REsp 1946231 - DECISAO
O Tribunal verificou que o acórdão recorrido apenas atribuiu efeito erga omnes à sentença proferida em ação civil pública, encontrando-se em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema n. 1.075); como o julgado não abordou a legitimidade do Ministério Público para ajuizar ação em defesa de...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- seguimento negado ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Eficácia Erga Omnes, Ação Civil Pública, Competência Territorial, Art. 16 Da Lei 7.347/1985, Direito Ao Fornecimento De Medicamentos, Repercussão Geral
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DE SANTA CATARINA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 possibilidade de atribuição de efeito erga omnes à sentença proferida em ação civil pública referente a direitos individuais homogêneos
- 2 alegada violação dos arts. 2º, 37 e 196 da Constituição Federal pelo acórdão recorrido
- 3 incidência do Tema n. 1.075 do STF sobre a matéria
Ratio Decidendi
O Tribunal verificou que o acórdão recorrido apenas atribuiu efeito erga omnes à sentença proferida em ação civil pública, encontrando-se em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema n. 1.075); como o julgado não abordou a legitimidade do Ministério Público para ajuizar ação em defesa de pessoa determinada, o Tema n. 262 do STF não interfere, de modo que, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC, negou-se seguimento ao recurso extraordinário.
Court Disposition
seguimento negado ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto pelo ESTADO DE SANTA CATARINA, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça assim ementado (fl. 513 ): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO ERGA OMNES. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. PROVIMENTO NEGADO. 1. A análise do mérito do recurso especial pressupõe que tenham sido ultrapassados os requisitos de admissibilidade desse recurso, inclusive quanto à necessidade ou não do reexame de matéria fático-probatória. 2. O entendimento jurisprudencial desta Corte firmou-se no sentido de ser cabível a atribuição de efeito erga omnes à sentença proferida em ação civil pública referente a direitos individuais homogêneos, inclusive o direito ao fornecimento de medicamentos, de modo a beneficiar os pacientes que demonstrem seu enquadramento no comando sentencial. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 555-560). A parte recorrente sustenta a existência de repercussão geral da matéria debatida e afirma que acórdão impugnado, ao reconhecer a possibilidade de atribuição de efeitos erga omnes à sentença condenatória em ação civil pública, teria violado os arts. 2º, 37, caput, e 196 da CF. Alega ter ocorrido desrespeito aos princípios da separação dos Poderes e da reserva do possível, ao argumento de que que o julgado recorrido teria invadido "esfera de competência e atribuição do Poder Executivo, no que concerne à definição de políticas públicas de saúde e à otimização da aplicação dos recursos públicos" (fl. 574). Aponta, ainda, ofensa aos princípios da universalidade e da isonomia, norteadores do Sistema Único de Saúde, bem como ao princípio da eficiência da administração pública, pois a conclusão adotada por esta Corte Superior criaria "desequilíbrio nas políticas públicas de saúde, quebrando regras de financiamento estabelecidas de forma uniforme e coerente pelo SUS para os três níveis de governo (União, Estados e Municípios) .. " (fl. 578). Defende a necessidade de sobrestamento do feito, uma vez que a Suprema Corte submeteu à sistemática da repercussão geral a discussão sobre a possibilidade de ajuizamento da ação civil pública, pelo Ministério Público, para a defesa do direito à saúde de pessoa determinada (Tema n. 262 do STF). Requer, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 588-594. É o relatório. Inicialmente, verifica-se que o acórdão recorrido limitou-se a conceder efeitos erga omnes à sentença proferida em ação civil pública, inexistindo debate sobre a legitimidade do Ministério Público para ajuizar ação civil pública em defesa do direito à saúde de pessoa determinada, razão pela qual a pendência do julgamento do Tema n. 262 do STF não interfere no julgamento do presente recurso. Feitos tais esclarecimentos, tem-se que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE n. 1.101.937-RG/SP, fixou as seguintes teses (Tema n. 1.075): I - É inconstitucional a redação do art. 16 da Lei 7.347/1985, alterada pela Lei 9.494/1997, sendo repristinada sua redação original. II - Em se tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência deve observar o art. 93, II, da Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor). III - Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional e fixada a competência nos termos do item II, firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas. Confira-se, por oportuno, a ementa do julgado: CONSTITUCIONAL E PROCESSO CIVIL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 16 DA LEI 7.347/1985, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.494/1997. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO DOS EFEITOS DA SENTENÇA AOS LIMITES DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS DESPROVIDOS. 1. A Constituição Federal de 1988 ampliou a proteção aos interesses difusos e coletivos, não somente constitucionalizando-os, mas também prevendo importantes instrumentos para garantir sua pela efetividade. 2. O sistema processual coletivo brasileiro, direcionado à pacificação social no tocante a litígios meta individuais, atingiu status constitucional em 1988, quando houve importante fortalecimento na defesa dos interesses difusos e coletivos, decorrente de uma natural necessidade de efetiva proteção a uma nova gama de direitos resultante do reconhecimento dos denominados direitos humanos de terceira geração ou dimensão, também conhecidos como direitos de solidariedade ou fraternidade. 3. Necessidade de absoluto respeito e observância aos princípios da igualdade, da eficiência, da segurança jurídica e da efetiva tutela jurisdicional. 4. Inconstitucionalidade do artigo 16 da LACP, com a redação da Lei 9.494/1997, cuja finalidade foi ostensivamente restringir os efeitos condenatórios de demandas coletivas, limitando o rol dos beneficiários da decisão por meio de um critério territorial de competência, acarretando grave prejuízo ao necessário tratamento isonômico de todos perante a Justiça, bem como à total incidência do Princípio da Eficiência na prestação da atividade jurisdicional. 5. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS DESPROVIDOS, com a fixação da seguinte tese de repercussão geral: "I - É inconstitucional a redação do art. 16 da Lei 7.347/1985, alterada pela Lei 9.494/1997, sendo repristinada sua redação original. II - Em se tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência deve observar o art. 93, II, da Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor). III - Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional e fixada a competência nos termos do item II, firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas". (RE n. 1.101.937, relator Ministro Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 8/4/2021, DJe de 14/6/2021.) No caso, ao examinar a controvérsia, este Tribunal Superior assim se manifestou (fls. 517-518): Na hipótese dos autos, a decisão agravada deu provimento ao recurso especial para reconhecer a possibilidade de se atribuir efeito erga omnes à sentença de procedência proferida em ação civil pública referente a direitos individuais homogêneos. Conforme asseverado na decisão agravada, o entendimento jurisprudencial desta Corte firmou-se no sentido de ser cabível a atribuição de efeito erga omnes à sentença proferida em ação civil pública referente a direitos individuais homogêneos, inclusive o direito ao fornecimento de medicamentos, de modo a beneficiar os pacientes que demonstrem seu enquadramento no comando sentencial. A propósito, confiram-se os seguintes julgados: .. Verifico que, de fato, o acórdão recorrido destoou da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), devendo ser mantido o provimento do recurso especial. Assim, constata-se que o julgado recorrido se encontra de acordo com o entendimento firmado pela Suprema Corte, sob a sistemática da repercussão geral, para o Tema n. 1.075 do STF. Ante o exposto, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ART. 16 DA LEI N. 7.347/1985. EFICÁCIA ERGA OMNES DA SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO DOS EFEITOS DA SENTENÇA AOS LIMITES DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TEMA N. 1.075 DO STF. SEGUIMENTO NEGADO.