de ordem de ofício.
Court disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
DARLAN SENA RIBEIRO
PacienteMinistério Público Federal
Manifestante (opino Pelo Não Conhecimento)Amounts and remedies
- Pena Base (anos): 14
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Admissibilidade Não Conhecimento Do Habeas Corpus
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Utilização de qualificadora na primeira fase da dosimetria
- 02
Cabimento do habeas corpus perante existência de recurso próprio
- 03
Caracterização de ilegalidade flagrante
- 04
Necessidade de demonstração de efetivo prejuízo para reconhecimento de nulidade (art. 563, CPP)
Party arguments
- Applicant
- O impetrante alega constrangimento ilegal decorrente da utilização de uma das qualificadoras na primeira fase da dosimetria da pena.
- Respondent
- O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus; o Tribunal entendeu não haver ilegalidade flagrante, constatou fundamentação idônea para a dosimetria (aumento de 1/6), precedentes autorizando a utilização de qualificadora na primeira fase e a ausência de demonstração de efetivo prejuízo nos termos do art. 563 do CPP.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Decisão (fundamentação) / jurisprudência citada (STF e STJ)
O habeas corpus é remédio constitucional de cognição sumária, não comportando dilação probatória.
- 02
Decisão (citando entendimento da Primeira Turma do STF e da Terceira Seção do STJ)
O habeas corpus não deve ser utilizado como substituto de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade.
- 03
art. 563, CPP
Para reconhecer nulidade processual é necessária a demonstração de efetivo prejuízo.
- 04
Precedentes do STJ citados na decisão (ex.: AgRg no HC n. 817.901/SP e outros ementados)
A dosimetria da pena pode utilizar uma qualificadora na primeira fase, desde que haja fundamentação idônea e proporcional.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Não se conhece do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade: embora uma qualificadora tenha sido utilizada na primeira fase da dosimetria, havia fundamentação idônea e precedentes que autorizam o procedimento, o aumento foi de 1/6 e não foi demonstrado efetivo prejuízo nos termos do art. 563 do CPP, de modo que não se justifica a concessão de ordem de ofício.
Obiter and limits
- O Tribunal Superior pode conceder habeas corpus de ofício em casos de flagrante ilegalidade.
- A revisão da dosimetria via habeas corpus é admissível apenas em situações de manifesta ilegalidade ou abuso de poder.
- O habeas corpus não é meio adequado para reexame do conjunto fático-probatório, que deve ser feito por recurso próprio ou revisão criminal.
Court disposition
Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de DARLAN SENA RIBEIRO contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no julgamento da apelação criminal. Na hipótese, o impetrante aponta constrangimento ilegal, caracterizado pela utilização de uma das qualificadoras na primeira fase da dosimetria da pena. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 655-662). É o relatório. DECIDO. O habeas corpus se configura como remédio constitucional de cognição sumária, ou seja, não implica em exame aprofundado da prova, sendo a cognição pautada pelo juízo da verossimilhança das alegações com limites estreitos. Além disso, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento visa preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Assim, o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de
recurso próprio ou revisão criminal, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. Nesse sentido, encontram-se: EMENTA AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO. UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE EVIDENTE. HABEAS CORPUS INDEFERIDO. 1. É inviável a utilização de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal.
2. A revisão da fração aplicada na dosimetria da pena-base é inadmissível na via estreita do habeas corpus, que não comporta dilação probatória.
3. Ausência de ilegalidade evidente na dosimetria quando presentes fundamentos idôneos para fixação da pena-base acima do mínimo legal.
4. Agravo interno desprovido.(STF - HC: 214879 SP 0118683-38.2022.1.00.0000, Relator: NUNES MARQUES, Data de Julgamento: 21/06/2022, Segunda Turma, Data de Publicação: 30/06/2022). DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO ART. 33, § 4º, DA LEI 11.343/2006. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. APREENSÃO E QUASE MEIA TONELADA DE ENTORPECENTES E CIRCUNSTÂNCIAS QUE DEMONSTRAM NÃO SE TRATAR DE TRAFICÂNCIA EVENTUAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, em razão da ausência de flagrante ilegalidade. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em determinar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão de habeas corpus de ofício. III. Razões de decidir 3. A jurisprudência do STJ e do STF não admite habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade.
4. Não se verificou flagrante ilegalidade ou constrangimento ilegal que justificasse a concessão de habeas corpus de ofício.
5. A revisão da dosimetria da pena em habeas corpus é restrita a situações de manifesta ilegalidade ou abuso de poder.
6. O afastamento do tráfico privilegiado foi devidamente motivado, haja vista não apenas a quantidade de droga apreendida (1/2 tonelada de entorpecentes), mas também as circunstâncias concretas que indicam que não se trata de traficante eventual, não cabendo reexame de fatos e provas na instância especial. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.(AgRg no HC n. 933.895/PR, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 30/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. PLEITO DE IMPROCEDÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO. REEXAME PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O habeas corpus, ação constitucional de rito célere e de cognição sumária, não é meio processual adequado para analisar a tese de insuficiência probatória para a condenação. Hipótese em que as instâncias ordinárias, com base no acervo probatório, incluindo o depoimento de testemunhas e a apreensão de relevante quantidade de entorpecentes e dinheiro, concluíram que o paciente praticou o ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, o que inviabiliza a respectiva absolvição. Entendimento em sentido contrário demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, providência inviável na via estreita do habeas corpus. Precedentes.
2. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 925.626/ES, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 25/10/2024. No entanto, nada impede que, de ofício, este Tribunal Superior constate a existência de ilegalidade flagrante, circunstância que ora passo a examinar. A controvérsia reside na verificação de suposta ilegalidade na utilização de uma das qualificadoras para justificar aumento da pena na primeira fase da dosimetria. Analisando a dosimetria guerreada, temos que, de fato, uma das qualificadoras foi utilizada como fundamentação para aumento na primeira fase da dosimetria (fls. 518): O réu não ostenta maus antecedentes, sendo que as qualificadoras existentes e reconhecidas em desfavor do réu servem, a primeira delas para tipificar o crime, e a segunda como forma de exasperar a pena base, que fica então fixada em 14 anos de reclusão, sendo certo que as circunstâncias então verificadas em verdade qualificam o delito e, em que pese reprováveis, não poderiam conduzir à exasperação da pena base, como forma de evitar o bis in idem. Contudo, não se evidencia ilegalidade, considerando que há precedentes desta Corte Superior que autorizam o procedimento: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. DOSIMETRIA E REGIME SEMIABERTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADOS. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo, no qual se alegava constrangimento ilegal na dosimetria da pena e se pleiteava a alteração do regime inicial de cumprimento da pena. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se o habeas corpus pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio para revisar a dosimetria da pena e alterar o regime inicial de cumprimento da pena.
3. A questão também envolve a análise da possibilidade de reconhecimento da forma tentada do delito e a aplicação do tempo de detração da prisão preventiva para fixação do regime inicial. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. O habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade.
5. A dosimetria da pena foi realizada de acordo com a jurisprudência, utilizando uma qualificadora na primeira fase e outra para qualificar o crime, sendo proporcional o aumento de 1/6 na pena-base.
6. O regime inicial semiaberto foi corretamente fixado em razão da reincidência e das circunstâncias judiciais desfavoráveis, não cabendo a aplicação do regime aberto, sendo irrelevante para este fim a detração do tempo de prisão provisória.
7. A consumação do furto foi corretamente reconhecida, inexistindo elementos para desclassificação para a forma tentada. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. O habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade.
2. A dosimetria da pena pode utilizar uma qualificadora na primeira fase e outra na segunda fase, desde que proporcional.
3. O regime inicial de cumprimento da pena deve considerar a reincidência e as circunstâncias judiciais desfavoráveis, não cabendo a aplicação do regime aberto sem justificativa.
4. A detração penal deve ser analisada pelo Juízo da Execução e não se confunde com progressão de regime.
5. A consumação do furto se dá com a posse de fato da res furtiva, sendo prescindível a posse mansa e pacífica".Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 647-A, 654, § 2º; CP, arts. 33, § 2º, "c", § 3º, 44, II e III, 59, 155, § 2º, 155, § 4º, I e IV. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 895.777/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024; STJ, AgRg no HC 864.465/SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024; STF, HC 225896 AgR, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023. (AgRg no HC n. 817.901/SP, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 12/8/2025, DJEN de 18/8/2025.) Além disso, deixou a impetrante de demonstrar o efetivo prejuízo do paciente. No caso em análise, considerando que o aumento evidenciado foi de 1/6, não haveria, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça, diferença no aumento da pena se tivesse sido evidenciado na 2ª fase da dosimetria. Assim, não há que se reconhecer qualquer nulidade sem que seja demonstrado efetivo prejuízo, a teor do art. 563, CPP. Verifica-se, portanto, a presença de fundamentação idônea que não justifica a concessão de habeas corpus de ofício. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
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