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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O Tribunal restabeleceu as penas fixadas pelo Juízo singular porque, no caso concreto, as quantidades apreendidas (24,47 g de cocaína para Elias; 5,8 g de crack e 82,28 g de maconha para Lucas; 3,6 g de crack para Luiz) não se mostraram suficientes para justificar a majoração da pena-base com fundamento no art. 42 da Lei 11.343/2006, sendo necessária a análise conjunta de natureza e quantidade da substância para exasperação da pena.

Court disposition

Dou provimento ao recurso especial para restabelecer as penas fixadas pelo Juízo singular.

Orders

  • Dar provimento ao recurso especial.
  • Restabelecer as penas fixadas pelo Juízo singular.
  • Publicar-se. Intimem-se.

02

Material facts

Parties

Elias Francisco Pinto da Silva

Recorrente

Lucas Juan Mariano dos Santos

Recorrente

Luiz Paulo da Silva

Recorrente

Ministério Público Federal

Manifestante

Amounts and remedies

  • Cocaína Apreendida Elias (g): g 24.47
  • Crack Apreendido Lucas (g): g 5.8
  • Maconha Apreendida Lucas (g): g 82.28
  • Crack Apreendido Luiz (g): g 3.6
  • Dias Multa Elias (sentença 1º Grau): 767
  • Dias Multa Elias (acórdão Tjmg): 816
  • Dias Multa Lucas (sentença 1º Grau): 194
  • Dias Multa Lucas (acórdão Tjmg): 210
  • Dias Multa Luiz: 194
  • Pena Reclusão Elias (sentença 1º Grau) Anos: anos 7
  • Pena Reclusão Elias (acórdão Tjmg) Anos: anos 8
  • Pena Reclusão Lucas (sentença 1º Grau) Anos: anos 1
  • Pena Reclusão Lucas (acórdão Tjmg) Anos: anos 2
  • Pena Reclusão Luiz Anos: anos 1

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Julgamento Em Recurso Especial (decisão)

04

Questions and positions

Legal issues

Se a quantidade e a natureza da droga apreendida autorizam a exasperação da pena-base na primeira fase da dosimetria, com fundamento no art. 42 da Lei 11.343/2006

Party arguments

Applicant
Sustém que a pequena quantidade de drogas apreendidas e a mera natureza ou nocividade não são fundamentos idôneos para elevar a pena-base acima do mínimo legal, apontando violação do art. 59 do Código Penal e do art. 42 da Lei 11.343/2006; requer que a circunstância judicial do art. 42 seja considerada neutra e que se restabeleçam as penas-base fixadas na sentença.
Respondent
O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso especial, defendendo a manutenção do acórdão do Tribunal de Justiça que majorou a pena com fundamento no art. 42 da Lei 11.343/2006.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    AgRg no HC n. 734.699/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe 22/12/2022

    A análise da natureza e da quantidade da substância entorpecente deve ser realizada em conjunto para a correta individualização da pena

  2. 02

    Tema n. 1262, Terceira Seção do STJ

    Configura-se desproporcional a majoração da pena-base quando a droga apreendida for de ínfima quantidade, independentemente da sua natureza

  3. 03

    Código Penal - art. 59

    Circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal devem ser observadas na dosimetria

  4. 04

    Súmula 7 do STJ

    É vedado o reexame de provas em recurso especial, conforme a Súmula 7 do STJ

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O Tribunal restabeleceu as penas fixadas pelo Juízo singular porque, no caso concreto, as quantidades apreendidas (24,47 g de cocaína para Elias; 5,8 g de crack e 82,28 g de maconha para Lucas; 3,6 g de crack para Luiz) não se mostraram suficientes para justificar a majoração da pena-base com fundamento no art. 42 da Lei 11.343/2006, sendo necessária a análise conjunta de natureza e quantidade da substância para exasperação da pena.

Obiter and limits

  • Citação do entendimento do Tema n. 1262 da Terceira Seção do STJ sobre desproporcionalidade da majoração quando droga for de ínfima quantidade
  • Referência ao precedente AgRg no HC n. 734.699/SC que trata da necessidade de examinar conjuntamente tipo de droga e quantidade para avaliar a gravidade concreta do fato

Court disposition

Dou provimento ao recurso especial para restabelecer as penas fixadas pelo Juízo singular.

  • Dar provimento ao recurso especial.
  • Restabelecer as penas fixadas pelo Juízo singular.
  • Publicar-se. Intimem-se.

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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por Elias Francisco Pinto da Silva, Lucas Juan Mariano dos Santos e Luiz Paulo da Silva contra acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (fls. 635-687). Informam os autos que, em primeiro grau, Elias foi condenado às penas de 7 anos, 7 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 767 dias-multa; Lucas e Luiz receberam penas de 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial aberto, substituídas por duas restritivas de direitos, além de 194 dias-multa, reconhecido o tráfico privilegiado, e todos absolvidos do art. 35 da Lei 11.343/2006 (fls. 423-461). Em segunda instância, o Tribunal de origem, por unanimidade, rejeitou a preliminar de quebra da cadeia de custódia, negou provimento ao recurso defensivo e deu provimento ao recurso ministerial para exasperar as penas-base com fundamento no art. 42 da Lei 11.343/2006, concretizando as reprimendas em: Elias - 8 anos e 2 meses de reclusão e 816 dias-multa, regime fechado; Lucas - 2 anos e 26 dias de reclusão, regime aberto, substituída por duas restritivas de direitos, e 210 dias-multa; Luiz - mantidas as penas de 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, regime aberto, com substituição por duas restritivas de direitos, e 194 dias-multa (fls. 636-686). Nas razões do recurso especial (fls. 705-715), interposto com fundamento no art. 105,

inciso III, alínea "a", da Constituição da República, a parte recorrente sustenta a violação do art. 59, caput, do Código Penal e do art. 42 da Lei 11.343/2006, ao argumento de que a pequena quantidade de drogas apreendidas e a mera natureza ou nocividade não seriam fundamentos idôneos para elevar a pena-base acima do mínimo legal, destacando precedentes desta Corte que rechaçam a exasperação em hipóteses de quantidades reduzidas. Requer, por fim, o conhecimento e provimento do recurso para considerar neutra a circunstância judicial do art. 42 da Lei de Drogas e restabelecer as penas-base fixadas na sentença. Apresentadas as contrarrazões (fls. 720-722), o recurso foi admitido na origem e os autos encaminhados a esta Corte Superior (fls. 727-731). O Ministério Público Federal apresentou manifestação pelo desprovimento do recurso especial (fls. 749-752). É o relatório. DECIDO. A controvérsia restringe-se a verificar se a quantidade e a natureza da droga apreendida autorizam a exasperação da pena na primeira fase da dosimetria, em razão da prática do crime de tráfico de entorpecentes. O Juízo singular, ao condenar os recorrentes, consignou que, não obstante a natureza especialmente nociva da substância (cocaína), as quantidades apreendidas - 24,47 g de cocaína em relação ao réu Elias; 5,8 g de crack e 82,28 g de maconha em relação a Lucas; e 3,6 g de crack em relação ao réu Luiz

(fls. 448-457) - não se revelam expressivas a ponto de justificar o acirramento da pena com fundamento no art. 42 da Lei n. 11.343/2006. O Tribunal local, todavia, ao dar provimento ao recurso de apelação do Ministério Público, consignou, na parte que interessa para o momento (fls. 678-684): "Assim, passo à reestruturação das reprimendas dos recorrentes de maneira individualizada. - Elias Francisco Pinto da Silva .. Da mesma forma, tenho que a baliza atinente à quantidade e nocividade dos entorpecentes deve ser tida como desfavorável. Consoante o que prevê o artigo 42 da Lei de Drogas, tendo em vista que na posse direta do réu foi encontrada cocaína - 14 papelotes, com peso de 24,47 -, droga de altíssima nocividade, grande valor de mercado e poder viciante, justifica-se a maior censurabilidade da conduta. Portanto, a elevada nocividade e natureza do entorpecente apreendido autoriza a exasperação da pena na primeira fase, independentemente da quantidade das substâncias arrecadadas, já que a norma não exige que os requisitos sejam cumulativos. .. - Lucas Juan Mariano dos Santos A pena-base de Lucas foi fixada no mínimo legal por terem sido consideradas favoráveis todas as circunstâncias judiciais. Contudo, tenho que a baliza atinente à quantidade e nocividade dos entorpecentes deve ser tida como desfavorável. Consoante o que prevê o artigo 42 da Lei de Drogas, considerando que na

posse direta do acusado foram encontradas cocaína e maconha - 21 pedras de crack e 60 (sessenta) buchas de maconha -, sendo o crack entorpecente de altíssima nocividade e poder viciante, justifica-se a maior censurabilidade da conduta. Portanto, a elevada nocividade e natureza dos entorpecentes apreendidos autoriza a exasperação da pena na primeira fase, independentemente da quantidade das substâncias arrecadadas, já que a norma não exige que os requisitos sejam cumulativos. .. - Luiz Paulo da Silva A pena-base de Luiz Paulo foi fixada no mínimo legal por terem sido consideradas favoráveis todas as circunstâncias judiciais. Contudo, mais uma vez, entendo que a baliza atinente à quantidade e nocividade dos entorpecentes deve ser tida como desfavorável. Consoante o que prevê o artigo 42 da Lei de Drogas, tendo em vista que na posse direta do réu foram encontradas 13 pedras de crack, sendo este entorpecente de altíssima nocividade e poder viciante, justifica-se a maior censurabilidade da conduta. Portanto, a elevada nocividade e natureza do entorpecente apreendido autoriza a exasperação da pena na primeira fase, independentemente da quantidade das substâncias arrecadadas, já que a norma não exige que os requisitos sejam cumulativos." Verifico que o acórdão recorrido ao promover o incremento da pena basilar, ainda cindiu o vetor da natureza e quantidade de drogas, enaltecendo a

nocividade do entorpecente apreendido, descurando, todavia, de agregar à avaliação da reprovabilidade da conduta dos agentes a quantidade da droga com eles localizada. Em casos tais, a jurisprudência desta Corte Superior já sinalizava que, " a natureza e a quantidade da droga são elementos que integram um vetor judicial único, não sendo possível cindir a sua análise. Somente quando examinadas em conjunto (tipo de droga e quantidade) será possível ao julgador compreender adequadamente a gravidade concreta do fato e proceder à devida individualização da pena, que é o objetivo almejado pelo legislador com as disposições do art. 42 da Lei n. 11.343/06." (AgRg no HC n. 734.699/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 19/12/2022, DJe 22/12/2022). Aliás, em recente decisão, a Terceira Seção deste STJ por meio do Tema n. 1262 estabeleceu que: " n a análise das vetoriais da natureza e da quantidade da substância entorpecente, prevista no art. 42 da Lei n. 11.343/2006, configura-se desproporcional a majoração da pena-base quando a droga apreendida for de ínfima quantidade, independentemente da sua natureza". No caso concreto, a despeito da nocividade do entorpecente, a quantidade apreendida (24,47 g de cocaína em relação ao réu Elias; 5,8 g de crack e 82,28 g de maconha em relação a Lucas; e 3,6 g de crack em relação ao réu Luiz) não se revela suficiente para justificar o incremento da pena-base com fundamento no art. 42 da Lei n. 11.343/2006. Em reforço: DIREITO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. PROVAS SUFICIENTES. DOSIMETRIA DA PENA. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO CONCEDIDO. ..

8. A dosimetria da pena deve observar o art. 42 da Lei 11.343/2006, considerando a natureza e quantidade da substância, bem como a personalidade e conduta social do agente.

9. A quantidade de 7g de crack não justifica a majoração da pena-base acima do mínimo legal, devendo ser afastado tal fundamento. .. IV. Dispositivo e tese 10. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. Ordem de habeas corpus concedida de ofício para redimensionar a pena dos agravantes. Tese de julgamento: "1. A condenação por tráfico de entorpecentes pode ser mantida com base em depoimentos testemunhais corroborados por outras provas documentais.

2. O reexame de provas é vedado em sede de recurso especial, conforme a Súmula 7 do STJ.

3. A quantidade de droga apreendida deve ser considerada na dosimetria da pena, mas não justifica majoração acima do mínimo legal sem fundamentação adequada.

4. A majoração da pena-base por antecedentes criminais deve ser proporcional e fundamentada.

5. A causa especial de diminuição de pena do tráfico privilegiado pode ser aplicada no máximo legal na ausência de circunstâncias adicionais." .. (AREsp n. 2.935.762/PR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/6/2025, DJEN de 17/6/2025.) Ante o exposto, com fulcro no art. 255, § 4º, inciso III, do Regimento Interno do STJ, dou provimento ao recurso especial para restabelecer as penas fixadas pelo Juízo singular. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no HC n. 734.699/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe 22/12/2022

Case cited

AREsp n. 2.935.762/PR, rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/6/2025, DJEN de 17/6/2025

Case cited

Lei 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 42 da Lei 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 35 da Lei 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 59 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 105, inciso III, alínea "a" da Constituição da República

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 255, § 4º, inciso III, do Regimento Interno do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Tema n. 1262 da Terceira Seção do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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