AREsp 2598945 - DECISAO
A fundamentação recursal que se limita ao art. 413 do CC/2002 é insuficiente para fixar o termo inicial dos juros moratórios sobre a multa revisada; por analogia aplicou-se a Súmula 284/STF; ademais, a pretensão de revisar a proporção da sucumbência demandaria reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ; por esses...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: DANIEL PEDRO MORANDO; Agravante: ANA ELENA ROSARIO PIERUCCIONI DE MORANDO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Decisão Que Nega Provimento Ao Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Embargos À Execução, Contrato De Compra E Venda De Imóvel Em Construção, Atraso Na Conclusão Da Obra, Cláusula Penal, Multa Diária, Redução Equitativa Da Cláusula Penal, Litigância De Má Fé, Honorários Advocatícios, Termo Inicial Dos Juros Moratórios, Sucumbência Recíproca, Súmulas Do STJ
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Parties
DANIEL PEDRO MORANDO
Agravante
ANA ELENA ROSARIO PIERUCCIONI DE MORANDO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Decisão Que Nega Provimento Ao Agravo
Legal Issues
- 1 aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ para denegação de seguimento
- 2 interpretação do art. 413 do CC/2002 quanto ao termo a quo dos juros moratórios sobre multa contratual revisada judicialmente
- 3 possibilidade de redução equitativa da cláusula penal
Ratio Decidendi
A fundamentação recursal que se limita ao art. 413 do CC/2002 é insuficiente para fixar o termo inicial dos juros moratórios sobre a multa revisada; por analogia aplicou-se a Súmula 284/STF; ademais, a pretensão de revisar a proporção da sucumbência demandaria reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ; por esses fundamentos, negou-se provimento ao agravo e majoraram-se os honorários em 20% conforme art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoro os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto por DANIEL PEDRO MORANDO e ANA ELENA ROSARIO PIERUCCIONI DE MORANDO contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, ante a aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 1.982/1.985). O acórdão do TJSC traz a seguinte ementa (e-STJ fl. 1.795): PROCESSUAL CIVIL E CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO - CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO - ATRASO NA CONCLUSÃO DA OBRA - COMPROVAÇÃO - CLÁUSULA PENAL - INCIDÊNCIA - MULTA DIÁRIA - REDUÇÃO EQUITATIVA - POSSIBILIDADE 1. Comprovado o inadimplemento contratual dos vendedores, que não observaram o prazo acordado para a conclusão das obras de edificação do imóvel, nos termos negociados, é lícita a cobrança da cláusula penal prevista no contrato. 2. Consoante remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, " a redução judicial da cláusula penal, imposta pelo artigo 413 do Código Civil nos casos de cumprimento parcial da obrigação principal ou de evidente excesso do valor fixado, deve observar o critério da equidade, não significando redução proporcional. Isso porque a equidade é cláusula geral que visa a um modelo ideal de justiça, com aplicação excepcional nas hipóteses legalmente previstas. Tal instituto tem diversas funções, dentre elas a equidade corretiva, que visa ao equilíbrio das prestações. Daí a opção do legislador de utilizá-la como parâmetro para o balanceamento judicial da pena convencionar (REsp n. 1466177/SP, Min. Luis Felipe Salomão). Desse modo, é possível reduzir equitativamente valor da cláusula penal, a fim de preservar a isonomia contratual entre os contraentes. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ - INOCORRÊNCIA Para que haja condenação em multa por litigância de má-fé é necessário que esteja evidenciado o dolo do litigante em prejudicar a parte contrária ou o de atentar contra o regular desenvolvimento do processo. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 1.844/1.850). No recurso especial (e-STJ fls. 1.899/1.927), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, os recorren tes requereram, preliminarmente, a concessão de efeito suspensivo à insurgência. Aduziram dissídio jurisprudencial sobre o art. 413 do CC/2002, pois o termo a quo dos juros moratórios incidentes sobre o novo valor da multa contratual, revisado em segunda instância, deveria corresponder ao trânsito em julgado, e não a partir da celebração do ato negocial. Indicaram violação do art. 86 do CPC/2015, sustentando que haveria sucumbência recíproca das partes. Foram ofertadas contrarrazões (e-STJ fls. 1.969/1.977). No agravo (e-STJ fls. 2.008/2.021), afirmam a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 2.036/2.038). É o relatório. Decido. A fim de sustentar a revisão do termo inicial dos juros moratórios aplicáveis ao valor da cláusula penal revisada judicialmente, a parte recorrente indicou dissenso interpretativo sobre o art. 413 do CC/2002. Ocorre que tal dispositivo legal, isoladamente, não possui o alcance normativo pretendido, porque nada dispõe a respeito do termo a quo do encargo mencionado, tampouco dos meios de constituição dos devedores em mora. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que verificar a proporção do decaimento dos litigantes, para revisar o seu grau de sucumbência, exige o revolvimento de provas, o que é incabível em recurso especial. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM VALOR CONSIDERADO EXORBITANTE. REDISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 6. A apreciação, em recurso especial, do quantitativo em que o autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca, esbarra no óbice da incidência da Súmula 7 do STJ. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.547.630/MG, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/4/2021, DJe 15/4/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE CUMULADA COM COBRANÇA. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. INADIMPLÊNCIA RECONHECIDA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVA E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 421 E 884 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DISTRIBUIÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA DAS PARTES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. .. 4. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de não ser possível a apreciação do quantitativo em que as partes saíram vencedoras ou vencidas na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca e a fixação do respectivo quantum, por implicar incursão no suporte fático-probatório dos autos, esbarrando no óbice da Súmula 7 deste Sodalício. 5. Agravo interno provido para, reconsiderando a decisão agravada, conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.723.236/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 223/2021, DJe 13/4/2021.) Desprovido o recurso, descabe cogitar de efeito suspensivo. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se, EMENTA