AREsp 1926518 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque as matérias suscitadas no recurso especial não foram objeto de exame pelo tribunal de origem, mesmo após oposição de embargos de declaração, e a recorrente não indicou, no próprio recurso especial, violação ao art. 1.022 do CPC/15 para viabilizar o prequestionamento...
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- Parties
- Agravante: MARIA INES DE ALMEIDA PINTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Colegiado (decisão Da Quarta Turma)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno e manter a decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Embargos À Execução, Bem De Família, Penhora, Prequestionamento, Súmula 211/stj
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Parties
MARIA INES DE ALMEIDA PINTO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Colegiado (decisão Da Quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Ausência de prequestionamento de normas suscitadas no recurso especial (arts. 506 e 789 do CPC/15; art. 1.º da Lei 8.009/90; art. 391 do Código Civil)
- 2 Inadmissibilidade do recurso especial em razão da Súmula 211/STJ
- 3 Possibilidade de prequestionamento 'ficto' nos termos do art. 1.025 do CPC/15 e necessidade de indicação de violação ao art. 1.022 do CPC/15
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque as matérias suscitadas no recurso especial não foram objeto de exame pelo tribunal de origem, mesmo após oposição de embargos de declaração, e a recorrente não indicou, no próprio recurso especial, violação ao art. 1.022 do CPC/15 para viabilizar o prequestionamento fictio previsto no art. 1.025 do CPC/15, incidindo assim o óbice da Súmula 211/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno e manter a decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por MARIA INES DE ALMEIDA PINTO, contra decisão monocrática de fls. 290/292(e-STJ), a qual negou provimento ao recurso especial interposto pelaparteora recorrente. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou, a seu turno, acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim sintetizado: Civil e processual. Bancário. Embargos à execução. Sentença de improcedência. Pretensão à reforma manifestada pela embargante. Alegação de nulidade de fiança. Aval prestado em relação ao qual, na vigência do Código Civil de 1916, não se exigia outorga uxória. Precedente. Ônus sucumbenciais corretamente impostos à apelante, ante a rejeição, na parte não prejudicada, de seus embargos. RECURSO DESPROVIDO Opostos os embargos de declaração, restaram rejeitados (fls. 230/233, e-STJ) Em suas razões de recurso especial, a recorrente aponta ofensa aos artigos 506 e 789 do CPC/15, 1.º da Lei 8.009/90 e 391 do Código Civil. Sustenta, em síntese: a) ".., o reconhecimento do benefício do bem de família, na ação de embargos de terceiro, em relação aos imóveis penhorados apenas aproveitou à Maria Alice de Almeida Pinto, filha da ora recorrente, não se estendendo à recorrente, que por tal razão manejou os embargos à execução."; b) fazer jus ao reconhecimento do benefício do bem de família em relação aos imóveis constritos; c) o direito de ter resguardada a sua meação nos imóveis objeto de penhora. Contrarrazões apresentadas. Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, o que justificou a interposição do presente reclamo. Contraminuta apresenta pela parte adversa. Por decisão monocrática (fls. 290/292, e-STJ), este signatário negou provimento ao recurso especial, com amparo no enunciado contido naSúmula 211/STJ. Em suas razões de agravo interno (fls. 295/302, e-STJ), a recorrente refuta os fundamentos em que se lastreou o decisum hostilizado, oportunidade em que afirma o reconhecimento expresso da omissão por parte do Tribunal estadual. Impugnação às fls. 305/314, e-STJ. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EMRECURSO ESPECIAL - EMBARGOS À EXECUÇÃO- DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA EMBARGANTE. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de declaratórios, impede seu conhecimento, a teor da Súmula 211/STJ. 1.1.Não reconhece o prequestionamento pela simples interposição de embargos de declaração. Persistindo a omissão, é necessárioa interposição de recurso especial por afronta ao art. 1.022 do CPC/15, sob pena de perseverar o óbice da ausência de prequestionamento. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O presente recurso não merece prosperar, porquanto as razões expendidas pela parte agravante são insuficientes a derruir a fundamentação do decisum ora impugnado, motivo pelo qual ele merece ser mantido na íntegra por seus próprios fundamentos. 1. Em conformidade com o anteriormente decidido, depreende-se dos autos que o conteúdo normativo dos artigos 506 e 789 do CPC/15, 1.º da Lei 8.009/90 e 391 do Código Civil não foi objeto de exame pela instância ordinária, mesmo após o julgamento dos embargos de declaração opostos pela ora recorrente. Ademais, nas razões do especial deixou a insurgente de apontar eventual violação do artigo 1.022, razão pela qual incide, na espécie, a Súmula 211 desta Corte Superior, de seguinte teor: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPENHORABILIDADE. RENDA. ALUGUEL. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Na hipótese, não subsiste a alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois o tribunal de origem enfrentou as questões postas, não havendo no aresto recorrido omissão, contradição ou obscuridade. 3. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de declaratórios, impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 211 do Superior Tribunal de Justiça. 4. Nos termos do art. 1.025 do CPC/2015, não há falar em prequestionamento ficto se a alegada matéria não foi discutida na origem e não foi verificada nesta Corte a existência de erro, omissão ou obscuridade. 5. O reexame do conjunto fático-probatório da causa obsta a admissão do recurso especial tanto pela alínea "a" quanto pela "c" do permissivo constitucional. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1304311/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/12/2018, DJe 06/12/2018) Em outros termos, tampouco cabe falar em prequestionamento ficto face ao art. 1025 do NCPC. 1.1 Nos termos da jurisprudência desta Casa, para se possibilitar a sua incidência, cabe a parte alegar, quando de suas razões do recurso especial, a necessária ofensa ao art. 1022 do NCPC de modo a permitir sanar eventual omissão através de novo julgamento dos aclaratórios, caso existente, o que não foi feito no presente feito. Tal como dito, "a admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei". (REsp 1639314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 10/04/2017). Sobre o tema: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. ALEGADA ILIQUIDEZ DO TÍTULO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA VENTILADA NO RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO PREVISTO NO ART. 1.025 DO CPC/2015. NECESSIDADE DE SE APONTAR VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. PRECEDENTE. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A matéria referente aos arts. 783 e 803, do CPC de 2015 não foi objeto de discussão no acórdão recorrido, apesar da oposição de embargos de declaração, não se configurando o prequestionamento, o que impossibilita a sua apreciação na via especial (Súmulas 282/STF e 211/STJ). 2. O STJ não reconhece o prequestionamento pela simples interposição de embargos de declaração (Súmula 211). Persistindo a omissão, é necessária a interposição de recurso especial por afronta ao art. 1.022 do CPC de 2015 (antigo art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sob pena de perseverar o óbice da ausência de prequestionamento. 3. "A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei". (REsp 1639314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 10/04/2017). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1098633/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 12/09/2017, DJe 15/09/2017) De rigor, portanto, a manutenção da decisão ora impugnada. 2. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.