Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e58e56a15da909d2bee2e
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
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01
Holding and result
A ordem foi denegada porque o habeas corpus estava sendo utilizado como sucedâneo de revisão criminal ajuizada após mais de cinco anos do julgamento do acórdão (preclusão temporal), e não foi demonstrada flagrante ilegalidade apta a ensejar a intervenção mandamental, tornando inadequada a via do writ para o reexame pretendido.
Court disposition
ordem denegada
Orders
- Denego a ordem.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
MARCELO RIBEIRO FERREIRA
PacienteTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação Criminal nº 0059757-28.2007.8.26.0050)
Autoridade CoatoraMinistério Público Federal
ManifestanteAmounts and remedies
- Pena Primeira Instancia Anos: 10
- Pena Primeira Instancia Dias: 26
- Pena Segunda Instancia Anos: 7
- Pena Segunda Instancia Meses: 5
- Pena Segunda Instancia Dias: 7
- Dias Multa: dias-multa 25
- Preclusao Temporal Anos: 5
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Admissibilidade do habeas corpus como sucedâneo de recurso ou revisão criminal
- 02
Preclusão temporal em face do decurso de mais de cinco anos entre o acórdão e a impetração
- 03
Compensação da confissão com a agravante de reincidência na dosimetria da pena
- 04
Presença ou ausência de flagrante ilegalidade apta a autorizar a via mandamental
Party arguments
- Applicant
- No presente writ, sustenta o impetrante que a confissão do paciente deveria servir como causa de atenuação da pena, sem a preponderância da agravante de reincidência. Defende que deve haver compensação integral da confissão espontânea com a reincidência e que o número de majorantes não constitui fundamentação idônea para elevar a pena a patamar superior ao mínimo legal. Requer, liminarmente e no mérito, o recálculo da dosimetria da pena, afastando-se o aumento de 1/8 pela reincidência e o aumento de 5/12 pelas majorantes, a fim de que o aumento da pena, em razão das qualificadoras, seja reduzido para o mínimo legal de 1/3.
- Respondent
- O Tribunal de origem registrou que o writ foi utilizado como sucedâneo de revisão criminal, que o acórdão objurgado foi julgado em 05/09/2018 e a impetração deu-se em 06/01/2025, configurando preclusão temporal de mais de cinco anos; não se constatou flagrante ilegalidade que justificasse intervenção mandamental, razão pela qual o habeas corpus é inadequado para o reexame fático-probatório.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Jurisprudência do STJ (ex.: HC n. 602.425/SC)
Habeas corpus não pode substituir recurso próprio ou revisão criminal
- 02
Precedentes do STJ (AgRg no HC n. 690.070/PR; AgRg no HC n. 864.496/SP; AgRg nos EDcl no HC 705.154/SP)
Aplicação do instituto da preclusão temporal quando decorrido prazo superior a cinco anos entre o acórdão e a impetração
- 03
Jurisprudência do STJ (HC n. 602.425/SC)
Possibilidade de concessão de ofício da ordem em casos de flagrante ilegalidade
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
A ordem foi denegada porque o habeas corpus estava sendo utilizado como sucedâneo de revisão criminal ajuizada após mais de cinco anos do julgamento do acórdão (preclusão temporal), e não foi demonstrada flagrante ilegalidade apta a ensejar a intervenção mandamental, tornando inadequada a via do writ para o reexame pretendido.
Obiter and limits
- A Terceira Seção seguiu o entendimento de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio, salvo exceções de flagrante ilegalidade
- Citado entendimento que privilegia a segurança jurídica e a lealdade processual, sujeitando nulidades à preclusão temporal e invocando a Súmula 182/STJ
Court disposition
ordem denegada
- Denego a ordem.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MARCELO RIBEIRO FERREIRA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação Criminal nº 0059757-28.2007.8.26.0050). Consta dos autos que o paciente foi condenado em primeira instância à pena de 10 anos e 26 dias de reclusão, a ser cumprida em regime fechado, em razão da prática do crime previsto no art. 157, § 2º, I, II, V, por duas vezes, na forma do art. 70, caput, ambos do Código Penal. A decisão foi reformada em segundo grau de jurisdição, reduzindo-se a pena para 7 anos, 5 meses e 7 dias de reclusão em regime fechado e ao pagamento d e 25 dias-multa, no valor unitário mínimo legal. No presente writ, sustenta o impetrante que a confissão do paciente deveria servir como causa de atenuação da pena, sem a preponderância da agravante de reincidência. Defende que deve haver compensação integral da confissão espontânea com a reincidência e que o número de majorantes não constitui fundamentação idônea para elevar a pena a patamar superior ao mínimo legal. Requer, liminarmente e no mérito, o recálculo da dosimetria da pena, afastando-se o aumento de 1/8 pela reincidência e o aumento de 5/12 pelas majorantes, a fim de que o aumento da pena, em razão das qualificadoras, seja reduzido para o mínimo legal de 1/3. (e-STJ fls. 02/16). O pedido de liminar foi por mim
indeferido no e-STJ fls. 47/48. Informações prestadas (e-STJ fls. 54/79 e 84/87). O Ministério Público Federal manifestou-se pela concessão parcial da ordem (e-STJ fls. 90/95). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, sendo possível a concessão da ordem de ofício. "Diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, o Superior Tribunal de Justiça passou a acompanhar a orientação do Supremo Tribunal Federal, no sentido de ser inadmissível o emprego do writ como sucedâneo de recurso ou revisão criminal, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade" (HC n. 602.425/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 10/3/2021, DJe de 6/4/2021.) O entendimento é de elevada importância, porquanto deve-se utilizá-lo para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo
a necessária celeridade no seu julgamento. Nas hipóteses de writ substitutivo de revisão criminal, esta Corte compreende, ainda, a incidência do instituto da preclusão temporal: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. CRIME DE LATROCÍNIO. WRIT IMPETRADO APÓS MAIS DE CINCO ANOS DO JULGAMENTO DA APELAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. PRECEDENTES DO STJ. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. Como é de conhecimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, tem se orientado no sentido de que mesmo as nulidades denominadas absolutas, ou qualquer outra falha ocorrida no acórdão impugnado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal (AgRg no HC n. 690.070/PR, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 19/10/2021, DJe de 25/10/2021).
2. Na hipótese, o Tribunal de origem julgou o recurso de apelação objurgado neste writ em 19/7/2018 e somente no dia 24/10/2023 foi impetrado o presente habeas corpus, ou seja, após mais de 5 (cinco) anos, motivo pelo qual o seu conhecimento encontra-se obstado em decorrência da preclusão.
3. Ainda que assim não fosse, verifica-se que o Tribunal de origem, a partir do conjunto probatórios dos autos, descreveu as condutas dos envolvidos, que tiveram participação no crime de latrocínio em face da vítima, pessoa idosa, então contando com 61 anos de idade, sendo constatado pelo caderno probatório que os réus, em coautoria, efetuaram golpes com objeto contundente na cabeça da vítima, o que lhe causou seu óbito, e subtraíram aproximadamente R$ 2.000,00, em espécie, que era o valor mensal devido à sua aposentadoria. Nesse panorama, o pleito absolutório, nos moldes pretendidos, não pode ser analisado pela via mandamental, pois depende de amplo exame do conjunto probatória, providência incompatível com os estreitos limites cognitivos do habeas corpus, cujo escopo se restringe à apreciação de elementos pré-constituídos não sendo esta a via processual adequada para decisões que dependam de dilação probatória.
4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no HC n. 864.496/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. em 7/11/2023, DJe de 13/11/2023 - destaquei). RECURSO DE AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE REVISÃO CRIMINAL (CONDENAÇÃO COM TRÂNSITO EM JULGADO EM 2003). ACÓRDÃO ANTIGO. FLAGRANTE ILEGALIDADE NÃO CONSTATADA IN CASU. PRECLUSÃO. COISA JULGADA. FALTA DOS PRESSUPOSTOS PARA A REVISÃO CRIMINAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta Corte, cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos estabelecidos na decisão agravada. II - No presente caso, conforme já esclarecido na decisão agravada, o habeas corpus foi utilizado como sucedâneo de revisão criminal - o que não se mostra possível pela necessidade de reexame fático-probatório, pela incompetência desta Corte, pela indevida supressão de instância ou mesmo pela falta dos pressupostos do art. 621 do CPP. III - Assente nesta Corte Superior que "o exame das alegações dos impetrantes se mostra processualmente inviável, uma vez que transmuta o habeas corpus em sucedâneo de revisão criminal, configurando, assim, usurpação da competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, I, "e" e 108, I, "b", ambos da Constituição Federa" (HC n. 483.065/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, DJe de 11/11/2019). IV - No caso concreto, a ação penal de origem transitou em julgado em 2003. Nesse contexto, tendo em vista que o v. acórdão objurgado já conta com alguns anos de sua publicação, esta Corte Superior entende pela preclusão da matéria, levando em conta o princípio da lealdade processual e do respeito à coisa julgada (segurança jurídica), mesmo em se tratando de uma alegada nulidade absoluta. Vejamos: "Verifica-se, na espécie, preclusão da matéria, em virtude de ter transcorrido cinco anos entre a impetração do mandamus e a sessão de julgamento do recurso de apelação em que teria ocorrido a suposta ilegalidade. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, tem se orientado no sentido de que mesmo as nulidades denominadas absolutas, ou qualquer outra falha ocorrida no acórdão impugnado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal" (AgRg nos EDcl no HC 705.154/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 10/12/2021). V - Não obstante, não se verifica nenhuma flagrante ilegalidade in casu, visto que a eg. Corte de origem consignou que (fl. 16): (..) VI - No mais, os argumentos atraem a Súmula n. 182 desta Corte Superior. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 738.138/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. em 6/3/2023, DJe de 14/3/2023 - destaquei) No caso posto em análise, o acórdão ora impugnado foi julgado em 05/09/2018, e o presente writ proposto em 06/01/2025, de forma que de rigor o reconhecimento da preclusão temporal. Ante o exposto, denego a ordem. Publique-se. Intimem-se.
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