REsp 2212462 - DECISAO
O STJ acolheu o recurso especial pela existência de omissão no acórdão recorrido quanto à ilegitimidade ativa decorrente da ausência de filiação direta dos exequentes à ANFFA e quanto à aplicação da coisa julgada relativa ao percentual da GDAFA; por isso anulou o aresto proferido em embargos de declaração e...
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- Parties
- Recorrente: União; Impetrante/recorrido: Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários - ANFFA; Exequentes/beneficiários: servidores inativos e pensionistas substituídos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Com Anulação Do Aresto E Retorno Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Provimento do recurso especial; anulação do aresto proferido em embargos de declaração; autos retornem ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para novo julgamento colegiado
- Legal Topics
- Embargos À Execução, Mandado De Segurança Coletivo, Ilegitimidade Ativa, Coisa Julgada, Gratificação De Desempenho De Atividade Dos Fiscais Federais Agropecuários GDAFA, Correção Monetária (ipca E Vs Tr), Honorários Advocatícios
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Parties
União
Recorrente
Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários - ANFFA
Impetrante/recorrido
servidores inativos e pensionistas substituídos
Exequentes/beneficiários
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Com Anulação Do Aresto E Retorno Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 omissão quanto à ausência de filiação direta dos exequentes e consequente ilegitimidade ativa
- 2 aplicabilidade da coisa julgada quanto ao percentual da GDAFA (50% vs 55%)
- 3 índice de correção monetária aplicável (IPCA-E em vez da TR)
Ratio Decidendi
O STJ acolheu o recurso especial pela existência de omissão no acórdão recorrido quanto à ilegitimidade ativa decorrente da ausência de filiação direta dos exequentes à ANFFA e quanto à aplicação da coisa julgada relativa ao percentual da GDAFA; por isso anulou o aresto proferido em embargos de declaração e determinou o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para que, por seu órgão colegiado, profira novo acórdão sanando as omissões apontadas.
Court Disposition
Provimento do recurso especial; anulação do aresto proferido em embargos de declaração; autos retornem ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para novo julgamento colegiado
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Anular o aresto proferido em embargos de declaração
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela União com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fls. 590/591): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE DOS FISCAIS FEDERAIS AGROPECUÁRIOS - GDAFA. SERVIDORES APOSENTADOS E PENSIONISTAS. PARIDADE COM OS SERVIDORES ATIVOS. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA AFASTADA. LIMITAÇÃO DOS CÁLCULOS AO MÊS DE MAIO DE 2004. INDEVIDA. PERCENTUAL. LIMITE MÁXIMO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DETERMINAÇÃO DO PARÂMETRO DE CÁLCULO. PRECEDENTES FIRMADOS PELO STF NO RE 870.947/SE (TEMA 810) E PELO STJ NO RESP 1.495.146/MG (TEMA 905). ADOÇÃO DO IPCA-E. 1. Trata-se de título executivo judicial decorrente de ação mandamental (MS 2001.34.00.035083-1/DF) impetrada pela Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários - ANFFA, contra ato do Sr. Coordenador Geral de Recursos Humanos do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, objetivando assegurar aos seus substituídos (servidores inativos e pensionistas) o direito à percepção da Gratificação de Desempenho de Atividade dos Fiscais Federais Agropecuários - GDAFA, em sua totalidade, nos mesmos valores pagos aos servidores em atividade. 2. O mandado de segurança coletivo alcança todos os integrantes da categoria substituída, sem que destes se exijam autorização, versando a hipótese substituição e não representação processual, pois os beneficiários poderiam ser identificados posteriormente, demonstrando-se que se enquadram exatamente naquela situação que deu origem ao direito assegurado na sentença, uma vez que nos termos do art. 22, caput, da Lei do Mandado de Segurança, a sentença fará coisa julgada em favor dos substituídos pela atividade processual da entidade de classe. 3. A Constituição confere tratamento diferenciado ao mandado de segurança coletivo, cuja impetração por parte de associação prescinde de autorização dos substituídos, conforme inciso LXX do seu art. 5º. Cuidando-se de mandado de segurança coletivo, porque não é imprescindível a apresentação de lista de beneficiários, mesmo referindo-se a direito individual homogêneo, essa circunstância, não prejudica aqueles que efetivamente foram substituídos e não constam da lista apresentada com a inicial ou não eram filiados à época da impetração. Precedente do STJ: AgInt no REsp n. 1.890.382/SC, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do Trf5), Primeira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 1/6/2022. 4. É importante esclarecer que o STF decidiu, no RE 573.232/SC, em julgamento submetido à repercussão geral, que apenas os associados que tenham dado autorização expressa para sua propositura poderão executar o título judicial, não bastando permissão estatutária genérica, sendo indispensável que a autorização seja dada por ato individual ou em assembleia geral, situação que não se aplica, contudo, aos mandados de segurança coletivos, como neste caso em execução. 5. Quanto à alegação de ilegitimidade ativa dos exequentes para figurarem no presente feito, porquanto são filiados às Associações Estaduais e não à ANFFA, também não merece ser acolhida, uma vez que o estatuto da ANFFA é claro ao mencionar, em seu artigo 2º, que a ANFFA congrega as Associações Estaduais, bem como os Fiscais Federais Agropecuários associados àquelas. Ademais, no artigo 3º do referido estatuto há menção objetiva de que a ANFFA representará, substituirá e defenderá as associações estaduais filiadas e/ou os seus associados direitos, que são os Fiscais Federais Agropecuários, substituídos no presente feito. 6. O direito às diferenças vencimentais não se limita à data da edição da Lei 10.883/2004, que institui os limites para a percepção da vantagem instituída pela Medida Provisória 2.229-43 (reedição da MP 2.048-26), pois o referido diploma legal, apesar de assegurar o pagamento da gratificação aos inativos, prevê o pagamento em patamar diferenciado dos servidores da ativa, em desconformidade com o título executivo. 7. O título judicial reconheceu o direito dos exequentes, na condição de inativos da categoria de Fiscais Agropecuários do Ministério da Agricultura, à percepção da GDAFA em seu grau máximo, conforme tratamento dispensado aos servidores em atividade, o que inclui, por consecução lógica, o percentual majorado, no curso do processo, pela Lei 10.883/2004, de 50% para 55%, em razão da sobredita paridade assegurada pelo julgado, que deve ser observado no momento da execução. 8. Dessa forma, não há falar em afronta à coisa julgada. Desde a propositura da demanda, a União possui o pleno conhecimento acerca da extensão do direito vindicado pelos exequentes: a Gratificação de Desempenho de Atividades de Fiscalização Agropecuária em seu limite máximo, ou seja, o mesmo tratamento dispensado aos seus pares do serviço ativo, até que surjam as razões para o discrímen instituído pela norma, ou, como no caso, a extinção da gratificação. 9. Do mesmo modo, não merece ser acolhida a alegação da apelante de que a alteração do título judicial, para fazer constar o acréscimo de 5% determinado pela Lei 10.883/2004, poderia ter sido postulada pelos representados no momento processual dos embargos declaratórios, considerando que o título executivo transitou em julgado posteriormente à edição da referida lei. Com efeito, a veiculação desse tema em sede de embargos à execução não se mostra inoportuna ou intempestiva, porquanto a alteração no percentual da Gratificação, elevando-o de 50 para 55%, deu-se no curso da demanda, não podendo a embargante alegar qualquer surpresa a respeito. 10. Quanto à atualização monetária, registre-se que, no julgamento realizado em 03/10/2019, o Supremo Tribunal Federal rejeitou todos os embargos de declaração e não modulou os efeitos da decisão anteriormente proferida no RE 870.947 (Tema 810), afastando a incidência da TR definitivamente como índice de correção monetária. 11. Compondo tal panorama, o STJ, no repetitivo REsp. 1.495.146-MG (Tema Repetitivo 905), estabeleceu o IPCA-E como indexador adequado para a correção de condenações judiciais referentes a servidores público, sendo este o parâmetro constante no Manual de Cálculos da Justiça Federal, cuja observância foi determinada na sentença. 12. Os honorários de advogado deverão ser majorados em um ponto percentual sobre o valor arbitrado pela sentença, com base no disposto no art. 85, §11, do NCPC. 13. Apelação da União Federal desprovida. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 629/644). Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta violação aos arts. 489, § 1º, 502, 505, 508 e 1.022 do CPC e 21 da Lei n. 12.016/09. Sustenta, em síntese, negativa de prestação jurisdicional, sob a alegação de que a Corte de origem manteve-se omissa quanto a ponto essencial ao deslinde do feito. Aduz, ainda, a reforma do acórdão recorrido "para que esta Corte Cidadã deixe assentado que são beneficiários do título executivo formado em Mandado de Segurança Coletivo impetrado por Associação apenas aqueles exequentes diretamente filiados à associação impetrante do mandamus; .. para reconhecer como devido o pagamento da GDAFA no percentual de 50%, sob pena de violação à coisa julgada, nas mesmas razões que fundamentam o Recurso Especial Repetitivo (543-C do CPC/73) nº 1.235.513-AL." (fl. 660). Contrarrazões às fls. 672/690. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A pretensão recursal merece acolhida, pois a parte recorrente, nas razões aduzidas nos embargos declaratórios e no recurso especial, sustentou (fls. 605/612): DA OMISSÃO ACERCA DA AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO DIRETA. ILEGITIMIDADE ATIVA DOS EXEQUENTES - MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA .. Desse modo, comprovado que os exequentes/embargados não são substituídos desta, resta clara a ilegitimidade ativa da mesma para ajuizar a presente execução, devendo por esse fundamento os presentes embargos serem julgados procedentes para que seja sanada omissão sobre a matéria de ordem indicada. DA OMISSÃO. NECESSIDADE DE FILIAÇÃO À ASSOCIAÇÃO PARA SER BENEFICIÁRIO DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº. 612.043, COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. .. Diante do exposto, deve ser sanada a omissão do r. acórdão acerca da inexistência de pronunciamento judicial quanto ao fato de os exequentes não serem filiados à ANFFA à época da impetração do mandado de segurança na execução impugnada, o que acarreta na ilegitimidade ativa da embargada para executar o título executivo judicial em favor de quem não fosse seu associado à época da impetração do Mandado de Segurança que deu origem ao titulo executivo. DA OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. COISA JULGADA .. Há clara omissão no v. Acórdão quanto à aplicação do precedente firmado pelo STJ no Recurso Especial Repetitivo (543-C do CPC/73) nº 1.235.513-AL, no sentido de que se o fato alegado em execução já era passível de ser invocado no processo cognitivo, estará a matéria protegida pela coisa julgada. A questão de o percentual ser modificado de 50% para 55% poderia ter sido alegada no processo cognitivo, logo, a matéria encontra-se protegida pela coisa julgada. Contudo, o Tribunal de origem quedou silente sobre tais argumentações, limitando-se a manter os fundamentos do acórdão e rejeitando os pertinentes aclaratórios do ora recorrente, em franca violação ao art. 1.022 do CPC, porquanto não prestada a jurisdição de forma integral. ANTE O EXPOSTO, dou provimento ao recurso especial, para anular o aresto proferido em embargos de declaração. Retornem os autos à Corte de origem, para que esta possa, por meio de seu órgão colegiado, proferir novo acórdão, sanando as omissões apontadas nesta decisão. Publique-se. EMENTA