AREsp 3145999 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo para, parcialmente, conhecer do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão (afastando omissão dos arts. 489 e 1.022), aplicou o entendimento consolidado de que a preclusão consumativa impede nova discussão sobre impenhorabilidade já...
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- Parties
- Recorrente: ESPÓLIO DE JOSÉ EUGÊNIO SOARES DE ANDRADE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual Da Quarta Turma)
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Embargos À Arrematação, Impenhorabilidade De Bem De Família, Preclusão Consumativa, Arrematação Aperfeiçoada, Súmula 83/stj, Honorários Advocatícios
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
ESPÓLIO DE JOSÉ EUGÊNIO SOARES DE ANDRADE
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual Da Quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Possibilidade de reconhecimento da impenhorabilidade do bem de família após arrematação
- 3 Aplicação da preclusão consumativa em matéria de bem de família
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para, parcialmente, conhecer do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão (afastando omissão dos arts. 489 e 1.022), aplicou o entendimento consolidado de que a preclusão consumativa impede nova discussão sobre impenhorabilidade já decidida e considerou a arrematação regularmente aperfeiçoada, atraindo a Súmula 83/STJ; determinou-se ainda a majoração dos honorários em 10% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento
Orders
- Conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo e eventual concessão da gratuidade da justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/03/2026 a 30/03/2026, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Raul Araújo. Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À ARREMATAÇÃO. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. ARREMATAÇÃO APERFEIÇOADA. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. 1. Não configura ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 o fato de o Tribunal de origem, embora sem examinar individualmente cada um dos argumentos suscitados pelo recorrente, adotar fundamentação contrária à pretensão da parte, suficiente para decidir integralmente a controvérsia. 2. A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que opera-se a preclusão consumativa quanto à discussão acerca da impenhorabilidade do bem de família, quando houver decisão definitiva anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 3. Verifica-se que o acórdão recorrido se encontra em consonância com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça sobre preclusão consumativa na discussão da impenhorabilidade de bem de família e sobre a irretratabilidade da arrematação regularmente aperfeiçoada, o que atrai a incidência da Súmula 83/STJ e obsta o conhecimento do recurso especial nessa extensão. 4. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ESPÓLIO DE JOSÉ EUGÊNIO SOARES DE ANDRADE contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado (e-STJ, fl. 345): "APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À ARREMATAÇÃO. ARGUIÇÃO DE BEM DE FAMÍLIA. 1) Recurso do Espólio que não merece acolhimento. 2) Penhora realizada nos autos da execução extrajudicial nº 0104853- 92.1999.8.19.0001, com ciência dos executados. 3) Arrematação do imóvel em segunda praça realizada em 2007, com pagamento integral, pendente de expedição de carta de arrematação desde então. 4) Aplicabilidade do art. 694, do CPC/73. Jurisprudência do STJ. 5) Arguição de impenhorabilidade do imóvel rejeitada no agravo de instrumento nº 0000605-97.2007.8.19.0000, julgado em maio de 2007. 6) Impossibilidade de reapreciação da matéria em decorrência da preclusão consumativa (AgInt no REsp: 2077164 DF 2022/0330206-8) 7) Recurso adesivo que merece provimento para fixação de honorários sucumbenciais. APELO DESPROVIDO. RECURSO ADESIVO PROVIDO." Os embargos de declaração opostos contra o acórdão foram parcialmente acolhidos para correção de erro material (e-STJ, fls. 398-409). Em seu recurso especial, o recorrente alega violação dos seguintes dispositivos da legislação federal, com as respectivas teses: (i) arts. 489, § 1º, 1.022, inciso II, e 11 do Código de Processo Civil, pois teria havido omissão e negativa de prestação jurisdicional, já que o acórdão não teria enfrentado a tese central de impenhorabilidade do bem de família, apesar de provocação específica em apelação e em embargos de declaração. (ii) §§ 2º e 4º do art. 903 do Código de Processo Civil de 2015 e art. 476 do Código de Processo Civil de 1973, porque a arrematação não poderia ter sido mantida sem que se examinasse, em tempo oportuno, vícios e a impenhorabilidade arguida antes do leilão, de modo que a decisão teria desconsiderado o regime jurídico de aperfeiçoamento e invalidação da arrematação. (iii) arts. 1º e 5º da Lei 8.009/1990, pois o imóvel seria a residência da entidade familiar e, portanto, impenhorável, de modo que a manutenção da penhora e da arrematação teria violado a proteção legal ao bem de família. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 447-454). É o relatório. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À ARREMATAÇÃO. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. ARREMATAÇÃO APERFEIÇOADA. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. 1. Não configura ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 o fato de o Tribunal de origem, embora sem examinar individualmente cada um dos argumentos suscitados pelo recorrente, adotar fundamentação contrária à pretensão da parte, suficiente para decidir integralmente a controvérsia. 2. A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que opera-se a preclusão consumativa quanto à discussão acerca da impenhorabilidade do bem de família, quando houver decisão definitiva anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 3. Verifica-se que o acórdão recorrido se encontra em consonância com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça sobre preclusão consumativa na discussão da impenhorabilidade de bem de família e sobre a irretratabilidade da arrematação regularmente aperfeiçoada, o que atrai a incidência da Súmula 83/STJ e obsta o conhecimento do recurso especial nessa extensão. 4. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. VOTO A controvérsia concentra-se na possibilidade de reconhecimento da impenhorabilidade do imóvel como bem de família, mesmo após sua arrematação em leilão judicial. Primeiramente, não se vislumbra a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide. Salienta-se, ademais, que esta Corte é pacífica no sentido de que não há omissão, contradição ou obscuridade no julgado quando se resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada e apenas se deixa de adotar a tese do embargante. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. ENCAMINHAMENTO DOS AUTOS À CONTADORIA JUDICIAL. DÚVIDA QUANTO AO VALOR DISCUTIDO. ACÓRDÃO EM PERFEITA CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que é possível ao magistrado encaminhar os autos à contadoria para apurar se os cálculos estão em conformidade com o título em execução, consoante art. 524, § 2º, do CPC/2015. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.604.512/PB, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 9/10/2024.) No caso em análise, a decisão recorrida fundamenta-se no entendimento de que a impenhorabilidade do bem de família já havia sido apreciada e rejeitada em recurso anterior, o que impede nova discussão em razão da preclusão consumativa. Além disso, afirma que a arrematação foi regularmente aperfeiçoada, tornando-se ato jurídico perfeito e retirando o imóvel da esfera patrimonial do executado, circunstância que inviabiliza a posterior invocação da proteção legal de impenhorabilidade, nos seguintes termos: (e-STJ, fls. 350-353): "Pretendem os Apelantes a reforma da sentença ao argumento da impenhorabilidade do bem de família. Ocorre que a matéria já foi apreciada pelo Colegiado no agravo de instrumento nº 0000605-97.2007.8.19.0000, julgado em maio de 2007, cuja ementa se transcreve: (..) Com efeito, da consulta aos autos da execução é possível extrair que a penhora do imóvel situado na Rua Luiza Pitanga nº 85, ap. 303 foi realizada em 25 de julho de 2001 com ciência dos executados (índex 34). Ademais, resta evidenciada a ocorrência da arrematação em segunda praça, realizada em 28 de fevereiro de 2007 (índex 301), com pagamento realizado na integralidade (índex 326). Pendente desde então a expedição da carta de arrematação, título de domínio a ser levado ao Registro de Imóveis, para efetivar a transmissão da propriedade ao Arrematante. A fim de espancar quaisquer dúvidas, confira-se o teor do auto de arrematação. (..) Ademais, o auto de arrematação encontra-se devidamente assinado pelo Magistrado, o que importa na conclusão de se tratar de ato perfeito, nos termos do art. 694, do CPC/73." Sobre o tema, tem-se que a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que "opera-se a preclusão consumativa quanto à discussão acerca da penhorabilidade ou impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão definitiva anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública " (AgInt nos EDcl no AREsp 1.039.028/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 9/11/2017, DJe de 17/11/2017). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENHORABILIDADE DE BEM IMÓVEL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. COISA JULGADA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA COISA JULGADA. SÚMULA 283/STF. 1. O Tribunal de origem, ao negar provimento ao agravo de instrumento e condenar os agravantes ao pagamento de multa por litigância de má-fé, concluiu no sentido da ocorrência de preclusão consumativa e coisa julgada. 2. Segundo a orientação jurisprudencial do STJ, "opera-se a preclusão consumativa quanto à discussão acerca da penhorabilidade ou impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão definitiva anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.039.028/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 9/11/2017, DJe de 17/11/2017). 3. No caso em julgamento, conforme marcha processual delineada no acórdão recorrido, houve decisão já transitada em julgado afastando a impenhorabilidade no Processo 5060964-59.2022.8.24.0000/TJSC. Súmula n. 83/STF. 4. A alteração das conclusões adotadas pela Corte de origem quanto à ocorrência de preclusão, coisa julgada e litigância de má-fé demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto no enunciado n. 7 da Súmula deste Tribunal Superior. 5. Verifica-se das razões recursais que o fundamento da coisa julgada não foi impugnado, o que atrai a incidência da Súmula n. 283/STF. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.843.151/SC, relator Ministro HUMBERTO MARTINS, Terceira Turma, julgado em 16/6/2025, DJEN de 23/6/2025) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. AUSÊNCIA. COISA JULGADA. PRECLUSÃO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, opera-se a preclusão consumativa quanto à impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.541.147/PR, relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado em 7/4/2025, DJEN de 11/4/2025) Dessa forma, o acórdão recorrido julgou em conformidade com o entendimento firmado nesta Corte, incidindo a Súmula 83/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Havendo prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3 º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. É como voto.